2006-06-26

Subject: Orquídea tem sexo "activo" consigo própria?

 

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Orquídea tem sexo "activo" consigo própria?

 

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Clique para ver mais imagensUma ágil orquídea chinesa desempenha uma versão floral de relações sexuais consigo própria, algo que pode ser considerado original em plantas.

Os investigadores explicam que uma extensão das anteras se vira de cabeça para baixo de forma a colocar os grãos de pólen directamente na cavidade feminina da flor.

A antera dobra-se para entrar na câmara feminina a partir de baixo e é mantida no lugar por uma estrutura em forma de anel no pedúnculo, como forma de assegurar a fecundação.

Esta flor é a primeira planta conhecida em que a polinização é inteiramente auto-dirigida, sem a intervenção de agentes ou forças externas, como abelhas ou o vento.

Os biólogos observaram o elaborado estilo de reprodução da orquídea bissexual Holcoglossum amesianum, uma planta que cresce sobre o tronco de árvores nas secas florestas da província chinesa de Yunnan. LaiQiang Huang, da Universidade de Tsinghua em Shenzhen estudaram a invulgar flor e apresentam os seus resultados na última edição da revista Nature.

O sexo nas plantas mais convencionais tira partido de insectos ou aves para transportar o pólen de uma planta para outra, donde resulta a formação de um embrião envolvido por uma semente.

A maioria das orquídeas segue este padrão, ainda que muitas sejam conhecidas pelas suas flores elaboradas, concebidas para atrair polinizadores especializados.

O pólen também pode ser transferido da flor masculina para a feminina no corpo de uma única planta ou de peças florais masculinas para peças florais femininas numa única flor. Nestes casos, considera-se que as plantas podem autopolinizar-se. 

Ainda que menos comum em orquídeas, muitas plantas com flor autofertilizam-se, algumas ou todas as vezes mas a maioria depende do vento ou de secreções fluidas para deslocar os grãos de pólen. Uma coisa é certa: nenhuma outra espécie conhecida o faz como H. amesianum.

 

"O que é mais estranho é o método", diz Mark Johnston, ecologista vegetal da Universidade Dalhousie em Halifax, Nova Escócia. "É único fazer a autopolinização de uma forma tão activa."

Apesar de a orquídea não produzir néctar e autopolinizar-se, mantém estruturas florais que são atractivas para os insectos, o que parece indicar que, segundo Huang, os seus ancestrais dependiam da polinização por insectos.

Surpreendentemente, a orquídea mantém as estruturas que nas espécies polinizadas por insectos servem para evitar a autopolinização acidental, por exemplo, a cavidade feminina está virada para baixo e é mantida separada das peças masculinas por uma projecção em forma de bico designada rostellum.

Com uma estrutura dessas, diz Huang, é praticamente impossível a polinização por acção do vento, secreções fluidas ou pela gravidade. A polinização pelo vento também é improvável, acrescenta ele, na atmosfera parada do interior da floresta em que a orquídea vive.

Para a H. amesianum, a polinização por insectos é a única alternativa convencional mas as suas observações de mais de 1900 flores, os biólogos não observaram nenhuma visita de insectos.

"Os insectos estão ausentes durante a seca época de floração", diz Huang, "logo a autopolinização é a única solução prática."

 

 

Saber mais:

Tsinghua University

Nature

Dalhousie University

 

 

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