2006-06-15

Subject: Duas espécies tornam-se uma em laboratório

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

Duas espécies tornam-se uma em laboratório

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

Duas espécies de borboleta foram criadas em laboratório para dar origem a uma terceira espécie, distinta das anteriores, relata a última edição da revista Nature.

Para serem da mesma espécie, os indivíduos têm que ser capazes de se cruzar entre si e produzir descendência fértil. Este estudo demonstra que duas espécies animais podem evoluir para formar uma única, em vez da situação mais vulgar, em que uma espécie diverge para originar duas.

O processo em questão já foi comparado a construir uma nova bicicleta a partir de um par de bicicletas em segunda mão e a borboleta Heliconius heurippa parece ser o produto deste processo, designado especiação híbrida. 

Pensa-se que a maioria das espécies se forme quando grupos de organismos divergem gradualmente uns dos outros ao longo de gerações sucessivas mas estas borboletas, tão características com as suas cores fortes, parecem ser o produto de duas variedades já existentes.

A especiação híbrida é considerada rara ou mesmo ausente em animais, pois os seus descendentes teriam menor probabilidade de sobreviver e procriar que as espécies progenitoras. Esta situação deve-se à incompatibilidade entre genes originários de espécies diferentes.

Image: Juan Gillermo Montanes/Mauricio Linares

Heliconius melpomene (acima) e Heliconius cydno (abaixo) podem ter sido hibridadas (Imagem @ Juan Guillermo Montanes/Mauricio Linares)

Um exemplo bem conhecido desta situação é a mula, um híbrido estéril entre o burro e o cavalo. Pode ser muito útil como animal de carga mas é um beco sem saída do ponto de vista reprodutor.

Uma equipa de investigadores do Panamá, Colômbia e Reino Unido conseguiram obter as borboletas Heliconius heurippa em laboratório ao cruzar duas outras espécies de borboleta: Heliconius cydno e Heliconius melpomene.

"O facto de termos recriado esta espécie em laboratório fornece uma rota bem convincente para a forma como a espécie terá surgido na natureza", explica o co-autor do artigo Chris Jiggins, da Universidade de Edimburgo.

Jesus Mavarez, outro dos autores do estudo, do Smithsonian Tropical Research Institute no Panamá, explica: "Descobrimos que o padrão das asas igual ao dos híbridos pode ser obtido em meses, após apenas três gerações de cruzamentos em laboratório entre H. cydno e H. melpomene."

 

"Mais ainda, os híbridos naturais de San Cristobal, Venezuela, mostram padrões das asas muitos semelhantes aos de H. heurippa, apoiando ainda mais a ideia da origem híbrida desta espécie."

Para além disso, há um acumular de provas circunstanciais relativamente há especiação híbrida em moscas da fruta Ragoletis e várias espécies de peixes, como alguns ciclídeos africanos.

Alguns investigadores também suspeitam que o lobo vermelho americano pode ser o produto da hibridação entre coiotes e lobos. 

Os padrões de cor nas asas das borboletas podem ser cruciais na formação de novas espécies, pois servem como dicas para os animais em busca de parceiros. Estas borboletas são muito cuidadosas na escolha de parceiros com o seu próprio, típico da espécie, padrão de cores nas asas.

H. heurippa encontra-se nos Andes ocidentais da Colômbia (Image @Christian Salcedo))
H. heurippa   Credit: Christian Salcedo, University of Florida, Gainesville

O padrão das asas de H. heurippa torna-os pouco desejáveis para o acasalamento perante os membros da espécie próxima mas atractivos uns para os outros, reforçando os padrões de acasalamento que levam à formação de uma nova espécie.

Estes padrões específicos de uma espécie também são cruciais para afastar os predadores. As borboletas produzem toxinas quando são devoradas e os predadores aprendem a reconhecer e evitar um tipo específico de padrão de asas.

Estas situações estão tão finamente ajustados que as borboletas com desvios mínimos nos padrões de cor das asas sofrem imediatamente uma predação superior.

 

 

Saber mais:

Nature

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2006


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com