2006-06-14

Subject: Nações baleeiras devem conseguir maioria

 

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Nações baleeiras devem conseguir maioria

 

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As nações baleeiras estão decididas a obter a maioria dos votos quando se iniciar, na próxima sexta-feira, o novo encontro anual da Comissão Internacional de Caça à Baleia (IWC), pois vários países com grande probabilidade de votar a favor da retoma da caça comercial juntaram-se nas últimas semanas a esta organização.

Uma maioria do bloco pró-retoma da caça comercial pode conduzir ao riscar completo dos programas de conservação e bem-estar de mamíferos marinhos, embora não à retoma da caça comercial nos moldes em que já existiu.

Para que tal aconteça são necessários 3/4 de votos favoráveis dos delegados presentes na reunião de St Kitts & Nevis, o que parece extremamente improvável que aconteça. No entanto, uma maioria simples seria suficiente para acabar com o trabalho da IWC em áreas que o Japão considera não serem da sua alçada, como métodos de garantia de bem-estar e de captura e morte, observação de baleias e tudo o que diz respeito aos cetáceos menores, como os golfinhos.

"Pela primeira vez desde a década de 70 do século passado, a IWC passaria a estar sob o controlo das nações baleeiras", comenta Vassily Papastavrou, biólogo marinho que trabalha para o International Fund for Animal Welfare (IFAW). "O Japão já anunciou que tenciona impedir decisões que protejam as baleias e acabar com todo o trabalho de conservação da IWC."

O potencial para o confronto é mais alto este ano do que tem sido desde há décadas.

Formada em 1946, a IWC tinha como objectivo inicial regular a caça comercial à baleia, mas após se ter tornado óbvio que algumas espécies estavam à beira da extinção, a regulamentação tomou a forma mais robusta possível: uma moratória global.

A Noruega apresentou uma objecção formal à proibição da caça e tem continuado a caçar, apesar de capturar radicalmente menos do fazia há um século. O Japão, e mais recentemente a Islândia, caçam sob a alçada de uma regra da IWC que permite a captura para "investigação científica".

Ambos os países aumentaram as suas capturas anuais nos últimos anos, com o objectivo de em 2006 caçarem 2 mil animais, a maior captura desde a introdução da moratória em 1986.

Os países baleeiros insistem que uma retoma limitada à caça comercial é possível, que os stocks de algumas espécies são suficientemente elevados e que a IWC se tornou uma organização conservacionista, o que é contrário ao seu objectivo.

Na fundação da IWC é suposto existir uma sólida base científica, logo alegações acerca de quais os stocks que são suficientemente robustos são em teoria respondidas com base em análises científicas apenas. No entanto, existem enormes variações nas estimativas do efectivo de baleias anãs ou minke, actualmente a espécie mais caçada, o que torna virtualmente impossível estabelecer limites globais de capturas.

O processo científico também se misturou com a política, com discussões de décadas sobre o mecanismo conhecido como Esquema de Gestão Revisto, concebido para facilitar a retoma limitada da caça comercial, a chegar ao fim no início deste ano.

O bloco anti-baleeiro é informalmente liderado pela Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido, com os Estados Unidos como um forte aliado. No último ano, este grupo tem coordenado cartas de protesto diplomático enviadas à Noruega e ao Japão, assinadas por 12 e 17 países, respectivamente.

 

"Estes países estão a perder a discussão, internacionalmente e internamente", diz Ben Bradshaw, ministro inglês responsável pelos assuntos do mar. "Nenhuma das nações baleeiras tem mercado para a carne de baleia, os jovens dos seus países não a consomem."

Este argumento é posto em causa pelas organizações que apoiam a caça comercial, como a norueguesa High North Alliance. "Pensamos que há um apoio crescente à caça comercial, tanto em princípio como na prática", diz o secretário Rune Frovik.

"As baleias pertencem ao reino animal, em outras culturas comem-se sapos, os Hindus não comem carne e é o seu direito, mas eles não proíbem o resto do mundo de o fazer. Pensamos que não há muitas coisas tão amigas do ambiente como a carne de baleia, um animal que sempre viveu selvagem, que apenas caçamos o excedentário e não destruímos a natureza ao faze-lo."

Sejam quais forem os certos e os errados do ponto de vista moral, parece que após anos de tentativas o bloco baleeiro pode ter conseguido uma maioria funcional. A corrida antes do início de cada reunião é sempre feita de cada lado a tentar trazer para a organização novos membros que os apoiem.

As ilhas Marshall, a Guatemala e o Cambodja juntaram-se ao bloco do Japão nas últimas semanas mas uma contagem rigorosa só será possível quando a comissão se reunir na sexta-feira em St Kitts. Só aí será claro que países enviaram delegados e pagaram as subscrições, o que lhes dá direito de voto.

"O bloco baleeiro já tinha maioria em papel no ano passado", diz Ben Bradshaw, "mas como alguns dos seus aliados não apareceram ou não pagaram as quotas, acabámos por ganhar todas as votações, com excepção de uma e mesmo essa apenas perdemos por um voto."

Até onde estarão os líderes anti-caça comercial a ir, do ponto de vista diplomático, contra o Japão, Islândia e Noruega, com os quais têm tantos pontos em comum para além das baleias, é uma questão importante.

Fala-se de acções contra as industrias turísticas dos países que recentemente apoiaram a retoma da caça, especialmente os países das Caraíbas como o anfitrião deste ano St Kitts and Nevis.

Um delegado de uma das nações anti-caça comentou que não deverá existir um boicote organizado mas que seria passada palavra de que certas nações que se apresentam como paraísos de férias são afinal locais de matança de baleias.

 

 

Saber mais:

IWC

IFAW

High North Alliance

 

 

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