2006-06-01

Subject: Cientistas revelam como as rãs se agarram

 

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Cientistas revelam como as rãs se agarram

 

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O mistério acerca da forma como as rãs se agarram às mais diversas superfícies, mesmo quando têm as patas molhadas, foi finalmente resolvido pelos cientistas.

Um estudo realizado com rãs das árvores revelou que as superfícies dos dedos das patas traseiras estão cobertas com minúsculos altinhos que conseguem criar fricção ao tocar directamente numa superfície.

Os cientistas descobriram que este contacto directo ocorre mesmo quando as almofadas dos dedos estão cobertas com uma película de muco aquoso. A descoberta, publicada na revista Interface, pode ajudar no desenvolvimento de dispositivos anti-derrapagem.

Os investigadores, sediados na Alemanha e no Reino Unido, investigaram como as rãs conseguiam agarrar-se a uma superfície lisa sem escorregar, como as suas patas molhadas indiciariam, ou ficaram tão presas que lhes fosse difícil saltar.

Estudos prévios tinham sugerido que a "adesão húmida" podia estar associada à viscosidade do muco mas este novo estudo sugere que outras forças podem estar em jogo.

"As almofadas dos dedos apresentam um padrão com uma textura hexagonal fina atravessada por canais", explica Jon Barnes, um dos autores do artigo e zoólogo da Universidade de Glasgow.

"Poderíamos imaginar que se estivéssemos pendurados de uma folha, que cada célula hexagonal, mesmo se separada de cada uma das outras, pode formar a sua própria orientação mais próxima."

Se analisarmos a coisa ainda mais de perto, continua ele, cada célula hexagonal está coberta de altinhos à escala do nanómetro. "Parece realmente como se existisse contacto directo com a superfície, ou seja, estamos mesmo a obter fricção."

 

Para vermos de que forma isto pode ocorrer mesmo quando a película líquida está presente, a equipa mediu a espessura do muco e descobriram que esta não ultrapassava 1-100 nm, muito menos do esperado.

Com esta espessura, explica Barnes, o contacto directo ainda pode ocorrer. O muco também se mostrou bem menos viscoso do que se estimava.

"Descobrimos que o fluido é apenas 1,6 vezes mais viscoso que a água, o que o torna muito aquoso, pois há xaropes milhares de vezes mais viscosos que a água", diz Barnes.

Esta descoberta acrescenta peso, continua ele, à ideia de que a fricção é causada pelo contacto directo e não pela viscosidade, sendo essa a real causa para as rãs se conseguirem agarrar a superfícies lisas. Até porque o muco muito viscoso tornaria muito difícil às rãs saltar.

O trabalho com as rãs das árvores pode ajudar os engenheiros a desenvolver novos dispositivos anti-derrapagem, como pneus para tempo de chuva. Mas Barnes acrescenta uma nota de caução: "Existe um problema importante, o da escala. Os automóveis são bem maiores que as rãs das árvores, e o que encontramos ao nível microscópico não é garantido que funcione macroscopicamente."

 

 

Saber mais:

Interface

Gecko's amazing sticky feet

 

 

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