2006-05-30

Subject: Gases de efeito de estufa originam mais trepadeiras venenosas

 

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Gases de efeito de estufa originam mais trepadeiras venenosas

 

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As florestas podem ficar cheias de mais variedades de hera venenosa e de outras trepadeiras perigosas, graças aos níveis crescentes de dióxido de carbono.

Esta estranha conclusão foi retirada da investigação de uma equipa americana, que demonstrou que os níveis de CO2 esperados para os próximos 50 anos vão originar urtigas que crescem duas vezes mais depressa e, inesperadamente, que produzem uma forma bem mais potente de veneno. "Será muito mais perigoso ir passear para a floresta", diz a líder da equipa Jacqueline Mohan do Marine Biological Laboratory em Woods Hole, Massachusetts.

A hera venenosa Toxicodendron radicans, que cresce até ao tamanho de um arbusto ou como uma trepadeira, já é uma praga para os jardineiros e para os amantes dos passeios no campo por toda a América do norte devido à dolorosa irritação de pele que provoca. A planta produz uma toxina gordurosa designada urushiol nas suas folhas.

No estudo agora conhecido, Mohan bombeou CO2 em maior quantidade sobre três áreas circulares na floresta de pinheiros da Carolina do Norte. Durante seis anos as plantas dessas zonas foram expostas a mais 200 partes por milhão de CO2 para além da actual concentração atmosférica de cerca de 380 partes por milhão, mais ou menos o que se pode esperar da poluição em meados desde século.

Outras pesquisas já tinham sugerido que as trepadeiras venenosas tendem a crescer particularmente depressa em resposta a altas concentrações de CO2 e que já estão a aumentar a sua abundância por todo o planeta. Ao contrário das árvores que usam o carbono extra para criar mais madeira, as trepadeiras utilizam-no para produzir mais folhas. As folhas extra ajudam a planta a recolher ainda mais CO2, reforçando o ciclo e levando as trepadeiras a expandir-se.

A experiência de Mohan tentou verificar se as plantas também se expandem na natureza, tal como tinha acontecido em experiências em estufa. "A resposta é sim, de forma dramática." As trepadeiras venenosas cresceram duas vezes mais que quando estão expostas a níveis normais de CO2, enquanto as espécies lenhosas tendem a crescer apenas 31% mais depressa. O níveis superiores de CO2 também criaram uma versão mais perigosa do veneno urushiol, demonstrou o estudo.

 

O urushiol é um composto de vários tipos de lípidos. Uma variedade menos venenosa destas gorduras é saturada, ou seja, todas as ligações dos átomos de carbono a outros átomos de carbono são simples, mas a maioria das gorduras do urushiol são insaturadas, contendo mais de uma ligação química entre carbonos e menos hidrogénio, sendo consideradas as mais irritantes para a pele.

Extraindo o urushiol das folhas das plantas, os investigadores descobriram que a hera venenosa que cresceu em taxas elevadas de CO2 tinha um veneno mais de 150% mais perigoso, uma forma insaturada de urushiol e cerca de 60% menos da forma benigna, saturada.

Os investigadores não têm a certeza qual a causa desta alteração química mas uma ideia é que a disponibilidade acrescida de carbono de alguma forma favorece as reacções químicas que produzem as formas insaturadas de urushiol.

A hera venenosa causa o que se estima serem 350 mil casos conhecidos de alergias cutâneas todos os anos, só nos Estados Unidos. Cerca de 80% das pessoas reagem à toxina e de uma forma mais intensa se a exposição for demorada. "Tenho colegas que são tão alérgicos que o seu dermatologista lhes aconselhou a mudar de profissão", diz Mohan.

A subida do nível de CO2 também pode aumentar o crescimento de outras trepadeiras venenosas do género Toxicodendron que existem noutras partes do mundo, diz Mohan. "As florestas do futuro podem ser dominadas por espécies bem diferentes das que conhecemos actualmente."

 

 

Saber mais:

Experiência FACE da Universidade de Duke

 

 

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