2006-05-25

Subject: Ratos mutantes desafiam as regras da hereditariedade

 

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Ratos mutantes desafiam as regras da hereditariedade

 

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Numa descoberta que deita abaixo todas as regras dos livros de genética, investigadores franceses mostraram que o RNA pode ser capaz de transferir informação de uma geração de ratos para a seguinte.

Há muito que o DNA recebe o crédito de transferir a informação genética de pais para filhos. O espermatozóide e o óvulo levam esse DNA até ao embrião, onde vai determinar a grande maioria das nossas características e personalidade.

O novo estudo agora dado a conhecer na revista Nature coloca o RNA na ribalta. Sugere que os espermatozóides e os óvulos de mamíferos, provavelmente incluindo os humanos, podem transportar uma carga de moléculas de RNA para o embrião, e que estas podem alterar as características dessa, e de outras, gerações subsequentes.

"É uma possibilidade muito entusiasmante", diz Emma Whitelaw que estuda os padrões de hereditariedade no Queensland Institute of Medical Research em Brisbane, Austrália. "O DNA não é, de certeza, tudo o que herdamos dos nossos pais."

Minoo Rassoulzadegan e a sua equipa estavam a estudar uma estirpe de ratos com uma mutação no gene Kit, que produz manchas brancas de pêlo nas caudas e patas de ratos cinzentos ou castanhos.

A equipa descobriu algo estranho e quando cruzaram dois ratos, cada um transportando uma cópia normal do gene Kit e uma forma mutada, verificaram que a maioria dos ratos herdava as duas cópias normais inexplicavelmente ainda apresentavam a ponta da cauda branca. Parecia que tinham ignorado a ordem do DNA presente nos seus genes Kit normais.

A equipa descobriu pistas de que o RNA poderia ser o responsável por este estranho fenómeno. Convencionalmente, o RNA é considerado como um intermediário entre o DNA e as proteínas mas o gene Kit mutante produz grande quantidade de moléculas de RNA de tamanho invulgar, que se acumula nos espermatozóides. Quando a equipa extraiu o RNA de células mutantes e o injectou zigotos com genes Kit normais, surgiram manchas brancas.

A questão premente agora é se este fenómeno estará a acontecer a todo o momento em outros organismos, incluindo no Homem, e nos tem passado completamente ao lado. "Estamos convencidos que é um fenómeno geral", diz Francois Cuzin, membro da equipa da Inserm em Nice, França.

Este modo de hereditariedade pode ter objectivos úteis. Uma planta, por exemplo, pode adaptar-se a uma seca durante o seu tempo de vida desligando a actividade de um gene e passando a informação através de RNA, em vez de desenvolver uma mutação no DNA. Se a característica se revelar inútil após algumas gerações, quando as condições se alterarem, a situação é fácil de reverter.

 

Os investigadores já conhecem esse tipo de fenómeno em plantas, onde se designa paramutação, há perto de 90 anos. No trigo, por exemplo, um gene perfeitamente normal de pigmentação pode actuar como se fosse mutado, simplesmente porque um dos progenitores da planta apresentava uma versão mutada.

"Pensava-se que se tratava de um comportamento relativamente obscuro e raro", comenta Vicki Chandler, que estuda paramutação na Universidade do Arizona, Tucson. Mas ela própria refere que tem provas de que a paramutação em plantas pode ser causada por herança de RNA.

Outras pistas muito interessantes de que o RNA pode ser herdado têm surgido nos últimos tempos. No ano passado, por exemplo, um estudo mostrou que algumas plantas rescrevem o seu DNA de forma a igualar a sequência dos seus avós. Na altura, os autores sugeriram que um conjunto de moléculas de RNA poderiam estar a ser passadas de geração em geração, juntamente com o DNA, e que de alguma forma eram usadas como molde para rescrever o código do DNA.

O novo estudo é o mais convincente corpo de evidências até à data de que este fenómeno também está a acontecer em mamíferos, e talvez em pessoas. Os investigadores descobriram RNA acumulado em espermatozóides humanos e um estudo de 1997 mostrou que o risco de desenvolver diabetes era determinado em parte pela presença de um certa região genética no pai, independentemente de essa região ser realmente herdada ou não.

 

 

Saber mais:

Nature

Inserm

University of Nice-Sophia Antipolis

 

 

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