2006-05-24

Subject: A fórmula da felicidade

 

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Em destaque:

A fórmula da felicidade

 

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Desde o início dos tempos que a Humanidade busca atalhos no caminho para a felicidade. Desde muito cedo que os primeiros humanos usavam drogas psicóticas e o álcool é conhecido desde a idade da pedra. As drogas químicas actuais prometem o êxtase num comprimido e agora os neurocientistas estão a tentar manipular a felicidade directamente no cérebro.

Já nos anos 50 e  60 do século passado, uma série de experiências permitiu aos psicólogos localizar as zonas do prazer no cérebro de ratos e de humanos. 

Em 1954 Peter Milner e James Olds realizaram uma série de experiências radicais em ratos. Implantaram eléctrodos no cérebro de ratos e descobriram que ao estimular electricamente os cérebros dos animais os ratos pareciam experimentar prazer e um quase êxtase por vezes.

Os ratos podiam pressionar uma alavanca que provocava uma descarga eléctrica no seu cérebro e descobriu-se que os animais desempenhavam tarefas complexas para receber uma nova dose de estimulação, pressionando a alavanca até 2000 vezes por hora, esquecendo-se de se alimentar ou beber.

Olds e Milner concluíram que tinham descoberto a zona do cérebro responsável pela recompensa.

Na década de 60, o psiquiatra Robert Heath da Universidade de Tulane em Nova Orleães optou por usar o mesmo tipo de estimulação profunda do cérebro em humanos. 

Ele realizou uma série de experiências onde colocava eléctrodos no cérebro dos pacientes. Bob Heath esperava curar a depressão, a dor e a dependência mas, de forma altamente controversa, também fez experiências com homossexuais.

Quando um choque fraco era administrado aos pacientes eles sentiam-se bem e quando lhes era permitido controlar a frequência dos choques, premiam os comandos até 1000 vezes. Mas o prazer parava quando a corrente deixava de ser administrada, levando Heath a abandonar o seu estudo.

Nos últimos anos o interesse na estimulação profunda do cérebro foi adoptada pela medicina convencional como forma de ajudar os pacientes com Parkinson e como forma de controlar a dor crónica.

Podem estas situações ser uma ideia para o futuro? Morten Kringelbach, neurocientista da Universidade de Oxford pensa que ainda temos muito caminho a percorrer.

 

"A perspectiva de colocar um eléctrodo no cérebro de uma pessoa e alterar permanentemente o seu estado de felicidade não me parece muito realista, teremos que realmente alterar as circunstâncias em que as pessoas se encontram."

Kringelbach considera possível criar artificialmente sensação de prazer mas a prioridade deve ser aliviar a dor e a depressão. 

Os filmes e a literatura sempre têm transmitido, no entanto, a ideia de que a felicidade artificial é algo sinistro. Nos anos 30 do século passado, Aldous Huxley escreveu sobre a questão no seu livro "Brave New World" e a ideia também é explorada nos filmes da série The Matrix.

Na sondagem da felicidade, realizada pela BBC, foi perguntado às pessoas se seriam capazes de tomar comprimidos para ficarem felizes, se não existissem efeitos secundários e três em cada quatro pessoas recusaram.

O psicólogo Ed Diener é contra a utilização de caminhos alternativos para a felicidade. "Não queremos criar uma sociedade que apenas é feliz porque toma qualquer tipo de droga. Queremos pessoas com sistemas emocionais funcionais, sistemas que reajam quando quando acontecem coisas, sejam elas boas ou más."

A mesma ideia é transmitida por Paul Salovskis, psicólogo clínico do King's College London. "A utilização de drogas como solução para a infelicidade é muito parecida com a cirurgia plástica como cura para os problemas físicos. Podemos ter uma solução de curto prazo no horizonte mas nada é definitivo."

 

 

Saber mais:

Resultados da sondagem da felicidade (PDF 1 MB)

Descubra se é feliz

Oxford Functional Neurosurgery

 

 

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