2006-05-23

Subject: Revelada a ferocidade de vírus das ilhas do Índico

 

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Revelada a ferocidade de vírus das ilhas do Índico

 

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Os cientistas descobriram pistas sobre a forma como um vírus pouco conhecido está a deixar incapacitados centenas de milhar de habitantes das ilhas do oceano Índico, num surto que ameaça espalhar-se para o resto do mundo. Parece que o vírus apresenta uma alteração genética que o torna mais eficiente na infecção de mosquitos, que depois o transportam de pessoa para pessoa.

O vírus chikungunya já infectou cerca de um terço da população (cerca de 250 mil pessoas) da ilha francesa de Réunion desde o início de 2005. Também já atingiu as ilhas vizinhas das Maurícias, Seychelles, Madagáscar e Mayotte, para além de já ter sido detectado na Índia.

O surto parece ser mais severo do que as anteriores aparições do chikungunya em África e na Ásia: espalhou-se como fogo na palha, infectando o sistema nervoso das pessoas e chegando mesmo a ser fatal para algumas das suas vítimas. A febre por ele causada ataca tão depressa que "está-se a conduzir o carro e de repente tem que se parar", explica Sylvain Brisse do Instituto Pasteur em Paris.

Agora, Brisse e a sua equipa revelaram alguns aspectos cruciais da composição genética do vírus que podem explicar a sua recém-conhecida ferocidade.

A equipa decifrou a sequência genética de seis amostras de vírus chikungunya retiradas e pacientes ao longo da duração do surto, e deu especial atenção a uma proteína crucial da cápsula viral de outros 121 pacientes.

As sequências sugerem que o vírus é mais parecido com as estirpes encontradas em África, o que indica que terá sido essa a sua origem. A análise também revelou que o vírus adquiriu uma alteração na sequência genética que altera a estrutura da proteína da cápsula viral durante o curso deste surto. Este facto pode ajudar o vírus a invadir e multiplicar-se com maior facilidade nas células de mosquito, diz Brisse, de forma a que o insecto o espalhe mais rapidamente do sangue de uma pessoa para outra.

Os investigadores também descobriram três alterações na proteína que já estavam presentes num vírus que tinha infectado com sucesso o sistema nervoso de um paciente mas que não existiam noutras estirpes. Estas diferenças podem ajudar o vírus a atacar com maior intensidade o Homem, apesar de não ser clara a forma como o faz.

É possível que os ilhéus sejam afectados gravemente simplesmente porque nunca estiveram expostos a esta estirpe anteriormente, logo não têm nenhuma imunidade natural. "Não me parece que alguém saiba porque este surto foi tão explosivo", diz Stephen Higgs que estuda o vírus chikungunya na Universidade do Texas em Galveston.

O trabalho de Brisse, apresentado na última edição da revista PLoS Medicine, é parte de um conjunto de novas pesquisas iniciadas pelo governo francês num esforço para compreender o como e o porquê para este rápido alastramento da febre de Chikungunya.

 

Até agora, o vírus chikungunya e os seus primos foram estudados apenas por um punhado de cientistas. "Há aquela perspectiva de que se não mata pessoas não é importante", diz Scott Weaver, que estuda esta família de vírus, também na Universidade do Texas.

Mas os cientistas alertam que o real risco de alastramento deste vírus para populações susceptíveis na Europa ou nas Américas, talvez transportado por turistas durante as primeiras fases da infecção. Alguns casos já foram detectados na Europa. "Provavelmente é apenas uma questão de tempo", avisa Weaver. "Pode florescer e causar uma verdadeira epidemia."

O primeiro surto do vírus chikungunya e da febre por ele causada foi detectado em 1952. A sua designação é a expressão swahili para "aqueles que se dobram", referindo-se à postura inclinada dos que sofrem com a doença.

Pensa-se que cause surtos esporádicos em África e na Ásia mas os casos nunca tinham sido documentados com o devido cuidado até agora e muitos casos podem estar erradamente diagnosticados como febre de dengue, considera Weaver. Não existe tratamento conhecido para a doença e apenas há uma vacina experimental. Os analgésicos apenas dão algum alívio aos pacientes.

O vírus chikungunya vem somar-se a uma lista crescente de vírus pouco conhecidos que têm despertado atenções nos últimos anos, como o ébola, o Marburg e o vírus da pneumonia atípica, provavelmente devido à melhoria das condições de diagnóstico e de comunicação. "Há, sem dúvida, um vasto número de vírus que infectam o Homem regularmente e que passam despercebidos", diz Weaver.

 

 

Saber mais:

Observatoire Régional de la Santé de La Réunion

Organização Mundial de Saúde

Comportamento do vírus Marburg espanta cientistas

Vírus gigante merece designação de "ser vivo"

Vírus da pneumonia atípica é uma mistura

 

 

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