2006-05-17

Subject: Ancestrais humanos e chimpanzés podem ter-se cruzado

 

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Ancestrais humanos e chimpanzés podem ter-se cruzado

 

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A separação evolutiva entre os humanos e os nossos primos mais próximos do ponto de vista evolutivo, os chimpanzés, pode ter ocorrido mais recentemente do que antes se considerava, de acordo com uma nova comparação dos respectivos genomas destas espécies.

Para além disso, a separação pode ter sido um divórcio litigioso e não uma separação a bem, o que nos conduz a uma controversa teoria que considera que os ancestrais das duas espécies podem ter-se cruzado muitos anos depois da primeira separação das respectivas linhagens.

A descoberta também lança a dúvida sobre o estatuto dos fósseis que se pensava representarem o início do ramo humano da árvore evolutiva e que agora podem ter que ser reclassificados como tendo origem numa época anterior à nossa separação dos restantes grandes símios.

Estimativas anteriores colocam a separação há 7 milhões de anos, o que significa que o Toumaï, um fóssil com pelo menos 6,5 milhões de anos encontrado no Chad e classificado como Sahelanthropus tchadensis, foi apresentado como o membro mais antigo conhecido do ramo que originou o Homem moderno.

Mas os investigadores liderados por David Reich da Escola de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, calculam agora que a separação terá ocorrido no máximo há 6,3 milhões de anos e possivelmente tão recentemente como há 5,4 milhões de anos, tornando o fóssil Toumaï anterior à separação.

Os investigadores baseiam a sua teoria na comparação, com um detalhe sem precedentes, do genoma do Homem, dos chimpanzés, dos gorilas e de outros primatas. Analisando as diferenças entre o DNA das diferentes espécies, puderam estimar o momento em primeiro divergiram.

Mas a história não é simples, explica Reich no seu estudo publicado na revista Nature. Diferentes secções do genoma diferem em proporções variáveis, sugerindo que se separaram em momentos diferentes. O período de divórcio entre as duas espécies, sugerem os dados, pode ter demorado um milhão de anos.

A região que apresenta maior semelhança é o cromossoma X, exactamente o que seria de esperar se as duas linhagens tivessem continuado a reproduzir-se entre si após o primeiro momento de divergência.

 

O cromossoma X, um dos cromossomas sexuais, alberga muitos dos genes que controlam a fertilidade, explica Reich. Assim, duas espécies que possam acasalar entre si deverão ter cromossomas X semelhantes e a selecção natural impediria que este cromossoma divergisse durante todo o período de hibridação.

Se tal população híbrida realmente existiu, a questão continua a ser se acabou por se extinguir ou os humanos modernos ou os chimpanzés (ou ambos) são os seus descendentes. É muito difícil dizer, admite Reich. "Os dados do registo fóssil sugerem, de forma muito ténue, que podem existir humanos descendentes da população híbrida."

Por alguma razão, os fósseis semelhantes ao Homem são muito mais numerosos que os semelhantes aos chimpanzés, tornando difícil verificar exactamente quem dormia com quem na altura.

Mas então onde fica o fóssil Toumaï no meio desta situação? Pode estar localizado num período evolutivo entre a separação inicial e a subsequente hibridação, sugere Reich, ou pode ter vivido nessa altura e não ter estado envolvido nas relações carnais interspecíficas. Reich considera que mais estudos sobre fósseis e tipos de desenvolvimento serão necessários para resolver esta questão.

 

 

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