2006-05-08

Subject: Aquecimento global enfraquece ventos do Pacífico

 

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Aquecimento global enfraquece ventos do Pacífico

 

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As alterações climáticas estão a enfraquecer um vasto sistema de ventos circulantes que atravessam o oceano Pacífico de costa a costa, dizem os peritos do clima. O aquecimento global está a levar a que o sistema, crucial para as chuvas da monção na Ásia e para as pescas na América do Sul, esteja em declínio desde a chegada da industrialização.

O sistema, conhecido por circulação Walker, enfraqueceu mais de 3% desde meados do século XIX, revelaram os peritos em modelos climáticos liderados por Gabriel Vecchi da National Oceanic and Atmospheric Administration de Princeton, Nova Jérsia. A causa, dizem eles, são os gases de efeito de estufa e com a contínua subida da sua emissão, os ventos do Pacífico podem reduzir-se mais 10% até ao final do século.

As observações, relatadas na revista Nature, apoiam as predições de modelos climáticos, diz Vecchi. "Esta é uma das predições mais robustas na investigação climática", diz ele.

As variações na circulação Walker são um dos factores que causam os eventos conhecidos por El Niño. Estes eventos periódicos, onde há um enfraquecimento dos ventos de leste que sopram das Américas para o sudeste asiático, têm numerosos efeitos, desde secas na Indonésia a pescas reduzidas no Chile.

As flutuações climáticas a curto prazo dão origem a eventos El Niño com espaços de alguns anos mas um enfraquecimento generalizado do sistema Walker pode levar a um aumento da severidade ou da frequência desses eventos e alguns peritos temem que o Pacífico possa ser mergulhado num El Niño permanente.

Clique para ver o gráfico da circulação WalkerO aquecimento global pode perturbar os ventos pois a taxa de evaporação dos oceanos aumenta mais rapidamente com a subida das temperaturas do ar do que a precipitação. Geralmente, na circulação Walker, a água evapora a partir das águas quentes do Pacífico leste e viaja com o vento até ao sudeste asiático, onde sobe e vai alimentar as chuvas. O ar seco segue depois novamente para leste a maior altitude, completando o ciclo.

Mas com a subida de temperatura, o aumento da precipitação não consegue acompanhar a maior evaporação, o que significa que o ar húmido fica estagnado e os ventos em ambas as direcções enfraquecem.

 

Vecchi e os seus colegas estudaram registos da pressão atmosférica ao nível do mar de 1861 a 1992. Como os ventos são conduzidos por diferenças de pressão atmosférica, a diferença entre a pressão dos dois lados do Pacífico indica a força do vento. Os dados mostram um declínio nos ventos de cerca de 3%, descobriram eles, com a tendência mais marcada nos últimos 50 anos.

Também utilizaram modelos climáticos de computador para simular a performance passada e futura da circulação Walker, ajudando a decidir que parte do efeito é devida às emissões humanas de gases de efeito de estufa. A resposta, diz Vecchi, é basicamente "todo". "Pelo menos 80% deste efeito é atribuível às actividades humanas", diz ele.

Quando os investigadores correram o modelo sem incluírem os factores humanos, como as emissões industriais de gases de efeito de estufa, a alteração da força do vento praticamente desapareceu. "Ao longo dos últimos 140 anos não teria ocorrido nenhuma alteração ou tendência para enfraquecimento", diz Vecchi.

Não é claro exactamente de que forma esta alteração na circulação Walker irá afectar os padrões El Niño, pois o enfraquecimento dos ventos é tanto uma causa como um efeito neste tipo de evento climático, diz Mick Kelly, investigador da Climate Research Unit da Universidade de East Anglia em Norwich. "Não podemos separar a galinha do ovo", diz ele.

Modelos usados no laboratório de Kelly previram efeitos ligeiramente mais subtis na circulação Walker, como alterações nas zonas que sofrerão as secas e as inundações mais fortes. Todas as vilas costeiras vulneráveis a inundações e as comunidades que dependem das pescas devem preparar-se para estas alterações, diz Kelly. "De momento não temos confiança suficiente em nenhuma projecção de um único modelo mas não nos podemos dar ao luxo de esperar até que a ciência esteja totalmente certa, aí será demasiado tarde."

 

 

Saber mais:

National Oceanic and Atmospheric Administration

 

 

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