2006-05-04

Subject: Falta de oxigénio causa alterações de sexo em peixes

 

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Falta de oxigénio causa alterações de sexo em peixes

 

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As "zonas mortas" aquáticas, áreas sem oxigénio que se encontram em todos corpos de água do mundo, não estão apenas a sufocar a vida marinha mas também podem estar a transformar os peixes fêmea em peixes macho.

Existem cerca de 150 zonas mortas de dimensão significativa em todo o mundo, de acordo com o mais recente relatório das Nações Unidas. A mais conhecida está no Golfo do México e tem cerca de 20 mil quilómetros quadrados.

A privação de oxigénio pode ser causada por água doce de rios que permaneça sobre a água salgada mais densa, impedindo que o ar alcance as águas mais profundas. No entanto, a causa mais importante são as escorrências de fertilizantes agrícolas e de resíduos de combustíveis. O azoto e o fósforo destes compostos causam surtos populacionais de algas e de fitoplâncton, que quando morrem são decompostos por bactérias consumidoras de oxigénio, que desaparece das águas.

Essas áreas são zonas problemáticas bem conhecidas para a sobrevivência da vida aquática mas agora parece que a falta de oxigénio está a ter outro e inesperado efeito: está a afectar as hormonas sexuais dos peixes. "O problema é muito maior do que pensávamos", diz o ecotoxicólogo Rudolf Wu da City University em Hong Kong, China.

É bem sabido que algumas espécies de peixes, répteis como os aligátores e outros animais, podem alterar o seu sexo, o seu desenvolvimento depende não apenas dos seus genes mas também do seu ambiente. Mas esta situação tem sido associada anteriormente a factores como a acidez, temperatura ou químicos na água, nunca à hipóxia.

Wu mostrou que os peixes-zebra criados durante 120 dias num ambiente privado de oxigénio apresentavam cerca de 75% de machos, comparados com os cerca de 60% em águas com um conteúdo normal de oxigénio.

Após o nascimento, todos os peixes-zebra atravessam uma etapa em que as suas gónadas se parecem com ovários, explica Wu. Depois, entre os 10 dias e o mês de vida, os genes do peixe-zebra e o ambiente alterarão a sua produção hormonal, ajudando a determinar o sexo. Parece que a hipóxia pode alterar a expressão dos genes dos peixes, diz Wu, logo alterar a taxa de produção de hormonas.

 

Wu analisou algumas das enzimas chave envolvidas na síntese de hormonas para perceber o que se estava a passar. As enzimas envolvidas na conversão de testosterona em estrogénio, conhecidas por aromatases, eram menos abundantes nos peixes jovens em hipóxia, levando a níveis mais elevados de testosterona e a uma proporção superior de machos.

Wu considera que há razão para suspeitar que a hipóxia pode ter efeitos semelhantes nas hormonas sexuais dos humanos. Alguns estudos já mostraram que pessoas expostas a níveis baixos de oxigénio, como os que vivem em altitude ou os que sofrem de apneia do sono, apresentam níveis diferentes de hormonas sexuais do que os expostos a níveis normais de oxigénio.

"Certamente é causa de preocupação e algo que necessita de ser seguido com cuidado", diz o endocrinologista de peixes Peter Thomas da Universidade do Texas em Austin. Thomas diz que encontrou situações semelhantes noutras espécies do Golfo do México, embora ainda não tenha publicado os seus resultados.

Wu espera prolongar as suas observações para as regiões de hipóxia na terreno e determinar com mais rigor o mecanismo exacto em como isto acontece.

 

 

Saber mais:

NOAA's Gulf of Mexico Hypoxia Assessment

Rudolf Wu's Lab Page

UN's Global Environment Outlook Year Book 2003

 

 

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