2006-05-03

Subject: Mais espécies deslizam em direcção à extinção

 

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Mais espécies deslizam em direcção à extinção

 

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Polar bears.  Image: Robert & Carolyn Buchanan Os ursos polares e os hipopótamos estão pela primeira vez listados como espécies ameaçadas de extinção pela agência mundial de controlo da biodiversidade. Estas espécies estão incluídas na Red List of Threatened Species publicada pela World Conservation Union (IUCN) que lista mais de 16 mil espécies em risco, entre elas muitos tubarões e peixes de água doce europeus e africanos.

A IUCN refere que a perda de biodiversidade está a acelerar apesar da convenção global que vincula os governos na sua protecção. "A Red List de 2006 mostra uma tendência clara: a perda de biodiversidade está a aumentar e não a diminuir", diz o director-geral da IUCN Achim Steiner. "As implicações desta tendência para a produtividade e resistência dos ecossistemas, bem como para o modo de vida de biliões de pessoas que deles dependem são imensas."

Ao todo, 16119 espécies estão incluídas na Red List deste ano, o senso mais detalhado e fiável da saúde geral dos reinos Animal, Vegetal e dos Fungos. Isto representa mais de um terço do número total de espécies analisadas, a lista inclui um em cada três anfíbios, um quarto das coníferas e um em cada quatro mamíferos.

"Quanto mais espécies avaliamos mais espécies ameaçadas encontramos", comenta Jean-Christophe Vie, coordenador-assistente do programa para as espécies da IUCN. "E como é um esforço imenso avaliar uma espécie, para recolher toda a informação necessária, ouvir todos os peritos e por aí fora, 16 mil é um número vastamente inferior ao real problema que enfrentamos."

Os ursos polares são particularmente afectados pela perda de gelo árctico, situação que a IUCN atribui às alterações climáticas. Estes animais precisam de gelo flutuante para caçar focas e sem ele as suas fontes alimentares entram em declínio. Também existem evidências de que as cavernas na neve onde criam os filhotes estão cada vez a descongelar mais cedo.

Os ursos polares são listados como Vulneráveis à Extinção com base em previsões de que o seu efectivo populacional irá decair entre 50% a 100% nos próximos 50 a 100 anos.

@ WWF-Canon/Martin HarveyNos trópicos, os vulgares hipopótamos entraram para a Red List pela primeira vez devido ao espectacular declínio da sua população na República Democrática do Congo, cerca de 95% numa década. A turbulenta situação política do país permitiu a caça desrregulamentada pela sua carne e marfim. 

O declínio do hipopótamo vulgar no Congo levou à sua listagem como Vulnerável apesar de outras populações africanas, incluindo a maior, na Zâmbia, se terem mantido estáveis. O muito menos conhecido hipopótamo pigmeu tem sido igualmente afectado pelo abate ilegal da floresta e por falta de protecção legal em muitas nações da África ocidental, tendo visto o seu estatuto elevado de Vulnerável a Ameaçado.

@ Rachel T GrahamPela primeira vez, a Red List deste ano inclui uma avaliação exaustiva região a região de alguns grupos de animais marinhos, mostrando que os tubarões e as raias estão a desaparecer a uma taxa sem precedentes por todo o globo. Cerca de 20% das 547 espécies analisadas mereceram inclusão na Red List.

Alguns destes são peixes em tempos vulgares nos pratos europeus. O tubarão-anjo foi declarado Extinto no Mar do Norte e Criticamente Ameaçado a nível global, enquanto o estatuto da vulgar raia também foi actualizado para Criticamente Ameaçado.

 

A IUCN considera que com as pescas a expandirem-se para águas mais profundas de modo geral mal reguladas, as populações de muitas espécies vão decair drasticamente. "A situação desesperada em se encontram muitos tubarões e raias é apenas o topo do icebergue", diz Craig Hilton-Taylor da IUCN Red List Unit. "É crítico que sejam tomadas medidas para melhorar grandemente as práticas pesqueiras e as técnicas de gestão dos stocks, bem como a implementação de medidas de conservação, como áreas de restrição às pescas, regras de diâmetro da malha e quotas internacionais de capturas, antes que seja tarde demais."

No Mediterrâneo, os peixes de água doce estão a aguentar-se bem pior que os seus colegas marinhos. Cinquenta e seis por cento das 252 espécies endémicas do Mediterrâneo estão ameaçadas de extinção, enquanto na África oriental um quarto dos peixes de água doce estão em risco, o que pode ter importantes consequências para uma população humana altamente dependente da proteína de peixe.

@ Chris Gomersall, RSPB ImagesMas nem tudo é trágico e futuro sombrio. A nota optimista é que o número total de espécies nesta Red List não é significativamente maior que o da última edição, publicada em Novembro de 2004, onde estavam listadas 15589 espécies em risco. Também o número de espécies que se pensa terem-se extinguido nos últimos 500 anos não se alterou, um reflexo do facto de os esforços conservacionistas se intensificarem à medida que o perigo se aproxima.

A IUCN salienta alguns sucessos de conservação entre as bem mais frequentes histórias de desaparecimento em direcção ao esquecimento. O número de águias de cauda branca tem subido a pique em muitos países europeus e o estatuto desta ave passou de Quase Ameaçada a Baixa Preocupação.

Uma decisão recente do governo indiano para descontinuar a utilização de uma droga veterinária que vinha a envenenar o abutre vulgar, levando a quebras de efectivo da ordem dos 97%, também é citada como uma medida simples que pode levar a grandes sucessos.

Ainda assim, a mensagem de fundo é que a biodiversidade continua a diminuir, apesar da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade que vincula os governos a inverter esta tendência até 2010.

Jean-Christophe Vie acredita que há um grande fosso entre o que os governos estão a prometer e as acções que levam a cabo. "Tudo o que vemos mostra que não há acções", diz ele, "e há muito pouca hipótese de se atingir esse objectivo a não ser que haja uma alteração drástica e os governos decidam atacar a raiz da questão da extinção das espécies."

 

 

Saber mais:

IUCN - the World Conservation Union

The Red List

Biodiversidade está a desaparecer

Hipopótamos estão a desaparecer de lagos africanos

Alerta de extinção para 800 espécies

 

 

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