2006-04-10

Subject: Aves antárcticas nidificam cada vez mais tarde

 

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Aves antárcticas nidificam cada vez mais tarde

 

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As aves antárcticas podem estar a nidificar mais tarde em resposta às alterações climáticas, revela um estudo agora publicado. Investigadores franceses analisaram registos desde 1950 e pensam que o atraso na nidificação está associado a alterações no gelo marinho da zona leste da Antárctida.

As espécies de aves estão a chegar às suas colónias de nidificação em média nove dias depois e a pôr os ovos em média dois dias mais tarde do que faziam na década de 50 do século passado.

Os investigadores descobriram que a Primavera e seus acontecimentos associados, como a chegada de aves migradoras e o florescer das plantas, têm vindo a sofrer uma antecipação, no hemisfério norte, ao longo do século XX e início do século XXI, mas existe muito pouca informação em relação ao hemisfério sul.

Christophe Barbraud e Henri Weimerskirch do Centre d'Etudes Biologiques de Chize em Villiers en Bois, França, analisaram agora o único registo de longo prazo sobre a chegada e data de postura dos ovos de todas as espécies de aves marinhas que nidificam na Antárctida continental.

Os dados existentes sobre nove espécies de aves foram recolhidos por ornitólogos na estação de investigação antárctica de Dumont d'Urville entre 1950 e 2004.

Ao longo deste período de tempo, quatro espécies mostraram uma nítida tendência para chegar mais tardiamente à Antárctida e duas outras mostram uma nítida tendência para se reproduzirem mais tarde.

A maioria das restantes espécies chegam e reproduzem-se mais tarde mas a tendência não é estatisticamente significativa, pelo menos pelos parâmetros estabelecidos pela equipa francesa.

Este padrão é exactamente o inverso do observado no hemisfério norte. É provável que um hemisfério norte com temperaturas cada vez mais elevadas na Primavera desde meados do século XX tenha aumentado a disponibilidade de alimento. 

Na Antárctida oriental e continental, no entanto, não tem sido observado um aquecimento ou arrefecimento desde o início dos anos 50 do século passado.

 

Neste caso, a redução de 12-20% na extensão do gelo marinho ao longo dos últimos 50 anos tem sido associada ao declínio importante no efectivo de krill e de outros organismos marinhos que são a principal fonte de alimento para as aves marinhas.

Para além disso, a época de gelo marinho tem-se alongado desde a década de 70 do século passado. A demora na quebra do gelo marinho é sabido que atrasa o acesso das aves às suas colónias de nidificação e aos recursos alimentares marinhos.

Estes dois factores reduzem a quantidade e acessibilidade de recursos alimentares disponíveis no início da Primavera, logo as aves necessitam de mais tempo para adquirir as reservas que necessitam para procriar.

"Pensamos que estes factores contribuem para os atrasos observados mas não explicam todos os atrasos observados", comenta Barbraud.

As alterações no gelo marinho explicam apenas 24% da variação dos tempos de chegada e de postura, logo outros factores devem estar a actuar. Barbraud considera que esses factores têm que ser identificados antes de se poder prever de que forma as tendências observadas podem afectar o sucesso reprodutor.

No entanto, se as aves marinhas continuarem a chegar a nidificar cada vez mais tarde, parece provável que os juvenis apenas consigam voar mesmo antes da chegada do Inverno. "Isso significa que teriam que enfrentar condições muito más mesmo antes disso acontecer", explica Barbraud, "teriam menos tempo para aprender como encontrar alimento por si próprios."

 

 

Saber mais:

Proceedings of the National Academy of Sciences

 

 

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