2006-04-07

Subject: O peixe que rastejou para fora da água ...

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

O  peixe que rastejou para fora da água ...

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

Um fóssil crucial que mostra de que forma os animais rastejaram para fora da água em direcção a terra firme, evoluindo de peixe para animal terrestre, foi descoberto no Canadá.

O animal, descrito na última edição da revista Nature, viveu há cerca de 375 milhões de anos no período Devónico e está a ser considerado pelos paleontologistas como um verdadeiro "elo que faltava", pois ajuda a preencher uma falha na nossa compreensão da forma como os peixes desenvolveram patas para a locomoção terrestre, antes da evolução que eventualmente originou o Homem.

Diversas amostras do tetrápode semelhante a peixe baptizado Tiktaalik roseae, foram descobertas por Edward Daeschler da Academy of Natural Sciences de Philadelphia, Pennsylvania, Neil Shubin da Universidade de Chicago no Illinois, Farish Jenkins da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts entre outros.

A equipa descobriu as amostras no delta de um rio na ilha de Ellesmere no Canadá árctico. Estas incluem uma metade dianteira quase completa de um esqueleto fossilizado de um animal semelhante a um crocodilo, com um crânio com perto de 20 cm de comprimento.

O animal tinha escamas e barbatanas ósseas mas as barbatanas frontais estavam em vias de se transformar em membros, pois apresentam a estrutura esquelética interna de uma pata anterior, incluindo cotovelo e pulso, apenas com barbatanas no lugar de dedos claramente definidos. A equipa ainda busca espécimes mais completos para ter uma melhor visão da parte posterior do animal.

Animais com características de peixe e animal terrestre já tinham sido encontradas antes. Os peixes que podem ter começado a "caminhar" em águas rasas são encontrados desde há 385 milhões de anos e peixes com patas com dedos são vistos desde há mais de 365 milhões de anos.

Espécimes que se encaixam no espaço entre essas duas categorias, como o Tiktaalik, ajudam os investigadores a perceber os detalhes da transição. O animal recém-descoberto tem uma estrutura na cabeça que parece uma pequena fenda branquial, talvez prestes a tornar-se um ouvido, por exemplo, e um focinho longo que seria adequado à captura de presas em terra.

 

"O Tiktaalik reduz substancialmente a distância no registo fóssil entre os diversos estádios da transição peixe-tetrápodes", diz Per Ahlberg da Universidade de Uppsala, Suécia. "O Tiktaalik era provavelmente um nadador pouco ágil", diz John Maisey, paleontólogo do American Museum of Natural History em Nova Iorque. Provavelmente vivia em águas rasas, diz Maisey, apenas subindo a terra para escapar a predadores. "Os tetrápodes escaparam à água, mais do que conquistaram a terra."

Daeschler e Shubin partiram à descoberta deste elo desaparecido da cadeia evolutiva dos tetrápodes em 1999. O par resolveu explorar a ilha Ellesmere depois de notarem que estava listada como apresentando rochas devónicas expostas e ainda não exploradas relativamente a fósseis de vertebrados.

A zona remota apenas é alcançável por avião e o clima tão agreste que o trabalho de campo apenas pode ser realizado durante dois meses por cada Verão. Procuraram primeiro vestígios de fósseis vegetais que indicassem a presença de sedimentos do tipo dos deltas fluviais pois "é onde decorreu toda a acção na transição peixe-tetrápode", diz Daeschler.

Por volta de 2000 descobriram fósseis com barbatanas intrigantes nas rochas em erosão. "Em 2004 tivemos o nosso golpe de sorte ao descobrir três crânios parciais e muitas mandíbulas", recorda Daeschler.

Shubin recorda-se de encontrar um apenas por se sentar numa rocha para almoçar. "Olhei para uma parede de rocha e lá estava um focinho de Tiktaalik a olhar para mim. Nem conseguia acreditar nos meus olhos, sabia que o resto do esqueleto estava logo atrás."

 

 

Saber mais:

The Academy of Natural Sciences

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2006


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com