2006-03-30

Subject: Testes de Q.I. reflectem estrutura do cérebro?

 

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Testes de Q.I. reflectem estrutura do cérebro?

 

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Os investigadores dizem que novos e espantosos dados sobre o desenvolvimento do cérebro vêm confirmar a ideia de que o Q.I. é um conceito com significado em neurociência. O estudo agora publicado na revista Nature, sugere que o desempenho em testes de Q.I. está associado a alterações no cérebro durante a adolescência.

Alegações de que o Q.I. é uma medida válida da inteligência tendem a atrair muitas respostas irritadas, em parte devido ao facto de alguns estudos que tentaram associar diferenças de Q.I. com as raças ou os sexos. No seu livro de 1994 The Bell Curve, o cientista político Charles Murray e o psicólogo Richard Herrnstein argumentavam que o estatuto de baixos rendimentos de algumas minorias étnicas americanas estava associado a Q.I. abaixo da média nesses grupos, atribuídos principalmente a factores genéticos.

Antes disso, o entomologista de Harvard Edward Wilson provocou o ultraje com um trabalho onde propunha explicações evolutivas para o comportamento humano e para as diferenças de inteligência. Os críticos consideraram o seu trabalho racista. 

No entanto, os investigadores que estudam o Q.I. dizem que o clima social se está a tornar cada vez mais receptivo a este tipo de estudo, em parte devido ao facto de ser aceite de forma geral que as capacidades cognitivas são moldadas por factores ambientais, bem como genéticos.

O último resultado, de uma equipa liderada por Philip Shaw do National Institute of Mental Health de Bethesda, Maryland, vem juntar-se ao debate ao associar o Q.I. a alterações do cérebro ao longo do tempo, em vez de a atributos fixos como o tamanho. "Não é como se as crianças com cérebros maiores tivessem mais massa cinzenta", diz Shaw. "A história da inteligência está na trajectória do desenvolvimento cerebral."

A equipa de Shaw seguiu um grupo de mais de 300 crianças entre os 6 e os 19 anos, realizando uma série de testes cognitivos. O Q.I. é determinado combinando os resultados de testes de uma série de capacidades verbais e não verbais. A equipa também mediu o tamanho das estruturas cerebrais através de ressonância magnética com intervalos de 2 anos: mais de metade das crianças realizaram pelo menos dois scans e cerca de um terço realizaram três ou mais.

Quando os investigadores dividiram as crianças em três grupos de acordo com o seu Q.I. inicial, notaram um padrão característico de alterações no cérebro do grupo com os valores mais elevados. A espessura do córtex começava mais fina que nos outros grupos mas rapidamente se aprofundava, até se tornar mais espessa que o normal no início da adolescência. Todos os grupos convergiam em espessura do córtex por volta dos 19 anos. O efeito mais notório era no córtex pré-frontal, que controla o planeamento e o raciocínio.

 

O estudo de Shaw coloca questões que merecem novas investigações. O estudo não analisou a causa das alterações na espessura do córtex, embora sugira que tal possa ser devido à formação ou eliminação de ligações entre neurónios. Também não é claro se factores genéticos e ambientais podem contribuir para as alterações.

Também existem questões acerca de se a investigação deveria ter sido realizada em primeiro lugar. 

O Q.I. é uma boa forma de prever o desempenho escolar no no emprego, o que, para certos neurocientistas, torna os factores psicológicos que para ele contribuem mais importantes. "Há boas evidências de imagens funcionais que tarefas muito exigentes activam o córtex pré-frontal e que essa actividade se relaciona com o Q.I.", diz Shaw. 

Mas para muitos outros, o conceito de associar o Q.I. ao intelecto permanece socialmente perigoso e cientificamente duvidoso. Steven Rose, neurocientista da Universidade Aberta em Milton Keynes, Reino Unido, considera que o desempenho em tarefas cognitivas depende de um vasto leque de factores, desde o estado emocional à capacidade de lembrança, tudo aspectos "ignorados pelos testes de Q.I.". 

Ele acrescenta que mesmo como uma forma de prever o desempenho escolar os testes de Q.I. têm sido mal utilizados, servindo mais para criar preconceito do que para ajudar crianças menos capazes. "Não devíamos voltar a usar medidas do início do século passado", conclui ele.

 

 

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