2006-03-27

Subject: Um comprimido para combater o medo?

 

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Um comprimido para combater o medo?

 

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Entra em pânico com a perspectiva de falar em público? Foge em direcção a terreno elevado só com a menção de aranhas? A ajuda pode vir a caminho: os investigadores desenvolveram uma forma de aliviar esses sintomas incapacitantes das fobias.

O tratamento, desenvolvido por uma equipa liderada por investigadores suíços, pode vir um dia a ajudar as pessoas a enfrentar os seus medos simplesmente por tomar um comprimido antes de enfrentar uma situação de stress.

Os investigadores esperam que pode mesmo atingir-se efeitos permanentes, ajudando os fóbicos a enfrentar a desanimadora perspectiva de frequentar terapia em que possam lidar cara a cara com os seus medos.

O remédio contém ma hormona humana designada cortisol, produzida naturalmente pelo corpo em tempos de stress ou medo, como forma de ajudar a reduzir a resposta de pânico. Estudos prévios mostraram que o aumento dos níveis de cortisol nos ajudam a ignorar memórias e emoções penosas, permitindo-nos lidar de forma mais eficiente com situações de stress.

Os investigadores liderados por Dominique de Quervain, da Universidade de Zurique, estudaram se a alteração artificial dos níveis de cortisol poderia ajudar os fóbicos a superar os medos paralisantes que sentem quando enfrentam a fonte da sua ansiedade.

Testaram 40 pessoas com fobias sociais e 20 com medo de aranhas. A metade deles deram cortisol e depois, uma hora depois, forçaram os voluntários a fazer uma apresentação pública, a realizar testes matemáticos de improviso ou a ver uma fotografia gigante de uma aranha. Os participantes que tomaram cortisol relataram terem tido significativamente menos medo, numa escala de 0 a 10, que aqueles que receberam um placebo.

O passo seguinte será repetir o teste com uma amostra maior de pessoas, refere de Quervain, e combinar os resultados com técnicas de comportamento.

 

Os psicólogos não sabem exactamente o que causa as fobias graves, diz de Quervain. Os fóbicos podem ter níveis naturalmente baixos de cortisol, o que significa que da primeira vez que encontram uma aranha, ou enfrentam uma audiência, desenvolvem um medo intenso que se apodera das suas mentes. E se as defesas de cortisol são naturalmente baixas, isto pode impedir que se desenvolvam reacções de não-pânico em exposições subsequentes ao mesmo estímulo.

Tradicionalmente, as fobias severas são tratadas com terapia comportamental, em que o paciente gradualmente enfrenta o seu medo. Um aracnofóbico, por exemplo, pode começar por observar fotografias de aranhas, antes de gradualmente ver ou lidar com os animais reais.

O cortisol pode ajudar as pessoas a ultrapassar os seus medos iniciais quando começam esse tipo de tratamento e aumentar a proporção de pacientes que permanecem nos cursos, sugerem os investigadores. "Talvez eles aprendam mais depressa que o estímulo não é merecedor do medo", diz de Quervain.

A hormona, que tem um vasto leque de efeitos tanto no corpo como no cérebro, já é usada para tratar doenças crónicas como a artrite. Os efeitos secundários da sua utilização diária incluem alterações na pressão sanguínea e no metabolismo, bem como o risco de diabetes. Também se teme que a exposição prolongada a níveis aumentados de cortisol possam afectar a memória a longo prazo.

A dose de cortisol necessária para que alguém ultrapasse as suas fobias deve ser, espera-se, pequena e pouco frequente, mais uma ajuda para o início da terapia do que uma medicação a longo prazo, diz de Quervain. "Nunca se tratara de um comprimido diário, mas pode ser usado em combinação com a terapia comportamental."

 

 

Saber mais:

Proceedings of the National Academy of Sciences

 

 

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