2006-03-23

Subject: Árvores amazónicas crescem mais na estação seca

 

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Árvores amazónicas crescem mais na estação seca

 

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Algumas árvores da floresta tropical húmida da Amazónia crescem mais, não na estação húmida mas na estação seca, descobriram os investigadores. A descoberta salienta a importância da preservação das florestas de crescimento lento, mais antigas, pois estas têm maior resistência à seca.

O efeito apenas ocorre nas florestas tropicais húmidas intocadas, não nas áreas replantadas. Com o abate de árvores a continuar a destruir a floresta, salientam os investigadores, a zona pode tornar-se demasiado seca mesmo para as que mesmo as áreas de floresta intocada possam resistir.

Os investigadores estudaram imagens coloridas de satélite das zonas leste e central da Amazónia, recolhidas ao longo de um período de cinco anos, como forma de analisar a quantidade de vegetação produzida nas diferentes estações e nas diferentes áreas.

Descobriram que muitas áreas de florestas de crescimento lento intactas se tornam mais verdes durante o período seco, que decorre entre julho e Novembro. Os terrenos de pastagem, pelo contrário, estão acastanhados no período seco e crescem mais rapidamente nos meses húmidos.

A maioria dos ecossistemas vegetais, incluindo os agrícolas, crescem mais rapidamente quando a água é abundante mas Huete e os seus colegas pensam que as árvores mais velhas do Amazonas têm raízes que se estendem a profundidades suficientes para que encontrem água mesmo nos meses mais secos, tornando o Sol o factor crucial condicionante da taxa de crescimento.

A descoberta salienta uma característica única das florestas tropicais húmidas como a Amazónia, diz Alfredo Huete da Universidade do Arizona em Tucson, líder do estudo agora publicado na revista Geophysical Research Letters.

Não é claro se este efeito se estende a toda a floresta tropical húmida ou apenas às áreas com o solo mais profundo, comenta o perito em florestas tropicais húmidas Oliver Phillips, da Universidade de Leeds, Reino Unido. Será necessária mais investigação para que se possa verificar se se trata de um fenómeno universal da floresta tropical, diz ele.

O mesmo surto de crescimento de estação seca não parece acontecer em áreas onde apenas existem árvores jovens. "As árvores mais velhas são capazes de fazer algo que a floresta secundária em regeneração não conseguem fazer", diz Phillips.

 

Uma vez desaparecidas as árvores originais, a estrada para a recuperação será muito árdua, explica Huete. "Será um processo lento e delicado pois as raízes das árvores não se irão desenvolver suficientemente rápido para permitir à floresta sobreviver aos períodos de seca", diz ele.

E a floresta enfrenta desafios severos perante a desflorestação. A não ser que se tomem novas acções, perto de 40% do Brasil amazónico estará perdido em 2050, diz Britaldo Silveira Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais em Belo Horizonte.

Ele e a sua equipa argumentam na edição desta semana da revista Nature que as reservas públicas, o principal método de conservação da floresta actualmente, não serão suficientes para impedir a devastação das florestas tropicais húmidas brasileiras. Ele refere que os donos privados de terras terão que ser persuadidos a gerir as suas explorações agrícolas e pecuárias de forma sustentada, cortando apenas as árvores absolutamente necessárias.

À medida que as árvores são abatidas, a floresta vai-se tornando mais seca devido à redução da precipitação. Perto de 70% da floresta tropical húmida amazónica brasileira precisa de ser mantida para que se mantenha o actual regime de precipitação da zona, referem os investigadores.

O crescimento das folhas é um processo importante, não apenas para a própria floresta tropical húmida mas paras o planeta. As árvores em crescimento absorvem dióxido de carbono da atmosfera e convertem-no em novo material vegetal, aprisionando o gás que, de outra forma, iria contribuir para o efeito de estufa.

"Tudo o que perturba o ciclo do carbono num reservatório imenso como a Amazónia é uma preocupação", diz Huete.

 

 

Saber mais:

Geophysical Research Letters

Construtores ameaçam a floresta do Panamá

Insectos são cruciais para a diversidade da floresta tropical

 

 

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