2006-03-20

Subject: Teste clínico trágico revela potência do composto activo

 

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Teste clínico trágico revela potência do composto activo

 

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Os investigadores estão a tentar explicar como um protótipo de medicamento que manipula o sistema imunitário pode ter desencadeado efeitos secundários devastadores nos voluntários de um teste clínico inglês.

O teste surgiu na primeira página dos jornais na semana passada, quando todos os seis pacientes que tomaram um anticorpo experimental ficaram rápida e gravemente doentes. Uma reacção tão extrema em tantos participantes do teste é muito rara, pelo que a agência reguladora dos medicamentos inglesa imediatamente deu por findo o teste e lançou uma investigação.

Não é claro se o problema foi devido a um erro de manufactura, contaminação ou a uma dosagem errada. Também é possível que este primeiro teste apenas revele que somos afectados pela droga de forma diferente da dos restantes animais.

O medicamento, um anticorpo baptizado TGN1412, está a ser desenvolvido pela companhia alemã TeGenero com o objectivo de dirigir o sistema imunitário no combate ao cancro ou para acalmar articulações inflamadas por artrite reumatóide. O anticorpo liga-se a uma molécula receptora designada CD28 da superfície dos linfócitos T.

O objectivo imediato dos investigadores é ajudar os pacientes que sofrem de falência múltipla de órgãos mas salientam que o teste ilustra até que ponto os agentes que alteram o sistema imunitário são potentes. "O sistema imunitário tem um poder extraordinário e temos que ser muito cuidadosos quando lhe mexemos", diz Louis Weiner, que estuda imunoterapia no Fox Chase Cancer Center de Philadelphia, Pennsylvania.

Alguns consideram que o TGN1412, ou outros medicamentos como ele, ainda podem ter utilidade em medicina, se os investigadores conseguirem aprender a dirigir o seu poder. "Seremos capazes de tirar só o bom?", questiona Carl June da Universidade da Pennsylvania, pioneiro no trabalho com o CD28.

A CD28 é uma molécula central no sistema imunitário, logo "o potencial para falharmos o alvo é enorme", diz Keith Knutson, perito em terapia por linfócitos T da Mayo Clinic de Rochester, Minnesota.

 

Normalmente, um linfócito T precisa de dois sinais antes de ser activada: um provém da CD28 e um segundo de um receptor de outro linfócito T. Este sinal duplo pensa-se que é um mecanismo de segurança para garantir que os linfócitos T apenas reagem a ameaças reais, como toxinas ou antigénios invasores.

O medicamento TGN1412 ultrapassa este mecanismo de controlo básico, pois quando se liga ao receptor CD28 a célula T fica activada, sem necessidade de um sinal de um segundo receptor.

Os cientistas que trabalham no campo dizem que há várias formas para o medicamento ter desencadeado a falência múltipla de órgãos: pode ter estimulado os linfócitos T de tal forma que eles tenham libertado uma enxurrada de citocinas inflamatórias ou talvez estes tenham desencadeado um ataque aos próprios tecidos do corpo, ignorando os mecanismos de segurança que normalmente o impedem.

Uma declaração da TeGenero expressa a preocupação da companhia para com os pacientes e salienta que o teste cumpria todas as regras deste tipo de situação. Acrescenta que o TGN1412 não mostrou efeitos adversos em nenhum dos estudos prévios, feitos com animais.

Pelo menos um medicamento semelhante já tinha mostrado efeitos secundários em humanos, nomeadamente alergias de pele e reacções digestivas, que surgiram durante os testes do anticorpo anti-CTLA4. Este anticorpo também estimula o receptor CD28 mas em menor grau que o TGN1412.

 

 

Saber mais:

TeGenero

MHRA

 

 

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