2006-03-16

Subject: Rãs conversam em ultra-sons?

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

Rãs conversam em ultra-sons?

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

A rã da espécie Amolops tormotus podia fazer cansar as divas da ópera mais conhecidas, alcançando uma tal altura nos ultra-sons que o seu canto pode ser ouvido sobre as águas turbulentas do seu habitat nas nascentes quentes de Huangshan na China.

A comunicação ultra-sónica utiliza o som numa frequência superior aos limites da audição humana, perto dos 20 kilohertz, e pensava-se que apenas exista em certos tipos de mamíferos, como morcegos, baleias e alguns roedores. Mas agora parece que alguns anfíbios desenvolveram a capacidade de produzir notas altas, pois os cientistas mediram no canto das Amolops tormotus notas até 34 kilohertz.

"Isto é qualquer coisa de espantoso", diz Albert Feng, especialista acústico do Instituto Beckman da Universidade do Illinois, Urbana, e autor principal do artigo agora publicado na revista Nature.

Feng já tinha antes notado a capacidade destas rãs para cantar no domínio dos ultra-sons mas não era claro até agora que os animais estivessem realmente a utilizar estas notas para comunicar, em vez de serem apenas um efeito secundário do coaxar audível.

Muitas rãs desenvolveram sinais visuais para complementar o seu coaxar e para as tornar mais notórias perante os parceiros, explica o herpetologista Michael Ryan da Universidade do Texas, Austin. A rã da torrente, diz ele, parece utilizar uma táctica diferente no seu ambiente barulhento.

Feng ficou interessado pela primeira vez nas rãs depois de Kraig Adler, um professor de biologia da Universidade de Cornell, lhe ter contado sobre o seu trabalho de campo com a espécie na China. Ao contrário das rãs comuns, cujos ouvidos estão à face da cabeça, a rã da torrente tem canais auditivos visíveis que conduzem a um tímpano afundado no interior do crânio.

 

Este facto intrigou Adler. "Pensei que esta rã devia ter meios invulgares de comunicação para apresentar ouvidos com esta forma".

Assim, Feng registou os sons audíveis e ultra-sónicos das rãs e quando os apresentou a um grupo de oito machos, eles coaxaram em resposta.

Cinco dos oito replicaram em ultra-sons e Feng suspeita que os três que não responderam ainda estavam a ouvir mas não tinham a capacidade vocal para replicar. É vulgar nas espécies de anfíbios que alguns machos não coaxem, diz ele.

É possível que os ultra-sons penetrem no corpo e estimulem os nervos directamente, logo para verificar se as rãs estavam a utilizar os ouvidos para captar os ultra-sons a equipa bloqueou-os com cera e voltou a colocá-los perante a gravação. As rãs não reagiram e os nervos auditivos não dispararam, logo Feng concluiu que os ouvidos estavam realmente envolvidos.

A equipa ainda tem que estudar as fêmeas, que não apresentam os estranhos ouvidos afundados. Se se verificar que as fêmeas não captam ultra-sons, surgirá a questão da real utilidade do canto, diz Ryan. "Uma coisa é certa", acrescenta ele, "irá abrir a porta para uma enorme variedade de estudos comportamentais."

 

 

Saber mais:

Morte de anfíbios associada ao aquecimento global

Plano de acção para salvar anfíbios vai custar milhões

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2006


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com