2006-02-27

Subject: Arrefecimento europeu associado a Peste Negra?

 

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Arrefecimento europeu associado a Peste Negra?

 

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A "pequena idade do gelo" europeia pode ter sido desencadeada pela Peste Negra do século XIV, revela um novo estudo agora conhecido.

Dados de pólen e folhas apoiam a ideia de que milhões de árvores se desenvolveram em terras de cultivo abandonadas, absorvendo o dióxido de carbono da atmosfera. Este facto teria tido o efeito de arrefecer o clima global, considera uma equipa da Universidade de Utrecht na Holanda.

A Pequena Idade do Gelo foi um período de cerca de 300 anos em que a Europa sofreu uma quebra abrupta das temperaturas médias.

Thomas van Hoof e os seus colegas estudaram os grãos de pólen e os restos de folhas recolhidos dos sedimentos de lagos holandeses. Seguir a subida e a descida em abundância do pólen de cereais e de árvores permitiu-lhes estimar as alterações de utilização da terra entre os anos 1000 e 1500 depois de cristo.

A equipa descobriu que um aumento do pólen de cereal a partir de 1200 (reflectindo uma expansão agrícola), foi seguido por uma queda abrupta por volta de 1347, associada à crise agrícola causada pela chegada da Peste Negra, quase de certeza uma doença bacteriana propagada pelas pulgas dos ratos.

Esta peste bubónica deve, segundo as estimativas dos historiadores, ter causado a morte a mais de um terço da população europeia da época.

Contar os estomas das antigas folhas de carvalho forneceu à equipa de van Hoof uma medida das flutuações atmosféricas de teor de dióxido de carbono durante o mesmo período de tempo. Isto é possível pois as folhas absorvem dióxido de carbono através dos estomas e a sua densidade varia de acordo com a subida ou descida do teor do gás no ar.

"Entre 1200 e 1300 observa-se uma diminuição do número de estomas e um aumento drástico do dióxido de carbono atmosférico, pensamos devido à desflorestação", explica van Hoof, cujas descobertas estão publicadas na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.

Mas após 1350 a equipa descobriu que este padrão se invertia, sugerindo que os níveis de dióxido de carbono desceram, talvez devido à reflorestação natural que se seguiu à passagem da Peste Negra. Os investigadores pensam que esta queda do dióxido de carbono pode ajudar a explicar o arrefecimento do clima ao longo dos séculos seguintes.

 

Desde por volta de 1500, a Europa parece ter estado nas garras de um clima frio que durou perto de 300 anos. 

Existem muitas teorias que tentam explicar as causas desse frio mas as mais populares incluem uma redução da actividade solar, um aumento da actividade vulcânica ou alterações dos padrões de correntes oceânicas. Estes novos dados acrescentam peso à teoria que considera que a Peste Negra pode ter desempenhado um papel crucial nesta alteração climática.

No entanto nem todos estão convencidos. Tim Lenton, um cientista ambiental da Universidade de East Anglia, Reino Unido, comenta: "É um óptimo estudo e as alterações do teor de dióxido de carbono podem, com certeza, ter sido um factor importante mas penso que não seriam suficientes para explicar as alterações climáticas observadas."

Richard Houghton, perito climático do Centro de Investigação Woods Hole no Massachusetts, acredita que os oceanos teriam sido capazes de compensar essa variação de dióxido de carbono. "A atmosfera está em equilíbrio com o oceano e isso faz com que haja um amortecimento das pequenas alterações da absorção terrestre de dióxido de carbono", explica ele.

Ainda assim, estas novas descobertas vão, certamente, causar grande interesse por parte da comunidade científica. "Parece que o impacto humano neste planeta começou muito antes da Revolução Industrial", diz van Hoof.

 

 

Saber mais:

Thomas van Hoof

Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology

Peste aumentou imunidade europeia contra o HIV?

 

 

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