2006-02-25

Subject: Futuro incerto para as tartarugas da Índia

 

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Futuro incerto para as tartarugas da Índia

 

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Milhares de tartarugas marinhas ameaçadas chegaram à costa leste da Índia para por os ovos mas os conservacionistas temem pelo seu futuro.

As boas notícias são que todos os anos 200 a 300 mil tartarugas oliváceas de Ridley vêm por os ovos nas praias do estado de Orissa, um dos maiores locais de nidificação desta espécie ameaçada. As más notícias são que se estima que tenham morrido nos últimos 13 anos 129 mil destas tartarugas, sufocadas em redes de pesca não equipadas com os dispositivos que as mantêm afastadas, obrigatórios por lei.

A foz do rio Rushikulya é um dos três locais chave de nidificação no estado de Orissa, juntamente com a foz do rio Devi e das ilhas Nasi em Gahirmatha.

Em média, uma tartaruga olivácea de Ridley põe entre 120 e 150 ovos, donde emergem as crias após 45 a 50 dias. No entanto, estes ovos têm que ser protegidos de predadores como cães, chacais, porcos selvagens, hienas, corvos, águias e gaivotas. Muitos também são arrastados pela erosão das praias.

Estudos mostram agora que apenas uma percentagem perigosamente pequena desses ovos chegam a chocar.

"Nenhuma espécie pode sobreviver a uma tamanha taxa de mortalidade. É mais difícil ainda para uma espécie já ameaçada", diz Biswajit Mohanty, coordenador da Operação Kachhapa, um projecto de conservação de tartarugas. Segundo ele, a pouca aplicação da lei por parte das autoridades leva a mortes em massa destes animais.

Agora, até os locais de nidificação estão ameaçados. A praia original em Ekakula Nasi foi dividida em duas por um ciclone em 1989 e formou-se uma nova ilha. Esta nova ilha, Nasi, foi ainda novamente dividida em meados dos anos 90 por outro forte ciclone, levando à formação de duas ilhas extremamente frágeis, agora conhecidas por Nasi I e Nasi II.

Os peritos acreditam que estas duas ilhas onde agora decorre a deposição dos ovos podem vir a ser novamente divididas e desaparecerem perante outro evento climático catastrófico. Estas ilhas baixas também são varridas pela maré alta, o que causa grandes perdas de ovos todas as estações.

A foz do rio Devi está agora com muito pouco espaço após a plantação, pelo governo, de árvores casuarina. Apenas a praia de Rushikulya parece a salvo actualmente, dizem os peritos.

De acordo com a lei local, todos os barcos pesqueiros de Orissa devem ter dispositivos de afastamento de tartarugas nas redes mas é frequente a violação desta lei de forma impune. Apenas uma das três praias de nidificação de tartarugas, Gahirmatha, foi declarada um santuário marinho e a pesca proibida num raio de 20 Km.

 

Saroj Sahu, um residente local, acusa as autoridades de não terem equipamento adequado à protecção das tartarugas. Apesar da Indian Oil Corporation ter contribuído com 10 milhões de rupias para o Departamento de Protecção das Tartarugas de Orissa, nem uma lancha rápida foi comprada, o dinheiro permanece por gastar há 8 anos.

Para promover a utilização de dispositivos para afastar as tartarugas das redes, o governo federal indiano disponibilizou-os a apenas 3000 rupias (€66) mas ainda assim a maioria dos barcos não os utiliza.

Mas outras ameaças surgem no horizonte. Um terminal petrolífero está em estudo para a foz do Rushikulya e o governo federal também permitiu a exploração de petróleo e gás ao largo da costa, apesar dos alertas acerca das actividades das tartarugas nessas águas.

Também um gigantesco porto de águas profundas, com capacidade de deslocar 180 milhões de toneladas todos os anos está em projecto para Dhamra, localizada perigosamente perto das ilhas Nasi. Os peritos temem que o movimento de navios gigantescos e as luzes artificiais sejam um perigo ainda maior para as tartarugas num futuro próximo.

A tartaruga olivácea de Ridley é uma das cinco espécies de tartarugas marinhas que visitam as costas indianas para se reproduzirem e está protegida de acordo com a Wildlife Protection Act de 1972, pelo que a sua captura ou morte pode levar a 2 a 7 anos de prisão.

Dado que se trata de uma espécie migratória, está protegida também pela CITES, da qual a Índia é signatária e legalmente está obrigada a garantir a sua sobrevivência no seu território.

 

 

Saber mais:

Operation Kachhapa

Tartaruga olivácea de Ridley

 

 

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