2006-02-15

Subject: Sapos dos canaviais avançam pela Austrália

 

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Sapos dos canaviais avançam pela Austrália

 

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Precisa de chegar a algum lado rapidamente? A resposta do sapo dos canaviais é desenvolver pernas mais compridas. 

Este anfíbio invasor está a acelerar a sua marcha através da Austrália, deixando atrás de si um resto de destruição ecológica.

O sapo dos canaviais Bufo marinus foram introduzidos pela primeira vez no país há 70 anos, numa tentativa de controlar os escaravelhos mas o invasor começou a devorar outros membros da fauna local e espalhou-se através da Austrália, criando pandemónio por onde passa.

No mundo dos sapos e rãs, o sapo dos canaviais é considerado um animal de deslocação lenta mas, num relatório publicado esta semana na revista Nature, os investigadores da Universidade de Sydney rebatem esta percepção.

Prendendo pequenos transmissores aos sapos, os investigadores revelaram que estes anfíbios podem deslocar-se a uma velocidade alarmante. Os velocistas chegam a viajar 1,8 quilómetros por noite e geralmente optam por seguir ao lado das estradas. "Os sapos estão a safar-se muito bem sozinhos, não estão a apanhar boleia em camiões, como se tinha suspeitado", diz Richard Shine, líder do estudo.

"Os sapos são lentos, não saltam, fazem uma espécie de rastejar. A ideia de que sejam atletas de corrida de longa distância é surpreendente e divertida", diz David Skelly, um ecologista de anfíbios na Universidade de Yale no Connecticut.

Então como estão eles a percorrer a distância com tanta facilidade? Shine e os seus colegas analisaram espécimes preservados de museus e os registos históricos e descobriram que os sapos apresentam patas 25% mais compridas e se tornaram cinco vezes mais rápidos no período de 60 anos.

 

Os investigadores verificaram que as pernas longas estão realmente relacionadas com a velocidade no rastejar. Acampando no meio do nada antes da frente de ataque da peste atingir a zona, os investigadores mediram o comprimento das patas à medida que os invasores chegavam. Descobriram que os primeiros tinham patas com até 45% do comprimento total do corpo. As vagas mais tardias de sapos consistiam em animais de patas mais curtas.  

Apesar dos insectos e das bactérias se adaptarem rapidamente às alterações do meio, Skelly diz que este estudo é um dos primeiros exemplos conhecidos de um vertebrado em rápida evolução num novo ambiente.

"As pessoas têm este sentimento fortemente enraizado de que os vertebrados não evoluem numa escala de tempo tão curta mas este trabalho mostra que tal pode realmente", diz Skelly. Os sapos dos canaviais geralmente começam a reproduzir-se com um ano de idade, e conseguem produzir 200000 ovos, em média, no período de vida de 10 anos.

Sapos dos canaviais a ganhar velocidade são muito más notícias para os conservacionistas. "Os sapos vão chegar ao oeste australiano muito antes do que se esperava. Temos que fazer algo rapidamente", diz Shine. Apesar das tentativas para cortar o caminho aos invasores, parece, pelo menos por agora, que os sapos dos canaviais estão a ultrapassar com facilidade todos esses esforços.

 

 

Saber mais:

Laboratório Shine

Serpentes australianas adaptam-se a sapo venenoso

 

 

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