2006-02-11

Subject: Cortando o risco de infecção por HIV

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

Cortando o risco de infecção por HIV

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

A circuncisão masculina pode proteger as mulheres, tanto como os homens, da infecção pelo HIV, diz um estudo realizado a partir dos registos médicos do Uganda.

Desde o final dos anos 80 do século passado que se apresentava jocosamente a circuncisão dos homens como uma forma de reduzir a probabilidade destes contraírem SIDA de parceiras infectadas.

O revestimento interno do prepúcio masculino pode conter até nove vezes mais vírus que as camadas externas do pénis, sendo o principal ponto de entrada do HIV. Alguns médicos tinham sugerido que cortar a porta de entrada do vírus para o corpo poderia reduzir de forma dramática as taxas de infecção nos homens.

Agora, os investigadores da Johns Hopkins Medical Institutions de Baltimore, Maryland, dizem que esta prática também pode beneficiar as mulheres. Eles referem que as mulheres com parceiros circuncidados têm 30% menos probabilidade de serem infectadas, por estarem menos expostas ao vírus.

Ronald Gray liderou o projecto, que estudou os registos médicos de mais de 300 casais do Uganda no período de 1994 a 2001. Ao início, todos os homens envolvidos eram HIV-positivos, enquanto todas as mulheres eram HIV-negativas. Dos homens, 44 eram circuncidados e 299 não. Os registos médicos mostram que a taxa média de infecção feminina pelo HIV era de 6,6% se tivessem parceiros circuncidados, comparados com os 10,3% se os homens não o eram.

Isto sugere que a circuncisão dos homens jovens na população africana pode ter um efeito protector tanto para os homens como para as mulheres, considera a equipa de investigadores. Eles apresentaram as suas conclusões na conferência de 2006 sobre Retrovírus e infecções oportunistas em Denver, Colorado, que decorre este fim-de-semana.

Apesar do estudo poder fornecer uma pista prometedora para os investigadores de saúde pública, as suas descobertas terão que ser confirmadas por testes médicos completos antes de a circuncisão ser recomendada a todos os homens.

"Existem todo o tipo de questões acerca da qualidade desta informação", alerta Jimmy Volmink, director do Centro Cochrane do Medical Research Council da África do Sul em Tygerberg. "Isto não é um teste, é uma análise de registos médicos", diz ele, e uma análise estatística de registos médicos como estes não tem em conta factores como a higiene ou as práticas sexuais. "A força de um teste clínico é que podemos estar relativamente seguros que o grupo é equilibrado e de que não existem outros factores a intervir", diz Volmink.

 

As descobertas preliminares da análise dos dados do Uganda instigou os investigadores a realizar esse tipo de teste clínico, o que envolve a circuncisão de metade de 5000 homens no estudo e seguir as suas taxas de infecção por HIV das suas parceiras. O teste deve terminar em 2007.

Os testes relativos à circuncisão masculina e ao HIV realizados no Quénia e na África do Sul não seguiram o seu efeito sobre as mulheres devido à dificuldade em associar e seguir duas pessoas, explica Steven Reynolds, membro da equipa do Johns Hopkins.

Em 2005, investigadores franceses e sul-africanos decidiram terminar antecipadamente um teste realizado em Orange Farm, perto de Joanesburgo, devido aos resultados serem tão favoráveis (veja "Caution on circumcision cuts South Africa's AIDS researchers"). Os investigadores consideraram pouco ético continuar após ficar demonstrado que os homens não circuncidados tinham 60% mais probabilidade de ficarem infectados que os homens circuncidados.

Mas os resultados deste teste ainda são questionados por alguns investigadores da SIDA. "Em testes, o número de participantes varia muito e ainda não temos um resultado final para este", diz Volmink. "É prudente aguardar resultados antes de tomar decisões relativas a políticas futuras."

Mesmo que os benefícios da circuncisão possam ser provados, pode ser difícil persuadir alguns a aceitá-la como uma prática corrente. Os agentes de saúde pública devem estar conscientes que um aumento repentino das circuncisões sem assistência médica pode mesmo levar a um aumento das infecções, acrescenta Volmink.

 

 

Saber mais:

Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections

AIDS in Africa - ACTafrica

Iogurte pode vir ajudar a combater o HIV?

Leite materno ajuda a bloquear o HIV

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2006


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com