2006-02-08

Subject: Cocktail de pesticidas mata rãs americanas

 

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Cocktail de pesticidas mata rãs americanas

 

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Os pesticidas utilizados pelos produtores de milho americanos estão a combinar-se para matar de vez o que resta dos anfíbios nativos do país. 

Investigações recentes mostram que os pesticidas mais vulgares, relativamente inofensivos por si só, se estão a misturar para criar uma sopa tóxica nas águas de escorrência. Isto altera o desenvolvimento sexual das rãs e deixa-as mais susceptíveis a infecções fatais.

Toxicologistas ambientais liderados por Tyrone Hayes da Universidade da Califórnia, Berkeley, passaram os últimos 4 anos a analisar os efeitos dos químicos pesticidas sobre as rãs que vivem na cintura do milho americana, nos estados do Midwest.

A equipa criou rãs-leopardo Rana pipiens em água contendo uma combinação de quatro herbicidas, dois fungicidas e três insecticidas, e examinou o efeito deste cocktail no seu crescimento. "A mistura de nove compostos representa o que é aplicado nos campos por altura da postura dos ovos em águas que recebem escorrências dos campos", diz Hayes.

O efeito cumulativo dos nove químicos foi maior que a soma das suas propriedades individuais, descobriram os investigadores. Quando testados em concentrações de 0,1 partes por bilião (ppb), seis dos compostos não tiveram qualquer efeito, dois tiveram um pequeno mas notório efeito sobre o desenvolvimento, e um, a atrazina, causou sérios problemas de desenvolvimento mas não a morte.

No entanto, todos juntos, a combinação matou 35% das rãs e aumentou o tempo levado a desenvolver de girino a adulto em cerca de 15 dias, ou seja, em 25%.

Os investigadores suspeitam que a mistura estimula a produção de hormonas de stress, que retardam o desenvolvimento das rãs. Os resultados do estudo foram publicados na revista Environmental Health Perspectives.

Concentrações de 0,1 ppb são mais baixas que os níveis encontrados nas escorrências dos campos de milho durante o Verão, quando as rãs estão a crescer e a procriar. As concentrações podem atingir as 10 ppb, diz Hayes.

Para a atrazina, concentrações de 0,1 ppb podem ser muito perigosas, levando o sapo africano Xenopus laevis a desenvolver gónadas femininas e uma laringe atrofiada. Hayes já tinha demonstrado previamente esta situação tanto em sapos selvagens como em laboratório (Atrazine gives frogs male and female gonads, says field study), e agora este novo estudo mostra que basta uma semana de exposição à atrazina para causar o efeito.

 

Mas apenas a combinação de todos os pesticidas parece ser causa de problemas de desenvolvimento incapacitantes e a morte.

Um atraso em atingir a fase adulta pode significar que os lagos e poças podem secar antes que as rãs e sapos tenham hipótese de se reproduzir, teme Hayes. Os problemas imunitários podem significar que os anfíbios sucumbam a infecções de outro modo benignas.

Os pesticidas são apenas uma das inúmeras razões porque as populações de anfíbios estão em declínio por todo o mundo, diz Hayes. Outras ameaças potenciais incluem a radiação UV do Sol, as alterações climáticas, a drenagem das zonas húmidas e as doenças emergentes. A exposição aos pesticidas pode aumentar o impacto desses outros factores, suspeita Hayes.

"Muitas "doenças emergentes" e deformidades associadas a infecções podem ter impactos maiores em populações expostas a pesticidas", comenta ele. "Outros investigadores já mostraram resultados semelhantes mas não com as concentrações tão baixas como as que utilizámos."

Uma proibição da utilização da atrazina foi prolongada por mais um ano e envolve todos os países da União Europeia mas este produto ainda é comercializado nos Estados Unidos. "Não posso prever se irá ser proibido", diz Hayes. "A industria está a lutar fortemente para o manter no mercado."

 

 

Saber mais:

Environmental Health Perspectives

Morte de anfíbios associada ao aquecimento global

Plano de acção para salvar anfíbios vai custar milhões

 

 

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