2006-02-05

Subject: Será melhor esperar o pior?

 

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Será melhor esperar o pior?

 

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Esperar o pior pode não nos ajudar a sentir melhor quando enfrentamos um desapontamento, dizem investigadores da área da psicologia que testaram a eficácia deste adágio velho de séculos.

A maioria das pessoas acredita que a preparação mental para o pior cenário num teste escolar ou numa corrida irá suavizar o desapontamento se chumbarmos ou chegarmos em último, para além de aumentar a alegria do sucesso se este acontecer, mas esta ideia nunca tinha sido testada cientificamente.

Margaret Marshall da Universidade de Seattle Pacific e Jonathon Brown da Universidade de Washington, Seattle, fizeram isso mesmo. Começaram por pedir a mais de 80 estudantes universitários que preenchessem questionários que mediam a sua abordagem emocional à vida, se optimista ou pessimista. 

Os estudantes praticavam, de seguida, uma série de quebra-cabeças de associação de palavras moderadamente difíceis num computador. Com base nisso, classificavam até que ponto estavam à espera de desempenhar um segundo conjunto de problemas do mesmo tipo.

A equipa deu a metade dos estudantes problemas que foram ligeiramente mais fáceis do que o primeiro conjunto, enquanto a outra metade teve problemas ligeiramente mais complicados. Isto assegurou que o desempenho dos estudantes seria melhor, ou inferior, às suas expectativas. 

De seguida, os estudantes preencheram um questionário que media a sua reacção emocional, como se estavam desapontados ou envergonhados. Os estudantes que esperavam ter mau desempenho, descobriram os investigadores, sentiam-se na realidade pior quando falhavam do que os que tinham previsto safar-se bem mas também tinham falhado.

Isto sugere que as expectativas negativas podem na realidade exacerbar o desapontamento quando uma pessoa falha um objectivo. O antigo conselho não funciona, concorda o psicólogo e investigador Thomas Gilovich da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, cujo interesse inclui o optimismo e o pessimismo. "As pessoas só se estão a fazer sentir pior."

O estudo, publicado na revista Cognition and Emotion, sugere que a reacção de uma pessoa ao desapontamento ou ao falhanço é determinada principalmente pela sua perspectiva geral relativamente à vida. Aqueles que esperam ter sucesso tendem a ter uma atitude mais positiva de modo geral, dizem os investigadores. Se não alcançam os seus objectivos, é mais provável que encontrem um lado positivo para a questão e consigam algum sentimento de satisfação.

 

Essas pessoas, que vêm o mundo através de óculos cor de rosa, também têm tendência para negar a responsabilidade sobre o seu fraco desempenho. Marshall e Brown mostraram isso mesmo na segunda parte do seu estudo, em que os estudantes também tiveram que dizer se consideravam que a sua actuação no teste reflectia a sua capacidade. O grupo "cor de rosa" que falhava nos testes acreditava que não.

Por sua vez, as pessoas com baixas expectativas tendem a ter uma visão pessimista da vida e podem estar menos equipadas mentalmente para lidar com o desapontamento. Se não obtêm a nota que querem, levam-no a peito e tendem a culpar-se a si próprios.

Pode ser difícil para uma pessoa suavizar o golpe do falhanço ao tentar alegrar o seu temperamento natural, diz Brown. Com base nos seus estudos anteriores, ele diz que a melhor maneira de uma pessoa lidar com um revés é considerá-lo pouco importante. "As pessoas precisam de ser fortes o suficiente para aprender que o falhanço não é algo mau."

No entanto, pelo menos em alguns casos, o pensamento negativo ainda pode ser de alguma utilidade para as pessoas.

A antecipação do falhanço num teste de matemática ou numa aparição pública, por exemplo, é considerada uma forma de ajudar algumas pessoas ansiosas a motivarem-se para estudar com mais afinco e evitar a sua profecia sombria. Os psicólogos chamam a esses indivíduos "pessimistas defensivos".

Da mesma forma, também pode ser mau esperar sempre o melhor, diz Julie Norem do Wellesley College, Massachusetts, que estuda as estratégias psicológicas que as pessoas usam para atingir os seus objectivos. Aqueles que não se preocupam com os seus falhanços no escritório podem estar a falhar a imagem mais geral, como o facto de estarem prestes a ser despedidos.

Infelizmente, isso significa que não há nenhum conselho simples acerca se devemos ou não esperar o pior. Este estudo é apenas uma parte de "um quebra-cabeças muito mais vasto", diz Norem.

 

 

Saber mais:

Cognition and Emotion

 

 

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