2006-01-27

Subject: A lenda do caracol voador

 

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A lenda do caracol voador

 

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Para um animal com apenas um pé, o caracol vai muito longe, pelos vistos até atravessa oceanos.

Os cientistas mostraram que o caracol terrestre Balea perversa conseguiu, de alguma forma, viajar da Europa para os Açores, e daí todo o comprimento do oceano Atlântico até um grupo de ilhas remotas localizadas entre a África do Sul e a América do sul, uma viagem de 9000 Km que parece improvável para um animal que nem sabe nadar. Espantosamente, os caracóis ainda conseguiram, aparentemente, regressar à Europa.

As ilhas de Tristão da Cunha, o ponto mais distante da Europa onde os caracóis foram encontrados, estão "entre as ilhas mais remotas do mundo", diz Richard Preece da Universidade de Cambridge. Preece e os seus colegas confirmaram, através de um estudo genético publicado na revista Nature, que os caracóis de ambas as zonas pertencem ao mesmo género.

Os caracóis Balea perversa são bastante característicos, tipicamente com uma concha de 7 milímetros com uma invulgar espiral no sentido inverso ao dos ponteiros do relógio. Pensava-se que os caracóis apenas viviam na região Paleárctica, incluindo partes da Eurásia a norte dos Himalaias e o norte de África.

Em 1824 duas novas espécies de caracóis foram descritas nas ilhas Tristão da Cunha, ambas muito semelhantes em aparência aos B. perversa, apenas ligeiramente maiores. Assumiu-se que estes caracóis nunca poderiam ter viajado desde a Europa, logo receberam um novo género, Tristania, que actualmente tem oito espécies.

Algumas décadas depois, Darwin ficou fascinado com estes animais e com o grau de semelhança entre os caracóis encontrados em locais tão distintos. Ele determinou que eles não poderiam ter sobrevivido em água salgada mais do que duas semanas logo colocou a hipótese de que homens ou aves os tivessem transportado.

 

Agora, Preece e outros peritos em caracóis consideram que Darwin estava com a ideia correcta.

Preece e a sua equipa estabeleceram há alguns anos que, apesar da diferença de tamanho, anatomicamente os géneros Tristania e Balea eram o mesmo. Agora estudaram o DNA mitocondrial dos caracóis para confirmar a sua ideia e acrescentam que uma das oito espécies de Tristão da Cunha parece ter feito a viagem de volta para a Europa, pois o seu DNA é semelhante aos dos seus primos europeus modernos.

As plantas e os animais sedentários há muito que viajam grandes distâncias graças à água, ao vento ou às boleias dadas por outros animais mais móveis mas as distâncias enormes percorridas por estes caracóis são mais comuns em plantas que em animais.

Preece salienta que os caracóis produzem um muco invulgarmente pegajoso e estudos prévios já mostraram que os caracóis podem ficar aderidos às patas das aves. Ele considera que seria plausível que o Homem os tivesse transportado, pois Tristão da Cunha apenas foi colonizada de forma definitiva em 1816. Mas para isso sobra muito pouco tempo para os caracóis evoluírem em oito espécies diferentes.

Preece está agora a tentar reunir dados moleculares como novas provas de vocação papa-léguas destes caracóis para além do Atlântico. Ele salienta que estudos anteriores também já mostraram que estes animais também são alpinistas, foram encontrados num pico remoto da ilha da Madeira em 1921.

 

 

Saber mais:

Richard Preece

 

 

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