2006-01-18

Subject: Iogurte pode vir ajudar a combater o HIV?

 

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Iogurte pode vir ajudar a combater o HIV?

 

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Algumas das bactérias "amigas" que encontramos no iogurte foram geneticamente modificadas para produzir uma droga que bloqueia a infecção pelo HIV. 

Apesar destas bactérias apenas terem sido testadas numa caixa de Petri, os cientistas estão muito esperançados que esta técnica possa conduzir a uma forma mais barata e eficiente de fornecer as drogas que combatem a disseminação da SIDA, colocando os microrganismos a viver no local onde são mais necessários.

A bactéria Lactococcus lactis que os investigadores modificaram realiza naturalmente a fermentação láctica, sendo, por isso, utilizada na produção de queijo e iogurte. Também pode ser encontrada em algumas partes da anatomia humana, como os intestinos ou a vagina, onde o ácido que produz impede o desenvolvimento de outros tipos patogénicos de bactérias. Alguns iogurtes "probióticos" contêm grande quantidade destes microrganismos, com o objectivo de manter os intestinos dos consumidores saudáveis.

Bharat Ramratnam, um especialista em HIV da Escola Médica de Brown em Providence, Rhode Island, alterou com a sua equipa a composição genética da L. lactis para que passasse a produzir cianovirina, uma droga que tem impedido a infecção pelo HIV em macacos e em células humanas em cultura, estando previsto que os testes clínicos no Homem tenham início em 2007.

A cianovirina liga-se às moléculas glicídicas associadas ao HIV, bloqueando um receptor utilizado pelo vírus para infectar as células. "É basicamente uma imunização passiva", diz Sean Hanniffy, um biólogo molecular do Instituto de Investigação Alimentar de Norwich, Reino Unido, e um dos membros da equipa.

Os géis contendo cianovirina podem fornecer alguma protecção contra a transmissão do HIV, mas como a droga se decompõe rapidamente estes produtos têm que ser aplicados na vagina imediatamente antes da relação sexual. "Em alguns países há frequentemente uma grande relutância na utilização destes géis", explica Hanniffy.

Como as bactérias lácticas vivem naturalmente na vagina, uma aplicação da pasta bacteriana deve levar a que os microrganismos modificados lá se desenvolvam pelo menos durante uma semana, diz Hanniffy. "O próximo passo pode ser usar outras bactérias, com uma possibilidade de sobrevivência ainda maior."

Hanniffy diz que os microrganismos podem ser mais vantajosos que as vacinas injectáveis, que frequentemente têm dificuldade em alcançar áreas periféricas do corpo, como as mucosas superficiais da vagina. "Será necessária uma quantidade muito menor de produtos químicos se forem aplicados localmente", acrescenta Lothar Steidler, biólogo molecular da Universidade de Cork na Irlanda, que também está a trabalhar na modificação de bactérias para a produção de drogas terapêuticas.

 

"Também há que considerar a vertente económica", diz Hanniffy. Fermentar umas tantas bactérias deve ser muito mais fácil e barato que produzir um gel, diz ele. 

Se os microrganismos puderem ser administrados oralmente, como nos iogurtes probióticos, a produção ainda será mais fácil. "Podemos produzir esta droga em qualquer fábrica de produtos lácteos", diz Steidler. "torna o tratamento a longo prazo muito mais exequível do ponto de vista económico, pois o maior problema actualmente é o tratamento de pessoas nos países em vias de desenvolvimento."

O medo do público da modificação genética de organismos pode vir a impedir que esta investigação progrida, alerta desde já Hanniffy. "Está com certeza a ser uma barreira neste momento, mas se se verificasse que é bem sucedida teria uma aceitação muito superior."

Um desses sucessos pode vir do primeiro teste clínico com bactérias transgénicas, completado no ano passado na Holanda e que usou L. lactis modificadas para produzirem drogas no corpo de doentes com doença de Crohn, uma perturbação crónica dos intestinos.

Esta foi a primeira vez que foi dada permissão para se utilizar bactérias geneticamente modificadas vivas numa situação clínica, diz Hanniffy. "Foi um teste pequeno mas representa um grande passo em frente."

Os microrganismos foram cuidadosamente modificados para garantir que não poderiam sobreviver fora do corpo e ficou demonstrado que não ocorreu qualquer transferência de genes para o o corpo dos seus hospedeiros.

A mesma técnica também pode vir a ser usada para fornecer uma enorme variedade de outras drogas, diz Steidler. "Esta técnica pode tornar-se um tipo totalmente novo de farmacologia", diz ele. 

Os resultados desta pesquisa serão publicados na revista Journal of Acquired Immune Deficiency Syndrome, e a equipa de investigadores está agora a planear testar as suas bactérias L. lactis anti-HIV em macacos.

 

 

Saber mais:

Informação sobre HIV da O.M.S.

Introduction to Lactic Acid Bacteria

Novo tratamento contra o HIV parece prometedor

 

 

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