2006-01-11

Subject: Morte de anfíbios associada ao aquecimento global

 

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Morte de anfíbios associada ao aquecimento global

 

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O misterioso desaparecimento de espécies de rã através de toda a América Central e do Sul foi associado a uma doença fúngica que está a ser exacerbada pelas alterações climáticas.

"A doença é a bala que mata as rãs mas as alterações climáticas estão a carregar no gatilho", diz Alan Pounds, ecologista do Centro de Ciência Tropical da Reserva da Floresta das Nuvens de Monteverde, na Costa Rica.

Os investigadores alertam para o facto de o fungo Batrachochytrium dendrobatidis, que vive habitualmente na pele das rãs, pode ser o responsável pela morte de anfíbios por todo o mundo.

A América tropical é apenas uma das muitas regiões que assistiram a perdas dramáticas em termos de espécies de anfíbios nas últimas décadas. Em 2004, a primeira avaliação global dos anfíbios revelou que cerca de um terço das espécies conhecidas do mundo estavam ameaçadas de extinção.

Estudos já realizados têm vindo a apontar para um vasto leque de causas para estas mortes, incluindo infecções, perda de habitat e alterações nos padrões de temperatura e chuva. 

Os anfíbios, com a sua pele húmida e por onde se realizam trocas gasosas, são considerados particularmente sensíveis às alterações ambientais. Mas a raiz do problema, que ocorre muitas vezes em zonas aparentemente intocadas, tem permanecido desconhecida.

Pounds e a sua equipa decidiram testar se a doença fúngica exacerbada pelas alterações climáticas poderia explicar a perda de cerca de 70 espécies de rãs-arlequim do género Atelopus nas terras altas da América Central e do Sul. Muitas delas desapareceram apesar de se encontrarem em reservas protegidas.

A equipa localizou no tempo o desaparecimento das espécies e confrontou as datas com alterações da temperatura da superfície do mar e do ar ocorridas nas últimas décadas, tendo descoberto que que as rãs estão a desaparecer quase exactamente em sincronia com as alterações climáticas.

Mas não foi claro de que forma a ligação entre perda de espécies e alterações climáticas funcionava: o mundo está, de modo geral, a aquecer, mas o fungo é considerado mais mortal em climas mais frios.

 

Assim, a equipa analisou 50 locais desde a Costa Rica ao Peru e descobriu que as rãs estavam pior em áreas onde as temperaturas nocturnas estavam mais elevadas mas as temperaturas diurnas estavam mais baixas, condições que favorecem o desenvolvimento do fungo.

A ligação mais provável, dizem os investigadores na última edição da revista Nature, é que o aquecimento em larga escala está a acelerar a formação de nuvens, o que, por sua vez, torna as condições locais mais amenas para o fungo e significa grandes problemas para as rãs.

Até onde as descobertas da equipa explicam o problema global da morte dos anfíbios ainda não está claro, mas Pounds defende a sua hipótese por o fungo existir em muitas regiões, incluindo Europa e Austrália, "sendo provável que seja uma peça crucial à escala global". Claro que ainda é incerto se as alterações climáticas globais irão afectar os padrões locais do clima onde vivem os sapos e rãs.

Camille Parmesan, ecologista da Universidade do Texas, em Austin, e uma das autoras do terceiro relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, aplaude o estudo. Ela refere que "é o primeiro a mostrar que um conjunto vasto de espécies de ambientes extremos estão a desaparecer devido às alterações climáticas em larga escala".

Pounds espera que as descobertas da sua equipa ajudem a fazer passar a mensagem acerca do aquecimento global. "Temos que reduzir a concentração de gases de efeito de estufa muito em breve se queremos evitar perdas avassaladoras de biodiversidade."

 

 

Saber mais:

Global Amphibian Assessment

Plano de acção para salvar anfíbios vai custar milhões

 

 

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