2006-01-06

Subject: Questões quentes acerca da limpeza das florestas queimadas

 

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Questões quentes acerca da limpeza das florestas queimadas

 

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Pressupostos vulgarizados acerca dos benefícios ecológicos do corte das árvores queimadas após grandes incêndios estão errados, revela um estudo sobre o que se seguiu a um fogo de grande dimensão no estado americano do Oregon.

O corte da madeira que resta após um fogo florestal é por vezes considerado bom para as florestas, pois remove as árvores mortas que podem ser fonte de futuros fogos e porque limpa o terreno para que mais sementes possam crescer. Mas estas ideias não foram apoiadas pelos factos, diz Dan Donato, ecologista florestal da Universidade do Oregon em Corvallis.

Donato e os seus colegas estudaram o maior fogo florestal da história do estado do Oregon: o fogo de Biscuit (baptizado segundo uma montanha junto à qual teve início). Este fogo devastou a Floresta Nacional de Siskiyou, composta principalmente por abetos Douglas Pseudotsuga menziesii, durante 120 dias e destruiu cerca de 200000 hectares.

Após o fogo, o Serviço Florestal americano iniciou um programa de corte das árvores queimadas, um esforço conservacionista que estimulou a economia local, criando emprego tanto na floresta como nas serrações. Parte do dinheiro foi reencaminhado de volta para a gestão florestal e os cientistas seguiram o progresso de abate, tanto antes como depois do seu início em Outubro de 2004.

A equipa descobriu que quando os troncos das árvores eram removidos havia uma tendência para espalhar pequenos pedaços de detritos pela floresta. "Basicamente, todos os ramos são deixados para trás e aumentam o risco de incêndio", diz Donato.

Também descobriram que os locais onde a madeira queimada não foi removida tinham uma excelente regeneração, com uma média de 767 novas árvores por hectare, maior que a média regional para o que é considerado uma floresta saudável. 

Em contraste, as áreas onde a madeira era removida apenas apresentavam 224 novas árvores por hectare. Os investigadores sugeriram que este facto se devia ao arrastar dos troncos pela floresta, o que perturba o solo e impede o crescimento das plântulas.

Concluíram que a melhor forma de reduzir o risco de fogo nas florestas ardidas é, na realidade, deixar as árvores mortas no local o máximo de tempo possível, relatam eles na última edição da revista Science. "É desta forma que as florestas têm vindo a recuperar desde há muito tempo", diz Donato.

 

"A recuperação natural é possível", concorda Jim Goldin, funcionário do Serviço Florestal americano responsável pela zona do noroeste do Pacífico. No entanto, ele acrescenta que muitas das florestas já não estão num estado natural, logo podem não ter a mesma capacidade de recuperação após um fogo.

Muitas florestas são geridas de forma a evitar pequenos fogos, por exemplo, logo nunca são desbastadas da forma que seriam na ausência do Homem. Quando um fogo atinge esses locais, tem tendência para ser maior e mais destrutivo. "As consequências são mais severas e a recuperação é mais incerta", diz Goldin.

Ele acrescenta que é importante não generalizar estas descobertas, porque as diversas espécies florestais têm ecologias florestais muito diversas.

Apesar das conclusões dos cientistas parecerem muito directas, é facto que o abate de madeira queimada se tem tornado muito controverso. Os ambientalistas argumentam que o abate de madeira queimada em Biscuit foi apenas uma oportunidade para os madeireiros aumentarem a sua margem de lucro. "O problema é o debate ter decorrido com base em pressupostos e não em dados concretos", diz Donato.

Parte do debate tem rodeado uma proposta de legislação que está a caminho do Congresso neste momento, que pretende que os madeireiros tenham acesso mais facilitado às áreas queimadas, de forma a evitar que a madeira apodreça.

Donato considera que este estudo indica que faz pouca diferença para a ecologia da floresta se os madeireiros chegam meses ou anos após um fogo. Ele acrescenta que factores económicos e ambientais devem ser considerados quando se trata de lidar com o após fogo.

 

 

Saber mais:

USDA Forest Service

Fotografias do fogo de Biscuit

 

 

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