2006-01-04

Subject: Correntes oceânicas inverteram-se no passado

 

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Correntes oceânicas inverteram-se no passado

 

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A circulação do oceano profundo inverteu-se de forma abrupta há cerca de 55 milhões de anos, de acordo com um estudo realizado sobre organismos marinhos fossilizados. 

Este conhecimento faz tocar o sinal de alarme acerca das alterações climáticas actuais, pois esta inversão histórica coincidiu com um período de aquecimento global conduzido por gazes de efeito de estufa.

As correntes oceânicas profundas estão intimamente associadas ao clima e são conduzidas pelas águas frias e salgadas que se afundam nos pólos em direcção ao fundo. 

Estudos recentes têm sugerido que a circulação no Atlântico norte pode estar a ser enfraquecida pelo influxo de água doce resultante do degelo das placas de gelo polar. Como este tapete rolante de água também traz água quente dos trópicos para norte, alguns cientistas temem que uma profunda alteração desta circulação pode mergulhar a Europa ocidental numa nova era glaciar.

Apesar dos modelos de computador poderem prever de que forma a circulação oceânica vai reagir ao aquecimento global, muitos investigadores preferem analisar situações semelhantes que ocorreram no passado para perceber como a Terra reagiu. Um bom período para analisar é o Máximo Termal do Paleoceno/Eoceno (MTPE), de acerca de 55 milhões de anos, quando a temperatura média dos oceanos se elevou bruscamente 7 ou 8°C.

Flávia Nunes e Richard Norris, oceanógrafos da Universidade da Califórnia, San Diego, perceberam agora como as correntes oceânicas se alteraram durante o MTPE, relatam eles na última edição da revista Nature. Leram os registos químicos contidos nos fósseis dos foraminíferos das profundezas.

Usando amostras do Programa Integrado de Perfuração Oceânica, Norris e Nunes estudaram a quantidade relativa de dois isótopos de carbono presentes nas conchas destes organismos, o que funciona como um instantâneo dessa razão nas águas profundas em que viviam.

Os cientistas já sabiam que à medida que uma massa de água se desloca ao longo de uma secção profunda do tapete rolante oceânico vai-se tornando mais rica em carbono-12 do que em carbono-13. Isto acontece porque tem mais tempo para acumular matéria orgânica dos organismos mortos que se afundam das águas superficiais, os quais tendem a utilizar carbono-12 nos seus tecidos.

Comparando a composição das conchas dos foraminíferos em diferentes localizações através dos oceanos Pacífico e Atlântico, os cientistas descobriram que o gradiente na razão de isótopos de carbono revelou a forma como o tapete rolante se deslocava durante o MTPE. Descobriram que apesar do fluxo atlântico de profundidade normalmente se deslocar de sul para norte, deslocava-se na direcção oposta durante o período de aquecimento global. Inversões semelhantes foram observadas noutros oceanos em volta do globo.

 

Talvez o mais espantoso seja a forma abrupta como as alterações ocorreram. "A alteração na circulação deu-se em apenas alguns milhares de anos", diz Norris. "Mas demorou mais de 100000 anos a reverter. Logo, se o oceano voltar a sofrer esta inversão, podemos ter que viver com essa alteração durante muito, muito tempo, o que é assustador."

Medidas já recentemente mostraram que a corrente atlântica está a enfraquecer (veja também Correntes oceânicas no Atlântico norte mostram sinais de enfraquecimento), mas os investigadores estão divididos sobre se a alteração climática actual será suficientemente forte para forçar a paragem ou inversão da corrente.

O estudo agora conhecido confirma modelos de computador das correntes oceânicas de há 55 milhões de anos, realizados por Karen Bice, uma oceanógrafa da Woods Hole Oceanographic Institution, Massachusetts e da sua equipa.

Apesar dos cientistas terem descoberto evidências de ligações semelhantes entre as correntes oceânicas e o clima nos últimos 200000 anos, Bice considera que o MTPE é um análogo muito melhor para a alteração climática a que assistimos actualmente, pois ocorreu num mundo que estava a aquecer gradualmente, em resposta à acumulação de gases de efeito de estufa.

Norris explicou que a sua equipa não sabe qual foi o fenómeno específico que desencadeou a inversão da circulação mas parece provável que um mundo em aquecimento tenha assistido a um aumento da evaporação nos mares tropicais, conduzindo a um aumento da precipitação nas latitudes elevadas, explica Bice. Esta situação, por sua vez, terá despejado água doce nos oceanos do norte, enfraquecendo as suas correntes.

"É um bom indicador do que nos pode acontecer no futuro", alerta Bice.

 

 

Saber mais:

Scripps Institution of Oceanography

Integrated Ocean Drilling Program

Guide to Abrupt Climate Shifts

Correntes oceânicas no Atlântico norte mostram sinais de enfraquecimento

 

 

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