2006-01-01

Subject: Enxame de gafanhotos deve ter atravessado o Atlântico

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

Enxame de gafanhotos deve ter atravessado o Atlântico

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

as duas fases do gafanhoto do deserto africanoAlgures no espaço de tempo entre há 3 a 5 milhões de anos um enxame gigante de gafanhotos deixou África e voou através do Atlântico para colonizar o Novo Mundo, considera um estudo agora conhecido.

Usando evidências de DNA, os investigadores reconstruíram as relações evolutivas entre insectos do género Schistocerca, um grupo muito diversificado de gafanhotos que pode ser encontrado nos continentes americano, africano e asiático.

"Os nossos resultados mostram que a primeira espécie do género Schistocerca a evoluir foi o gafanhoto africano do deserto", diz Nathan Lovejoy, professor assistente da Universidade de Toronto em Scarborough no Canadá. "Isto sugere que o género Schistocerca teve origem em África e que, de alguma forma, se dispersou através do tlântico."

A forma como os gafanhotos realizaram a viagem através do Atlântico permanece, no entanto, um mistério pois os insectos não conseguem armazenar gordura suficiente para ter energia para uma travessia de vários dias.

Um único gafanhoto africano do deserto Schistocerca gregaria é totalmente inofensivo para o Homem mas à medida que os insectos começam a juntar-se num dado local em que o alimento abunde, o seu aspecto e comportamento social altera-se, um processo conhecido por alteração de fase.

A alteração de fase provoca a formação de enxames que devoram toda a vegetação de uma dada área, um comportamento que tem devastado as culturas em África e no Médio Oriente desde há séculos.

Um surto de enxames de gafanhotos em 2004 na África ocidental causam perdas significativas nas culturas, contribuindo para uma escassez de alimentos no Níger no início de 2005.

Desde há muito que os cientistas que estudam este insecto se interrogam sobre o motivo porque os parentes mais próximos do gafanhoto do deserto poderem ser encontrados nas Américas e não em África.

Um estudo de 2004, liderado por Hojun Song, estudante da Universidade Estatal de Ohio, usou a anatomia para reconstruir a história evolutiva destes insectos. O trabalho de Song sugeria que os gafanhotos do deserto tinham colonizado África a partir da América do norte.

Lovejoy e a sua equipa usaram sequências de DNA de 20 espécies do género Schistocera para fazer uma reconstrução semelhante mas os seus resultados implicam uma teoria diferente: o gafanhoto africano do deserto terá sido a primeira espécie do género Schistocera a evoluir.

"Isto sugere que a origem do género é em África e que as outras mais de 50 espécies que podem ser encontradas nas Américas são o resultado de uma dispersão de África para o Novo Mundo", diz Lovejoy.

 

Os investigadores também utilizaram as sequências de DNA para estimar quando esta dispersão terá ocorrido. "A nossa melhor aposta é de que terá acontecido há cerca de 3 a 5 milhões de anos", diz Lovejoy. Mas como terão os gafanhotos conseguido atravessar o oceano?

"Os enxames voam durante o dia, aumentando a probabilidade de que as correntes ascendentes os transportem para altas altitudes, onde os ventos fortes os transportam", explica Lovejoy. "Apesar disso, sabemos que os gafanhotos não têm gordura suficiente para sustentar um voo que permita atravessar o Atlântico."

Uma possibilidade é que entre os muitos milhões de gafanhotos, alguns fossem verdadeiramente excepcionais, com gordura suficiente para de alguma forma sobreviver à viagem. Mas em Outubro de 1988 um enxame de gafanhotos do deserto atravessou o Atlântico desde África às Caraíbas. Os ilhéus relataram que os insectos voavam em enormes enxames e chegavam em múltiplas vagas, aparentemente eliminando esta hipótese.

Outra possibilidade é que os gafanhotos que voassem na frente do enxame tivessem, eventualmente, sucumbido de exaustão e morrido no oceano, originando uma espécie de jangada de animais mortos. Os outros gafanhotos poderiam ter posado nessas jangadas.

"Os gafanhotos são canibais, logo parece muito provável que se alimentassem dos cadáveres, obtendo energia suficiente para voarem distâncias maiores", diz Greg Sword, ecologista do Departamento de Agricultura americano e co-autor do estudo, que será publicado na revista Proceedings of the Royal Society of London.

Como um único enxame pode conter milhares de milhões gafanhotos, poderia criar uma série de jangadas de cadáveres e ainda conter número suficiente de insectos vivos para alcançar as Américas em grande número.

Sword entrevistou as populações das ilhas Barbados, que relataram ter observado pilhas de gafanhotos a dar à costa nas praias durante dias seguidos em 1988, o que parece consistente com a hipótese de que os gafanhotos sobreviventes poderiam ter descansado nessas jangadas. "Apesar de parecer extraordinário, esta é a hipótese mais provável para explicar como os gafanhotos terão atravessado o Atlântico", diz Sword.

 

 

Saber mais:

Ohio State University

Proceedings of the Royal Society of London

University of Toronto

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2006


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com