2005-12-28

Subject: Investigação revela que Hwang mentiu

 

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Investigação revela que Hwang mentiu

 

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Uma investigação rápida sobre o trabalho do investigador de células estaminais Woo Suk Hwang da Universidade de Seul forneceu um veredicto inicial condenatório: grande quantidade de dados do seu trabalho pioneiro de 2005 sobre células estaminais específicas para os pacientes foram fabricados.

Espera-se que novas investigações revelem se alguma das linhagens de células estaminais específicas dos pacientes que Hwang alegou ter criado são na realidade aquilo que pretendem ser. A universidade também está a investigar um artigo anterior, publicado na revista Science, em que Hwang relatava o primeiro sucesso na produção de células estaminais a partir de um embrião humano clonado, e um artigo mais recente, publicado na revista Nature, em que ele relatava a clonagem do primeiro cão.

A equipa de investigação da universidade reuniu-se a 15 de Dezembro de 2005. A 23 de Dezembro anunciou numa conferência de imprensa televisiva que os dados do artigo da Science de 2005 provinham de apenas duas linhagens de células e não de 11 como se alegava. Isto "não pode ser devido a um simples engano mas tem que ser uma manipulação deliberada", diziam.

"Assim, o artigo do professor Hwang na revista Science viola a mais fundamental ética da investigação científica", diz um comunicado fornecido por Jung Hye Roe, chefe do departamento de investigação da Universidade Nacional de Seul.

No caso das 9 linhagens de células estaminais de que não há provas, os testes de DNA revelaram-se inúteis. Os testes de DNA estão agora a ser realizados sob a égide da universidade para verificar se as duas linhagens de células que restam são de facto clonadas a partir de pacientes específicos, como se alega no artigo.

Roe disse na conferência de imprensa que "não há forma de o professor Hwang não estar envolvido", apesar da extensão do seu envolvimento permanecer pouco clara. Hwang já entregou a sua demissão à universidade mas insiste que as duas linhagens restantes serão validadas.

Também não é claro se e até que ponto os co-autores de Hwang sabiam ou estavam envolvidos em qualquer tipo de engano científico. Existem 25 autores no artigo de 2005 e 15 autores no de 2004, num total de 32 pessoas.

Um dos co-autores de Hwang no artigo de 2004 na Science é Ky Young Park, um botânico e conselheiro presidencial para a ciência e tecnologia. Park escreveu na Nature a 20 de Dezembro que o Gabinete Presidencial iria emitir um comunicado oficial logo que a investigação estivesse concluída, pois o governo sul coreano financiou o trabalho de Hwang com milhares de milhões de euros.

 

Dois co-autores muito conhecidos do artigo de 2005, Gerald Schatten da Universidade de Pittsburgh, Pennsylvania, e o especialista em fertilidade Sung Il Roh do Hospital MizMedi de Seul, tentaram recentemente distanciar-se profissionalmente de Hwang. A co-autora Curie Ahn, perita em transplantes da Universidade de Seul e que tem sido a porta-voz do grupo nos últimos meses, disse à revista Nature a 21 de Dezembro que não estava envolvida na criação de células estaminais mas apenas no trabalho clínico. 

Das 11 linhagens de células estaminais apresentadas no artigo de 2005 da  Science, os investigadores descobriram que 4 tinham morrido após contaminação com fungos em Janeiro de 2005 logo não puderam ser investigadas. No caso de duas outras linhagens, também não existem registos. Três outras linhagens ainda não tinham sido confirmadas como células estaminais quando o artigo foi submetido à Science, logo também aqui houve manipulação.

Se se verificar que as linhagens de células estaminais não foram clonadas a partir de pacientes específicos, isso será um forte golpe para a comunidade que investiga este tema. Mais nenhuma equipa de investigadores foi capaz de provar que seja possível criar células estaminais embrionárias iguais a um paciente específico. Um feito desse tipo abriria caminho para a produção de células e tecidos de substituição, uma técnica conhecida por clonagem terapêutica. A fraude de Hwang terá um impacto devastador no campo.

Os funcionários ainda não revelaram quando a sua investigação terminará e as revistas Nature e Science estão também a realizar os seus próprios inquéritos. O Ministério Público coreano também tenciona investigar a situação.

Comentando esta conferência de imprensa, Jack Price, neurobiólogo do desenvolvimento no Instituto de Psiquiatria de Londres, refere: "Acho que devíamos ter desconfiado da velocidade com que as dificuldades eram ultrapassadas, dificuldades com que outros laboratórios se debatiam à anos. Acho que a pressão para ser bem sucedido era demasiado grande, com tanto investimento nele pelo estado coreano. É um colapso espectacular."

 

 

Saber mais:

SNU

Science

Sucesso sul-coreano na clonagem era falso?

Coreia do Sul apresenta primeiro cão clonado

 

 

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