2005-12-26

Subject: Mangais salvaram muitas vidas após o tsunami

 

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Mangais salvaram muitas vidas após o tsunami

 

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As florestas de mangal saudáveis ajudaram a salvar muitas vidas no tsunami asiático de há um ano, revela um novo relatório agora publicado.

A World Conservation Union (IUCN) comparou o número de mortos entre duas vilas do Sri Lanka que foram atingidas pelas devastadoras ondas gigantes e concluiu que duas pessoas morreram na povoação localizada na densa floresta de mangal, enquanto cerca de 6000 morreram na outra, que não tinha esse tipo de vegetação.

Muitas das antigas florestas de mangais foram derrubadas para a construção de quintas de camarão e estâncias turísticas. A IUCN considera que este facto mostra que os ecossistemas saudáveis actuaram como barreiras naturais.

"Salvaram muitas vidas e propriedade", diz Vimukthi Weeratunga, coordenador para a biodiversidade desta organização no Sri Lanka. "Realizámos uma avaliação ecológica dos danos causados pelo tsunami. Em algumas áreas os danos foram mínimos e a vegetação do mangal teve papel importante."

Investigações anteriores já tinham mostrado que os mangais conseguem absorver entre 70 e 90% da energia de uma onda normal. No entanto, não existem dados fiáveis sobre a forma como a vegetação mitiga o impacto de um tsunami.

Muitas pessoas que viviam em zonas costeiras agora querem ver as suas comunidades beneficiar da aparente protecção oferecida pelas florestas de mangal. "Após o tsunami as pessoas passaram a respeitar mais estas barreiras naturais", diz Weeratunga. "Agora todos querem mangais nas zonas costeiras mas isso não funciona assim."

Os recifes de coral também estavam no percurso directo do tsunami e os receios iniciais foram aliviados pelos estudos iniciais que mostraram que os danos não tinham sido generalizados nem a longo prazo.

Ainda assim, os recifes não escaparam intocados. Resíduos e partículas foram arrastados da costa para o mar e cobriram os recifes. Doze meses depois, a IUCN descobriu que os recifes saudáveis antes do tsunami estão a recuperar mais depressa que os que já estavam degradados.

Lucy Emerton, chefe do grupo para os ecossistemas e modo de vida asiático desta organização, explica porquê. "Os recifes saudáveis são muito mais robustos em termos de recuperação de desastres naturais ou causados pelo Homem."

Muitos dos recifes do oceano Índico tinham sido danificados por pesca com dinamite, mineração do coral e branqueamento. A protecção que os ecossistemas marinhos e costeiros saudáveis forneceram salientou a necessidade de políticas ambientais eficazes, diz Emerton.

"Foi imediatamente óbvio o papel importante das florestas de mangal, zonas húmidas e recifes de coral no atenuar do impacto do tsunami. Foi um importante passo em frente na criação de sistemas de gestão integrada das costas."

 

Um exemplo de como essas políticas estão a ser postas em prática é a recente declaração de dois novos santuários para tartarugas no sul do Sri Lanka. Noutros locais, quatro grupos ambientalistas internacionais, liderados pela Wetlands International, lançaram um projecto baptizado Green Coast.

Trabalhando lado a lado com os governos locais e companhias de construção, o projecto espera reabilitar o ambiente em zonas afectadas pelo desastre.

Tanto as florestas de mangal como os recifes de coral que se encontram em zonas costeiras fornecem protecção vital e locais de reprodução para os peixes, uma fonte de rendimento e comida para a população local.

Um relatório publicado pelo WorldFish Center alerta para a boa vontade dos dadores poder causar mais mal que bem, a longo prazo. "Há um perigo real de voltarmos a colocar estas comunidades na espiral descendente da pesca insustentável. O governo indonésio estima que existissem 10500 barcos perdidos em Aceh. Destes 2500 foram reparados e foram construídos perto de 10800. Agora temos mais 2800 barcos do que no início."

Os últimos números da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) mostram que as capturas de peixe em Aceh para 2005 desceram 41% para espécies marinhas e 26% para aquacultura de mangal.

O Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) publicou um relatório em Novembro salientando os desafios de enfrentar um enorme esforço de ajuda humanitária sem danificar o ambiente.

Alertava também para a captação desregrada de água, acumulação de resíduos, reconstrução caótica de casas e abate insustentável de árvores poder resultar em mais danos ambientais, conduzindo a pobreza e maior vulnerabilidade a desastres futuros.

 

 

Saber mais:

IUCN

Green Coast project

WorldFish Center

UNEP

FAO

 

 

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