2005-12-23

Subject: Hipopótamos estão a desaparecer de lagos africanos

 

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Hipopótamos estão a desaparecer de lagos africanos

 

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Os hipopótamos do Parque Nacional de Virunga na República Democrática do Congo (RDC) estão à beira da extinção devido à caça furtiva generalizada pelos seus dentes e carne, alertam os conservacionistas.

O parque foi em tempos lar de uma das maiores populações de hipopótamos do mundo, com mais de 29000 indivíduos em 1974 mas anos de guerra civil e de caça furtiva descontrolada estão a cobrar um preço demasiado elevado à vida selvagem da zona e actualmente apenas restam 850 hipopótamos em Virunga.

O declínio dos hipopótamos também teve um impacto devastador na vida de milhares de pescadores que vivem nas margens do lago Edward, localizado no interior do parque.

Cerca de 10000 hipopótamos já nadaram no lago mas o censo mais recente mostra que restam menos de 600. A dramática queda no efectivo destes animais resultou no igualmente rápido declínio dos stocks pesqueiros do lago Edward, pois o estrume dos hipopótamos fornece nutrientes vitais aos peixes.

"A situação é muito grave", diz Robert Muir, representante da RDC na Frankfurt Zoological Society na Alemanha. "Há grande probabilidade de os restantes hipopótamos serem abatidos a tiro no próximo ano ou dois."

O Parque Nacional Virunga está localizado ao longo da fronteira entre o Ruanda e o Uganda, foi criado em 1925 e é a área protegida mais antiga da RDC, bem como a que apresenta maior diversidade biológica do continente.

Mas uma brutal guerra civil, que já dura há mais de uma década, envolvendo tropas governamentais e uma multitude de milícias deixou a região num caos. Os acampamentos de refugiados e de pessoal militar no parque resultou em caça furtiva em larga escala.

"Soldados à solta no parque sem receberem soldo é uma receita para o desastre", diz Marc Languy, porta-voz do programa regional para o leste de África do World Wildlife Fund. Em tempos de crise, a carne de hipopótamo tem-se tornado muito valiosa, atingindo €0,55 a €1,10 por quilo no mercado negro. Os seus caninos também acabam frequentemente no mercado negro do marfim.

 

Os hipopótamos são também um elo importante na cadeia alimentar local.

"Muitos animais que se alimentam de grandes quantidades de biomassa, como os hipopótamos que se alimentam de erva, têm um efeito importante no ecossistema", diz Richard Ruggiero, o responsável pelo programa africano do Fish and Wildlife Service americano. "Os hipopótamos não só consumem enormes quantidades de erva mas também a digerem e depositam no ecossistema aquático, fertilizando-o", diz ele.

Cada hipopótamo deposita cerca de 27 Kg de estrume no lago Edward todos os dias, que vai alimentar plâncton microscópico consumido por larvas e vermes. Estes, por sua vez, alimentam os peixes do lago, fonte de alimento para os pescadores da zona do parque.

Ao mesmo tempo, milhares de pessoas estão ilegalmente na zona do lago Edward. Cerca de 800 barcos estão legalmente registados para pescar no lago mas devem estar 2000 barcos a pescar.

"Tudo isto é sintoma de sobre-exploração", diz Muir, acrescentando que mais de 30 espécies de peixes já se extinguiram no lago Edward. "Há sinais claros que as populações de peixe estão em colapso."

O zoo, com financiamento da União Europeia, UNESCO e do Fish and Wildlife Service, contratou recentemente Conrad Thorpe, antigo British Royal Marine, para dar aos rangers locais treino anti-caça furtiva. 

"De modo geral, os rangers são considerados persona non grata por quase todos", diz Thorpe. "Não podem beber ou comer em certas aldeias por medo de envenenamento."

Mas existem sinais que a segurança já está a aumentar. Enquanto em 2004 ocorreram pelo menos 13 ataques a postos de patrulha e estações do parque, apenas um par de ocorrências foram registadas em 2005. 

 

 

Saber mais:

Frankfurt Zoological Society

World Wildlife Fund

 

 

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