2005-12-17

Subject: Caracóis lançam ataque às zonas húmidas americanas

 

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Caracóis lançam ataque às zonas húmidas americanas

 

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Verdadeiros enxames de caracóis devoradores de fungos têm vindo a destruir quilómetros de zonas húmidas costeiras americanas, zonas já sob intensa pressão devido à seca, dizem investigadores dos estados do sul do pais. 

O aquecimento global, acrescentam eles, pode exacerbar o colapso ecológico que permitiu a estes moluscos vegetarianos ter uma vantagem adaptativa no local.

O caracol dos pântanos Littoraria irrorata pode ser muito engraçado para algumas pessoas, tem cerca de 2,5 centímetros de comprimento e tem um inteligente truque para obter alimento: raspa a superfície das ervas do pântano, criando um substrato perfeito para o desenvolvimento de fungos saborosos e nutritivos.

Mas quando os caracóis se começam a juntar em grande número a coisa começa a ficar feia.

Os caracóis pastam sobre Spartina alterniflora, uma planta do pântano que cresce em vastos campos nas zonas costeiras dos estados do sul americano, desde a costa atlântica até ao Louisiana. 

Geralmente a erva e os caracóis vivem em harmonia mas entre 1999 e 2001 a região sofreu uma forte seca, tornando a erva mais susceptível às infestações de fungos e caracóis, explica Brian Silliman, investigador principal e responsável pelo estudo na Universidade da Florida em Gainesville.

Modelos climáticos prevêem que as secas se tornem mais frequentes e prolongadas num mundo em aquecimento, colocando os ecossistemas costeiros sob uma pressão ainda maior.

Numa parte das zonas húmidas do Louisiana, Silliman contou 2000 caracóis por metro quadrado. "Havia camadas e camadas de caracóis sobre as ervas. Normalmente as ervas têm 1,5 metros de altura mas ali tinha sido comprimida para apenas 40 cm de altura", diz ele. "Havia caracóis em todos os milímetros das plantas."

Quando as ervas tinham sido completamente desgastadas, os caracóis afastavam-se a um passo muito pouco condizente com a sua fama, 15 metros por hora, em busca de pastagens mais verdes.

Mais de 250000 acres da linha costeira dos estados do sul já morreu nos últimos seis anos. Em locais como a Louisiana, outros factores relacionados com o desenvolvimento humano também tiveram um papel crucial mas os caracóis certamente contribuíram para o surgimento das vastas zonas de lama estéril que se encontram em muitas das zonas húmidas locais, considera Silliman.

 

Para o demonstrar, ele e a sua equipa criaram zonas livres de caracóis em pântanos através da colocação de vedações que impediam a sua aproximação. A erva Spartina floresceu nessas zonas mas morreu fora delas. 

Os investigadores também simularam os efeitos da seca aumentando a salinidade de certas zonas dos pântanos. Nessas áreas, a erva tornou-se mais frágil e pouco saudável e os caracóis aumentaram de número. Os resultados completos deste estudo surgem publicados na última edição da revista científica Science.

A ideia de que zonas húmidas enfraquecidas podem levar a explosões de populações de herbívoros não é novidade, diz Bill Mitsch, um perito em zonas húmidas da Universidade Estatal do Ohio em Columbus. Mas Silliman e a sua equipa foram um passo mais a frente ao propor que os caracóis podem ser a causa de tamanha razia.

Mitsch não está inteiramente convencido acerca do forte impacto dos caracóis, mas salienta que o estudo sugere de forma perturbante que outras áreas costeiras, como as floresta de mangal, podem ser igualmente vulneráveis.

Silliman está agora a analisar o ambiente costeiro da Argentina, que é dominado por outro herbívoro, um caranguejo, tentando perceber se também eles estão a dominar a vegetação enfraquecida pela seca.

Desde 2001, as zonas húmidas americanas têm vindo a recuperar da seca e as ervas estão a retomar o crescimento, apesar de muitas áreas terem sido novamente devastadas pelas inundações que se seguiram à passagem do furacão Katrina.

 

 

Saber mais:

Intergovernmental Panel on Climate Change

Caracóis cultivam os seus próprios fungos

 

 

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