2005-12-14

Subject: Orcas são os animais árcticos mais contaminados

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

Orcas são os animais árcticos mais contaminados

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

As orcas árcticas estão fortemente contaminadas com químicos de origem humana e são agora consideradas os animais mais tóxicos da região, revela um novo estudo agora conhecido.

Estes mamíferos marinhos apresentam níveis preocupantemente altos de PCB, pesticidas e retardantes de fogo ricos em brometos.

"Esta nova pesquisa sobre orcas reconfirma que o Árctico é actualmente um sumidouro de produtos tóxicos", diz Brettania Walker, responsável pelo tema dos resíduos tóxicos no World Wildlife Fund (WWF) através do seu Programa Árctico Internacional. "Químicos de produtos da nossa vida diária estão a contaminar a vida selvagem árctica."

O WWF ajudou a financiar Hans Wolkers, um toxicólogo do Instituto Polar Norueguês (IPN), que recolheu amostras de gordura de orcas Orcinus orca em Tysfjord, Noruega.

Wolkers seguiu as esquivas baleias e arpoou-as com uma pistola especial que remove uma amostra de tecidos onde se testa o nível de toxinas neles retido.

"É difícil aproximarmo-nos e tivemos alguns problemas com o equipamento, pois não estava adequado ao tamanho destes cetáceos", refere ele. "Estava concebido para golfinhos e as orcas são do tamanho de elefantes."

Wolkers descobriu que as baleias retinham ainda mais toxinas que os ursos polares, que se acreditava serem os animais mais tóxicos da região, o que levanta a questão: Como é que um dos locais mais selvagens e isolados do planeta se tornou um depósito destes químicos tóxicos?

"A maioria destes químicos não são produzidos ou usados de forma generalizada no Árctico", diz Walker, "mas a atmosfera e as correntes oceânicas vão, predominantemente, em direcção a norte. Assim, o destino final destes poluentes, usados nos países industrializados e cada vez mais nos países em vias de desenvolvimento, é o Árctico."

Uma vez no norte, os químicos decompõem-se lentamente devido à relativa ausência de luz do Sol e temperaturas amenas. "As orcas podem ser consideradas como indicadores da saúde dos nossos ecossistemas marinhos", diz Wolkers. 

"O nível elevado de contaminantes é muito alarmante, pois mostram claramente que os oceanos árcticos não são tão limpos como deveriam ser, o que afecta em particular os animais localizados no topo da cadeia alimentar."

Quando os animais ingerem químicos como os PCB, as toxinas não são metabolizadas no corpo mas armazenadas no tecido adiposo. Este tipo de químico é conhecido por poluentes orgânicos persistentes.

Através de um processo designado bio-acumulação, os animais nos níveis mais elevados da cadeia alimentar ingerem e armazenam concentrações mais elevadas destes químicos. Porque as toxinas se ligam quimicamente aos lípidos, os animais que têm camadas de gordura isolante do Árctico são particularmente susceptíveis à situação.

As orcas, muitas vezes consideradas os lobos do mar, são predadores de topo, alimentando-se de presas que incluem outros animais com camadas de gordura, como morsas, focas, leões marinhos e mesmo outras baleias.

Para além disso, as toxinas amantes da gordura, têm um impacto directo na próxima geração de baleias, através do leite materno. Os mamíferos marinhos produzem leite muito rico, com 30 a 70% de gordura.

 

"Quando utilizam essas reservas de gordura para alimentar as crias, as toxinas surgem do leite, expondo os jovens a uma elevada concentração numa altura crítica, durante o seu desenvolvimento", salienta Walker.

Os efeitos destas toxinas não foram estudados nas baleias e Wolkers planeia começar esse estudo no próximo ano. No entanto, noutro grande estudo sobre animais árcticos de grande porte, como os ursos polares e focas, estas toxinas causam comprovadamente graves problemas de saúde.

"Muitos dos químicos, como os PCB, afectam o sistema hormonal e a reprodução, logo estamos muito preocupados com a gravidez das baleias e a taxa de sobrevivência das crias", explica Walker. Ele também refere que estudos mostram que as toxinas têm impacto sobre hormonas que controlam o metabolismo, bem como sobre a capacidade do sistema imunitário para proteger os animais de doenças.

Entretanto, os peritos alertam para o facto de não existir solução imediata para a redução da quantidade de toxinas no Árctico. Por exemplo, alguns PCB revelados no estudo das orcas já estão proibidos desde a década de 80 do século passado.

"Não sabemos quanto tempo estes químicos irão persistir no ambiente", diz Walker, que apelou a que os químicos perigosos fossem proibidos pelos governos sempre que possível.

Os PCB e muitos pesticidas perigosos já estão proibidos ao abrigo da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, que entrou em vigor em 2004. Muitos já estão proibidos ou substituídos há mais de duas décadas, mas também é verdade que a maioria dos retardantes de fogo com brometos, usados desde a tapetes a computadores, não estão proibidos e continuam a ser fortemente usados.

Helen Bjørnøy, ministra norueguesa do ambiente, disse num comunicado que gostaria que essa situação fosse alterada. "A contaminação tóxica das orcas mostra claramente o resultado de uma utilização não sustentada destes químicos internacionalmente", diz ela. "Esta é uma das maiores ameaças ambientais globais. Os ministros da União Europeia têm agora a possibilidade de reforçar a legislação sobre químicos na Europa, espero que a usem."

Walker comentou que apesar de muitos desses químicos terem longa vida no ambiente, os efeitos positivos da redução do seu uso têm início muito antes do seu desaparecimento.

"As boas notícias é que se analisarmos as toxinas que foram proibidas ao abrigo da Convenção de Estocolmo, já se nota uma descida dos seus níveis no ambiente", diz ela. "Só porque uma toxina foi proibida não significa que deixemos de a ter imediatamente, mas nota-se uma diferença. Quanto mais cedo deixarmos de os usar, melhor."

 

 

Saber mais:

Instituto Polar Norueguês

WWF - Campanha Detox

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2005


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com