2005-12-03

Subject: Afinal o que se passa na Cimeira de Montreal?

 

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Afinal o que se passa na Cimeira de Montreal?

 

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Quando se atinge a metade dos trabalhos na Cimeira das nações Unidas sobre as alterações climáticas em Montreal, as organizações ambientalistas estão a começar a ter dificuldade em decidir quem é o mais recente vilão deste drama infindável.

Normalmente é bastante fácil. Os Estados Unidos da América são sempre um forte candidato ao prémio "Fóssil do dia", atribuído pelos grupos ambientalistas pela sua rejeição ao protocolo de Kyoto, seguidos de perto pela Arábia Saudita pelo que são consideradas as suas tácticas obstrutivas. 

Após os discursos de abertura recusando qualquer envolvimento em conversações sobre acções globais futuras sobre alterações climáticas, a delegação americana tem estado bastante sossegada, principalmente porque as discussões se têm centrado nos detalhes do protocolo, do qual os Estados Unidos se excluíram.

Assim, foi com alguma surpresa que os delegados assistiram à entrega do prémio, anunciado todas as tardes numa pequena cerimónia no Palais des Congres, tinha sido atribuído ao Japão.

Os jornalistas foram informados que o pecado da delegação japonesa foi apresentar à mesa um artigo intitulado "Proposta de critérios para casos de falha de entrega de informação sobre as estimativas de emissões de gases de efeito de estufa por fontes e sua remoção por sumidouros segundo os artigos 3.3 e 3.4 do Protocolo de Kyoto".

De alguma forma, os activistas que estão tão imersos nos procedimentos labirínticos da questão das alterações climáticas parecem ter perdido de vista a forma de comunicar a sua mensagem às restantes seis mil milhões de pessoas deste planeta.

Outro exemplo desta situação surgiu durante a semana passada quando líderes comunitários foram trazidos de África para a gelada Montreal como forma de apoio a uma proposta para proteger as florestas do mundo.

O slogan nos posters dizia "Apoiem o número seis da agenda agora!" Pode ter uma certa sonoridade interessante mas não é tão impressionante como "Salvem as baleias" ou "Não ao nuclear".

Para se ser justo, não são apenas os activistas pelo ambiente que estão a falar um outro tipo de linguagem nestas conferências, o mesmo se aplica aos delegados governamentais, aos grupos de pressão das grandes empresas e, por vezes, até os jornalistas que passam demasiado tempo a cobrir estes acontecimentos.

 

Esta alteração levou a que já exista uma segunda geração de defensores do ambiente que foram criados a saber exactamente o que significam as reduções certificadas de emissões, a implementação conjunta e os acordos de Marrakech.

Já agora, os acordos de Marrakech são uma série de protocolos assinados em Marrocos em 2001, após penosas negociações, sobre as regras sobre como alcançar os objectivos traçados pelo protocolo de Kyoto.

Dado que o protocolo de Kyoto apenas entrou em vigor este ano, só nesta conferência os acordos passaram a ser parte da lei internacional, numa série de decisões unânimes imediatamente apelidadas de históricas pelos organizadores da conferência.

Isto pode ter sido apenas o carimbar de decisões tomadas há 4 anos mas num processo tão conturbado como este tem sido, atravessar qualquer curso de água sem bater numa rocha é, compreensivelmente causa de grande celebração.

Saliente-se o facto de que a aplicação do sistema de Kyoto ainda não está fora de perigo. Uma objecção processual da Arábia Saudita significa que os sistema de aplicação destas regras ainda não foi acordado. Suspeita-se que esteja a ser mantido como moeda de troca para a obtenção de outras concessões, algures mais à frente na conferência.

O grande desafio no final desta conferência será julgar se foi um sucesso ou um fracasso em termos de assegurar o futuro a longo prazo das acções sobre as alterações climáticas. Ainda maior desafio será verificar se os cerca de 8000 participantes vão conseguir explicar ao resto do planeta o que lá se passou. 

 

 

Saber mais:

Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas

Protocolo de Kyoto

 

 

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