2005-12-02

Subject: Escreve poemas e passarás a "ter mais sorte"

 

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Escreve poemas e passarás a "ter mais sorte"

 

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As pessoas criativas têm mais parceiros sexuais que os restantes, dizem psicólogos. 

Este par de investigadores estudou mais ou menos uma centena de artistas e poetas, e alegam que características semelhantes às dos esquizofrénicos explicam o sucesso destas pessoas perante os membros do sexo oposto.

É sabido que os esquizofrénicos e os artistas partilham algumas características, ao mesmo tempo que se apresentam como uma espécie de enigma para os psicólogos evolutivos. 

Nem o talento artístico nem a esquizofrenia fornecem um benefício reprodutivo óbvio, nem isso era de esperar, mas será que a sua própria existência sugere que podem, afinal, tê-lo?

Os investigadores britânicos Daniel Nettle, da Universidade de Newcastle upon Tyne, e Helen Keenoo, da Universidade Aberta de Milton Keynes, decidiram investigar a questão analisando 425 artistas visuais e poetas  profissionais, amadores e pessoas normais. Descobriram que os artistas activos tinham, em média, 5 ou 6 parceiros sexuais, enquanto as pessoas sem ambições artísticas tinham, quando muito, 4.

"Penso que a situação tem a ver com a ambição", diz Nettle acerca do sucesso sexual dos artistas. "As formas de arte prendem a atenção das pessoas, podem ser um poderoso afrodisíaco."

O estudo também mediu as características psicológicas associadas à esquizofrenia. Os resultados mostram que a posse de uma característica, a tendência para interpretações pouco habituais, estava associada à actividade artística, que, por sua vez, estava associada a mais parceiros.

Os críticos salientam que esta característica esquizofrénica não está directamente associada ao aumento do número de parceiros sexuais, e que apesar de uma atitude pouco convencional relativamente às convenções sociais (outra característica da esquizofrenia) estar directamente associada ao aumento do número de parceiros, não está associada a tendências artísticas.

Charles Crawford, um psicólogo evolutivo da Universidade Simon Fraser em Burnaby, Canadá, aplaude o estudo por tentar atribuir números a uma suspeita antiga de que a criatividade tem um papel evolutivo, mas está surpreso com o facto de que os artistas masculinos não terem mais sucesso que as suas colegas femininas.

"Tendo em conta as exigências da gravidez, ter mais parceiros não ajuda necessariamente uma mulher a ter mais crianças", diz Crawford, "mas para um homem já o faz." Assim, pode-se ser levado a usar estas descobertas para defender uma associação entre a criatividade e o sucesso reprodutivo, em vez da associação entre a criatividade e o número de parceiros.

 

A sugestão de Nettle é que os trabalhos criativos são como as exibições que os animais desenvolveram para atrair parceiros. "Funcionam como indicadores de qualidade pois são difíceis de manter", alega ele. "Tal como é difícil manter uma fantástica e imensa cauda de pavão, não é fácil ser um artista de sucesso mas pode-nos ajudar a reproduzirmo-nos e a passar os nossos genes."

Mesmo que algumas características esquizofrénicas estejam associadas ao sucesso sexual, outras dessa categoria incluem como por exemplo o ser socialmente retraído ou a falta de interesse no que nos rodeia, e estas reduzem o número de parceiros sexuais. 

Assim, Nettle sugere que as características mentais associadas com a esquizofrenia e a criatividade são retidas na população como resultado de um equilíbrio evolutivo. "Mostrámos que algumas destas características podem aumentar o número de parceiros, logo seria de esperar que se tornassem mais frequentes", refere ele, "mas em outros indivíduos elas manifestam apenas uma doença mental."

É claro que a assunção de que a correlação entre as características esquizofrénicas, a criatividade e o número de parceiros indicam uma relação causal pode muito bem ser posta em causa.

Crawford diz que se trata de um estudo muito interessante e provocante mas apenas preliminar. "Antes de acreditar nele, quero ver amostras maiores e uma análise cuidadosa das diferenças entre os sexos."

Nettle concorda e refere que planeia investigar o lado social do sucesso sexual dos artistas. "Este tipo de trabalho não pode dar pistas sobre a forma de obter mais parceiros sexuais, mas gostaria de analisar a forma como os artistas o conseguem. A minha intuição diz-me que têm uma liberdade de que outros não beneficiam." 

 

 

Saber mais:

Open University

Daniel Nettle

Charles Crawford

 

 

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