2003-12-15

Subject: Vermes mutantes "aguentam" a bebida

News of the Wild

 

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Em destaque:

Vermes mutantes  "aguentam" a bebida

 

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Alguns vermes conseguem mesmo aguentar a bebida: um acaso genético torna-os imunes ao efeito do álcool, revelaram cientistas. O estudo agora publicado pode explicar porque um cálice de licor faz algumas pessoas ficarem bêbadas, deixando outras inalteradas. Pode, igualmente, revelar-se uma importante ajuda no desenvolvimento de novas terapias contra o alcoolismo. 

Se se der álcool a um verme nemátodo normal ele irá ficar embriagado, explica Steve McIntire da Universidade da Califórnia, San Francisco. Estes vermes bêbados têm movimentos menos vigorosos e põem menos ovos, caindo, eventualmente num estado letárgico profundo. 

No entanto, alguns vermes mutantes podem absorver o equivalente humano necessário para não permitir a condução e têm um comportamento aparentemente normal. Estes animais resistentes ao álcool têm uma alteração no gene slo-1, descobriu agora a equipa de McIntire. Alguns dos humanos com elevada tolerância ao álcool partilham esta característica genética. 

O estudo sugere que o gene slo-1 pode controlar a nossa resposta comportamental ao álcool, pois se o gene está alterado o álcool não terá qualquer efeito no organismo. Drogas que alterem este sistema podem alterar a resposta ao álcool, sugere McIntire. 

Terapias relacionadas com este mesmo sistema podem ajudar no tratamento do alcoolismo. Pessoas que não ficam embriagadas facilmente são mais propensas a tornar-se alcoólicas. Qualquer tratamento deste tipo ainda está longe de ser aplicado, alertam os investigadores, por agora é melhor beber responsavelmente em vez de depender de qualquer tipo de droga para minorar os efeitos de uma noite de abusos. 

Algumas pessoas permanecem embriagadas muito mais tempo que outras pois metabolisam o álcool mais lentamente. As mulheres, por exemplo, têm níveis inferiores de álcool desidrogenase, a enzima que degrada o álcool. O gene slo-1 não está, no entanto, envolvido neste processo. 

O gene codifica para um tipo de canal proteico designado canal de potássio, que regula o impulso nervoso. Se estes canais não funcionam ao nível normal, como acontece nos vermes mutantes, os neurónios produzem impulso nervoso da mesma forma, apesar da presença do álcool. Esta situação torna uma taça de champanhe tão potente como um copo de leite. 

Pelo contrário, se estes canais de potássio estão hiperactivos, vão interferir com a comunicação das células cerebrais, despoletando o comportamento anárquico que associamos à embriaguez. Os vermes nemátodos com canais hiperactivos comportam-se como bêbados, mesmo quando não tocaram numa gota de álcool, descobriu este estudo. 

A grande questão levantada por este estudo é se este tipo de canal é igualmente importante no Homem. É bem provável que sim, alega McIntire, pois o álcool afecta a mesma proteína em culturas de células humanas, além de que vermes nemátodos e mamíferos sucumbem a doses equivalentes de álcool. 

 

Outras Notícias:

pensamentos sóbrios

 

Já todos notámos como algumas pessoas bebem quantidades espantosas de álcool e continuam de pé, quando a maioria de nós já estaria em coma. Estas pessoas são alcoólicas, uma doença que surge repetidamente numa dada família: filhos de alcoólicos têm maior probabilidade de se tornarem alcoólicos eles próprios, pois são menos sensíveis às alterações motoras, sensitivas e bioquímicas devidas ao álcool. 

As causas do alcoolismo não são apenas sociais, parece existir uma forte componente genética. Thiele e colegas demonstraram isto mesmo desenvolvendo ratos com comportamento semelhante ao dos alcoólicos. 

Esta estirpe de ratos não apresentam um gene que codifica um de seis segmentos da enzima proteíno-cinase A, que ajuda na propagação de sinais químicos do meio para a "maquinaria" celular que regula a expressão dos genes. 

Os ratos vivem o tempo esperado e aparentemente crescem e comportam-se normalmente. No entanto, obviamente, apresentam problemas a nível cerebral e motor, relacionados com a deficiência enzimática que apresentam. Estes problemas incluem a capacidade de consumir voluntariamente mais álcool que os seus parceiros normais e recuperar mais rapidamente do torpor por ele causado. Estes ratos não bebem apenas mais álcool mas também optam por beber soluções com álcoois mais fortes. 

Outra importante prova da base genética para a sensibilidade ao álcool: trabalhos com moscas da fruta permitiram isolar um gene que codifica a proteína envolvida em funções bioquímicas semelhantes às da dos ratos. Mutações neste gene originam moscas mais sensíveis ao álcool que o normal. 

Thiele e seus colegas mostraram igualmente que ratos que não produzem o neuropéptido Y bebem mais e são mais resistentes ao efeitos do álcool. Este péptido é um importante químico cerebral, envolvido no mesmo conjunto de reacções que a proteíno-cinase A. 

 

 

Saber mais:  

Vermes Nemátodos

Impulso Nervoso

Verme microscópico detém o segredo da vida eterna

 

 

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@ Born to be Wild, 2003


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