2005-11-25

Subject: Níveis de CO2 são os mais altos desde há 650000 anos

 

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Níveis de CO2 são os mais altos desde há 650000 anos

 

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Os actuais níveis do dióxido de carbono e de metano, dois dos mais importantes gases de efeito de estufa, na atmosfera são os maiores desde há 650000 anos. 

Esta é a preocupante conclusão de novos estudos europeus que analisaram o gelo retirado de cerca de 3 Km abaixo da superfície da Antárctica. Os cientistas responsáveis consideram o seu trabalho um alerta para o facto de o aquecimento actual ser algo de excepcional.

Outros trabalhos de pesquisa, também publicados na revista científica Science, sugerem que o nível do mar também pode estar a subir a um ritmo duas vezes superior ao registado nos últimos séculos.

A prova das concentrações atmosféricas dos gases de efeito de estufa provém de uma região da Antárctica conhecida por Dome Concórdia (Dome C).

Ao longo de um período que teve início em 1999, os cientistas que trabalham par ao European Project for Ice Coring na Antárctica (EPICA) perfuraram cerca de 3270 metros no gelo da Dome C, o equivalente a perfurar perto de 900000 anos em direcção ao passado.

As bolhas de gás aprisionadas no gelo fornecem informação importante acerca da mistura de gases presente na atmosfera na altura em que este se formou, bem como sobre a temperatura ambiente.

"Uma das coisas mais importantes é sermos capazes de colocar os actuais níveis de dióxido de carbono e de metano num contexto de longo-prazo", diz o líder do projecto Thomas Stocker da Universidade de Berna, na Suíça. "Descobrimos que o nível actual de CO2 é cerca de 30% mais alto que em qualquer outra altura do registo e o de metano é 130% mais alta. As taxas de aumento são absolutamente excepcionais: para o CO2 são cerca de 200 vezes mais rápidas do que há registo nos últimos 650000 anos."

No ano passado, a equipa do EPICA publicou os primeiros dados do seu estudo mas agora os artigos dados a conhecer analisam a composição e a temperatura da atmosfera desde há 650000 anos. Estes estudos alargam a imagem oferecida por outra amostragem de gelo da Antárctica retirada perto do lago Vostok e que tinha abrangido um período de tempo até 440000 anos em direcção ao passado.

Os dados extra são cruciais pois parecer ter ocorrido há cerca de 420000 anos uma alteração significativa nos padrões climáticos a longo-prazo da Terra. Antes e depois desta data, o planeta atravessou um período de 100000 anos alternadamente com períodos glaciares e interglaciares.

Mas há cerca de 420000 anos, este padrão preciso alterou-se, com o contraste entre as condições quentes e frias a tornarem-se bem mais acentuadas.

 

As amostras de gelo da Dome C fornecem dados sobre seis ciclos de glaciação e aquecimento, dois antes desta alteração e quatro posteriores a ela.

"Descobrimos uma relação muito intima entre o teor de CO2 e a temperatura mesmo antes de há 420000 anos", diz Stocker. "O facto de esta relação se manter ao longo de diversos regimes climáticos é uma indicação muito forte do importante papel do CO2 na regulação do clima."

Os cientistas do projecto EPICA irão agora tentar estender a sua análise ainda mais para trás no tempo.

Outro estudo publicado na mesma revista alega que nos passados 150 anos os níveis do mar têm vindo a aumentar a um ritmo duas vezes superior aos dos séculos precedentes.

Usando dados recolhidos através de válvulas de maré e revendo as descobertas de muitos outros estudos anteriores, investigadores americanos reconstruíram um registo do nível do mar desde há 100 milhões de anos. Calcularam que a presente taxa de subida seja de 2 mm por anos.

"O principal aspecto que se alterou desde o século XIX e o início da era moderna de observações tem sido o aumento generalizado de utilização de combustíveis fósseis e de gases de efeito de estufa na atmosfera", diz Kenneth Miller da Universidade Rutgers.

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, a entidade que recolhe todas as evidências para os responsáveis pelas políticas estatais, concluiu que o nível do mar subiu cerca de 1-2 mm por ano ao longo do último século, devendo continuar a subir até 88 cm durante este século. 

 

 

Saber mais:

EPICA

Science

Universidade de Berna

 

 

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