2005-11-23

Subject: BBC à escuta das conversas entre insectos

 

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BBC à escuta das conversas entre insectos

 

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Avançadas técnicas de câmara e som estão a dar aos cientistas espantosas novas perspectivas sobre o comportamento dos insectos: as lagartas das borboletas azuis grandes comunicam com as formigas, levando-as a cuidar delas como se fossem as suas próprias larvas. Os cientistas pensam agora que estes sons são igualmente ouvidos por vespas, que buscam as lagartas para nelas depositarem os seus ovos.

Esta é apenas uma das muitas histórias que a nova série da BBC Life in the Undergrowth, apresentada por Sir David Attenborough e que começou a ssr transmitida no Reino Unido esta quarta-feira.

"No passado, para nos aproximarmos de alguma coisa tínhamos que lançar sobre esse algo muita luz, tanta que por vezes fritávamos o organismo e garantidamente alterávamos o seu comportamento", explica Sir David. "Mas agora temos câmaras electrónicas tão sensíveis que não precisamos de muita luz, para além de termos lentes minúsculas, que nos dão visões absolutamente de cortar a respiração."

A borboleta alcon azul Maculinea alcon da Europa central é reconhecida desde há muito como uma mestra do engano. As suas lagartas emitem sons e um sinal químico que basicamente ordenam às formigas obreiras que as transportem para o formigueiro, onde são alimentadas, mantidas limpas e cuidadas como se de uma filha da colónia se tratasse.

A lagarta pode viver até dois anos dentro do formigueiro antes de pupar e se transformar numa crisálida, de onde emergirá uma nova borboleta.

Mas no meio de todo este conforto, a lagarta tem um inimigo: a vespa parasita Ichneumon eumerus. Ao contrário das formigas, a vespa reconhece o impostor presente e, no que parece ser uma manobra suicida, entra no formigueiro em busca da lagarta.

Jeremy Thomas, do Centre for Ecology and Hydrology (CEH) de Dorset, Reino Unido, tem vindo a estudar as borboletas azuis grandes desde há 30 anos e descobriu recentemente a forma como a vespa evita a morte no interior do formigueiro, emitindo o seu próprio sinal químico, uma feromona.

Esta feromona não repele as formigas mas leva a que se ataquem umas às outras e no meio da confusão a vespa parte em busca da lagarta e injecta um ovo profundamente no seu corpo.

Quando a vespa deixa o formigueiro tudo regressa ao normal e a lagarta é novamente alimentada e cuidada pelas formigas. Mas, quando se transforma numa crisálida, é devorada a partir do interior pela larva da vespa e é uma nova vespa que emerge da colónia, não uma borboleta alcon azul.

 

Filmar todos estes acontecimentos já foi uma estreia mas o grande avanço científico foi a criação de gravações nítidas dos ruídos produzidos pelas lagartas azuis.

Para além disso, a equipa do CEH foi capaz de mostrar o efeito directo destes sons sobre as formigas. "Pudemos obter sons límpidos e, usando equipamento miniatura, colocámos as lagartas e as formigas a comportarem-se de forma muito mais natural do que no passado", diz Thomas. 

"Para além disso, podemos agora reproduzir os sons para as formigas, o que nos mostrou que estes são específicos para as formigas com que a lagarta vive diariamente. As formigas reagem aos sons de forma positiva, aproximam-se dos microfones e batem-lhes com as antenas."

Mas e as vespas? A hipótese que está a emergir é que também estarão à escuta destes sons. Apesar das formigas serem enganadas de forma a considerarem que a lagarta é uma delas, a vespa não se deixa intrujar.

"O sinal químico usado pela borboleta é tão parecido com os químicos das formigas que as engana mesmo no interior do formigueiro. Não se trata de compostos voláteis, é algo que tem que ser tocado, logo a vespa não pode farejar a lagarta à distância", explica Thomas. "Os sons, pelo contrário, são destinados a viajar longas distâncias, logo suspeitamos que é isso que a vespa está a usar."

 

 

Saber mais:

Life in the Undergrowth

Centre For Ecology and Hydrology, Dorset

Buglife

Butterfly Conservation

 

 

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