2005-11-19

Subject: Dinossauros tinham lanches de ervas

 

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Dinossauros tinham lanches de ervas

 

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Montes de fezes fossilizadas de dinossauro encontradas na Índia revelaram um facto surpreendente: alguns dinossauros comiam ervas!

Apesar das ervas serem as plantas dominantes em muitos habitats de todo o mundo actualmente, pensava-se que apenas teriam surgido cerca de 10 milhões de anos após o desaparecimento dos dinossauros. 

Os dinossauros reinaram num período entre há 275 e 65 milhões de anos, mas o fóssil mais antigo confirmadamente de erva datava de há cerca de 55 milhões de anos, logo estes dois tipos de seres vivos nunca se deviam ter encontrado.

Mas a descoberta de estruturas de sílica características de ervas em fezes fossilizadas de dinossauro mostra que tal aconteceu na realidade. Caroline Strömberg, paleontóloga do Museu Sueco de História Natural de Estocolmo mas a trabalhar na Índia, descobriram sinais de uma variedade de espécies de ervas nas fezes, relata a equipa na revista Science.

A equipa recolheu fezes com 65 milhões de anos aprisionadas nos campos de lava de Deccan no centro da Índia para estudar a dieta dos titanossauros, um grupo de dinossauros gigantescos onde se inclui o conhecido Diplodocus.

De seguida moeram os pedaços de fezes fossilizadas, vulgarmente conhecidas por coprólitos, e procuraram fitólitos, pedaços microscópicos de sílica das células vegetais. Esperavam encontrar evidências da presença de vegetação bem conhecida do período Cretácico, como as coníferas e as cícadas mas também encontraram fitólitos que apenas poderiam ter origem em ervas.

"Foi muito inesperado", diz Strömberg. Ela considera que as descobertas realizadas vieram alterar completamente o que se considerava certo sobre as ervas. "Teremos que rescrever o nosso entendimento da evolução deste tipo de plantas", diz ela. "Vamos ter que acrescentar as ervas aos dioramas de dinossauros que vemos nos museus."

Há muito que os peritos pensavam que as ervas tinham evoluído a par dos herbívoros mamíferos, como os cavalos, camelos e rinocerontes. Uma vez que os herbívoros estivessem presentes, as ervas teriam uma vantagem adaptativa significativa sobre as outras plantas pois projectam-se directamente do solo, não sendo mortas quando o topo da planta é comido. As ervas contém, também, grande quantidade de fitólitos, uma defesa contra mandíbulas esfomeadas.

 

Mas agora parece que os dinossauros ou outro tipo de mamíferos primitivos podem ter sido os primeiros herbívoros a dar o impulso à evolução das ervas. Os dinossauros provavelmente tiveram uma contribuição mínima para este acontecimento, considera Stromberg: quase todos tinham o tipo errado de dentição para arrancar as ervas e os coprólitos de titanossauro indicam que a erva era uma componente menor da sua dieta.

Os melhores candidatos a primeiros herbívoros com uma dieta de ervas pertencem a uma classe de mamíferos conhecida como gondwanatérios. "Eles tinham dentes extremamente altos que se assemelham muito aos dentes dos cavalos e de outros animais de pasto", diz Strömberg.

Ainda se poderá provar que as ervas eram demasiado raras há 65 milhões de anos para serem uma fonte de alimento importante mesmo para os gondwanatérios. Pode muito bem ser que estes animais tenham usado os seus longos dentes para cavar e cortar, da mesma forma que os castores fazem, diz Paul Barrett, perito em dinossauros do Museu de História Natural de Londres. 

Afinal, salienta ele, as grandes planícies cobertas de ervas só se tornaram vulgares há cerca de 25 milhões de anos, logo as ervas não poderiam ser grande fonte de alimento no tempo dos dinossauros.

Independentemente de quais os animais que devoravam estas antigas planícies cobertas de ervas, a nova descoberta tem grande importância para os paleobotânicos e mostra até que ponto os coprólitos podem ser úteis. 

"As pessoas têm tendência para os ignorar", diz Barrett. "Não é uma conversa muito boa para apresentar durante o jantar dizer que se estuda cagalhões fossilizados de dinossauro mas ainda é a melhor forma de descobrir o que estes animais comiam." 

 

 

Saber mais:

Science

Museu Sueco de História Natural

 

 

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