2005-11-15

Subject: Moscas gay perdem os nervos?

 

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Moscas gay perdem os nervos?

 

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Os investigadores conseguiram finalmente detectar com rigor a diferença física entre as moscas macho que foram geneticamente modificadas para se comportarem de forma homossexual e as normais: à variedade alterada falta um conjunto de células nervosas no cérebro.

As moscas geneticamente alteradas que foram criadas de forma a que cortejem os membros do seu próprio sexo, ou ninguém, saltaram para a ribalta nos últimos meses (veja Moscas da fruta em contacto com o seu lado gay), mas ninguém sabia exactamente o que esses genes faziam ou de que forma as moscas diferiam fisicamente das heterossexuais.

Agora, investigadores japoneses encontraram uma diferença física a nível do cérebro.

Os cientistas alertam para o facto de os rituais de acasalamento das moscas da fruta serem muito diferentes dos humanos, tal como o são os nossos cérebros, logo estes resultados não podem ser extrapolados para o Homem. "Não há homólogo do gene fruitless em mamíferos e humanos", salienta Ken-Ichi Kimura da Universidade de Hokkaido em Iwamizawa, Japão.

Mas esse trabalho ajuda os investigadores a compreender os complexos factores genéticos e ambientais que ajudam os animais a escolher os seus parceiros. "Esta descoberta irá fornecer pistas para a compreensão da forma como o comportamento sexual é construído nos circuitos cerebrais através da função de um único gene", acrescenta Kimura.

O comportamento sexual dos insectos já tinha sido alterado anteriormente através da modificação de um gene baptizado fruitless. As moscas da fruta macho Drosophila melanogaster que apresentavam mutações neste gene frequentemente não conseguem produzir uma proteína conhecida por Fru. Estas moscas não participam no habitual ritual de acasalamento de batidas e movimentos que atraem as fêmeas.

Se as moscas macho apresentarem uma mutação menos severa no gene fruitless, que resulta na produção de quantidades inferiores da proteína Fru, vão cortejar os machos e as fêmeas da mesma forma.

Por outro lado, as fêmeas modificadas de forma a possuírem o gene tipicamente masculino fruitless começam repentinamente a cortejar outras fêmeas com a sequência de batidas e movimentos.

Apesar destas alterações de comportamento terem intrigado os investigadores, qualquer diferença anatómica entre as moscas tinha permanecido desconhecida.

 

Para investigar o efeito da proteína Fru, Kimura e a sua equipa dissecaram o cérebro de moscas Drosophila com e sem a mutação fruitless.

Descobriram que os machos normais apresentam um feixe de neurónios no cérebro que as fêmeas não apresenta. Investigações mais detalhadas revelaram que a proteína Fru mantém estas células vivas durante o desenvolvimento inicial das moscas macho.

A equipa japonesa mostrou que as fêmeas homossexuais modificadas para produzir a proteína Fru desenvolvem um conjunto intacto de neurónios, enquanto os machos com mutações no gene fruitless não apresentam estas células nervosas. Os resultados do estudo, que foram publicados na revista Nature, sugerem que a presença desta rede de neurónios no cérebro dos insectos determina quais os parceiros que irão cortejar.

"A ideia de que as diferenças num comportamento altamente complexo como a corte sexual podem ser causadas por um pequeno número de células é muito interessante", diz Toshihiro Kitamoto, investigador na Universidade do Iowa em Iowa City, que tem estudado o cortejamento entre moscas do mesmo sexo. 

Kimura e os seus colegas especulam que a rede neural controlada pela proteína Fru transmite informação acerca das pistas químicas que permitem às moscas reconhecer o sexo do potencial parceiro.

Mas outros peritos alertam para a possibilidade de poderem existir muitas outras, mais subtis, alterações no cérebro e noutros órgãos, que no seu conjunto sejam responsáveis pelas diferenças comportamentais. "A questão mais importante e mais interessante, penso eu, é se esta é a diferença que importa", diz Barry Dickson, investigador da Academia de Ciência Austríaca em Viena, que tem vindo a trabalhar na mutação fruitless em moscas. 

 

 

Saber mais:

Drosophila melanogaster

Moscas da fruta em contacto com o seu lado gay

Primeiros insectos clonados

 

 

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