2005-11-10

Subject: Estão os Estados Unidos a tornar-se hostis à ciência?

 

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Estão os Estados Unidos a tornar-se hostis à ciência?

 

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O duro debate sobre o ensino da evolução nas escolas americanas está a desencadear uma crise de confiança entre os cientistas, ao mesmo tempo que os investigadores mais credenciados alertam para o facto de a própria ciência estar sob ataque.

No mês passado, o presidente interino da Universidade de Cornell e o reitor da Escola de Medicina da Universidade de Stanford comentaram o tema, alertando em termos dramáticos para as consequências a longo prazo desta questão.

"Entre as forças mais significativas é a maré cada vez mais forte de sentimentos anti-ciência que parecem ter um núcleo em Washington mas que se estende por toda a nação", disse Philip Pizzo de  Stanford numa carta aberta publicada no site da universidade.

O presidente em exercício de Cornell Hunter Rawlings, no seu discurso sobre o "Estado da Universidade", mencionou o desafio para a ciência que o "design inteligente" representa, uma teoria que defende que a evolução aceite pela vasta maioria dos cientistas está ferida de morte.

Rawlings referiu que a disputa estava a alargar o fosso político, social, religioso e filosófico entre muitos sectores da sociedade americana. "Quando as divisões ideológicas substituem os debates informados, o resultado é a criação de dogmas e a educação sofre."

Os apoiantes do "design inteligente" argumentam que certas formas de vida são demasiado complexas para ter evoluído através da selecção natural e têm que ter sido criadas por um "designer" ou Criador, que não tem que ser necessariamente identificado com Deus.

Nos últimos cinco anos, a comunidade científica tem surgido frequentemente em conflito com a administração Bush acerca de questões tão diversas como o aquecimento global, a investigação sobre células estaminais e protecção do ambiente. Cientistas proeminentes têm acusado a administração de politizar a ciência, tentando moldar dados de acordo com as suas conveniências e ignorando outras investigações.

Cristãos evangélicos e fundamentalistas conseguiram uma posição poderosa no interior do Partido Republicano e nenhum republicano, incluindo Bush, se pode dar ao luxo de ignorar os seus pontos de vista.

Esta situação foi dramaticamente ilustrada com o caso de Terri Schiavo, em que os Republicanos do Congresso aprovaram uma lei que obrigou a que uma mulher fosse mantida viva num estado vegetativo permanente contra os desejos do marido, e até o próprio Bush veio a público defender a "cultura da vida".

A questão de se o "design inteligente" deve ser ensinado, ou pelo menos mencionado, nas aulas de Biologia das escolas secundárias está a ser debatida num tribunal da Pennsylvania e em muitos distritos escolares de todo o país.

 

O biólogo da Universidade de Brown Kenneth Miller acredita que a retórica do movimento anti-evolução está a cavar um fosso entre uma grande percentagem da população que segue o Cristianismo fundamentalista e a ciência. "Está a alienar os jovens da ciência. Diz-lhes que a comunidade científica não é de confiar e que é necessário abandonar os seus princípios de fé para ser um cientistas, o que é falso."

As sondagens realizadas ao longo dos anos mostram que uma grande maioria dos americanos discordam ou desconfiam da muitas das teorias base da ciência actual. Por exemplo, uma sondagem da CBS realizada este mês mostra que 51% dos entrevistados acreditam que o Homem foi criado na sua forma actual por Deus. Outros 30% responderam que a sua criação foi conduzida por Deus e apenas 15% pensavam que os humanos tinham evoluído de formas menos avançadas de vida ao longo de milhões de anos.

Outras sondagens mostram que apenas um terço dos americanos aceita a teoria do Big Bang para a origem do universo, apesar de o conceito ser virtualmente incontestado por cientistas de todo o mundo.

"Quando se pergunta às pessoas o que sabem sobre ciência, menos de 20% das entrevistados se revelam conhecedores", diz Jon Miller, director do centro de comunicação biomédica da Universidade Northwestern. Segundo ele, a ciência, e especialmente a matemática, são ensinadas de forma muito pobre nos Estados Unidos, conduzindo a uma escassez de bons cientistas e uma ignorância científica generalizada.

Miller refere que a insistência de grande maioria dos americanos em que o Homem foi criado por Deus tem implicações políticas para o futuro. "O século XXI será o século da Biologia e seremos confrontados com centenas de questões políticas importantes que vão requerer uma compreensão de que todas as formas de vida estão interligadas." 

 

 

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