2005-11-08

Subject: Frota baleeira japonesa pronta a zarpar

 

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Frota baleeira japonesa pronta a zarpar

 

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A frota baleeira japonesa está pronta a zarpar para as águas da Antárctida, onde irá fazer a maior caçada à baleia desde há 20 anos. Os navios pretendem capturar perto de 1000 baleias durante os próximos meses.

Desde os anos 80 do século XX que está em vigor uma moratória mundial na caça comercial à baleia mas o Japão descreve este seu programa como "científico".

A caça à baleia é condenada pela maioria dos grupos conservacionistas, que a consideram desumana, desnecessária e potencialmente danosa para as frágeis populações selvagens de mamíferos marinhos.

A frota fez-se ao mar esta terça-feira do porto de Shimonoseki para o primeiro ano de um programa de "investigação" baptizado JARPA-2. 

O programa implica a captura de 935 baleias anãs (também conhecidas por baleias minke) e 10 baleias comuns (também conhecidas por baleias fin) no decorrer do Verão antárctico para "... analisar o ecossistema antárctico, obter modelos de competição entre as diversas espécies de baleias ... elucidar sobre as alterações temporais e espaciais na estrutura dos stocks e melhorar os procedimentos de gestão dos stocks de baleias anãs antárcticas".

O programa JARPA-2 substitui o JARPA-1, que capturou 440 baleias anãs antárcticas por estação. No espaço de dois anos, o programa JARPA-2 pretende expandir a a sua acção à captura de baleias de bossa, a preferida pelos observadores de baleias de todo mundo.

Os críticos acusam o Japão de realizar caça comercial à baleia de forma camuflada, pois a carne dos cetáceos caçados acaba por ser vendida para restaurantes e para escolas. Os mesmos objectivos científicos podem ser atingidos através de métodos não letais, dizem.

"O anúncio do Japão de que pretende matar mais do dobro de baleias anãs e iniciar a captura de duas novas espécies ao longo dos próximos anos já provocou o ultraje internacional no Verão", comenta Philippa Brakes, cientistas da Whale and Dolphin Conservation Society.

"Os baleeiros japoneses sabem que os olhos do mundo estão sobre eles com uma intensidade que não sentiam desde a implementação da moratória", diz ela.

Em Junho, o encontro anual da Comissão Internacional de Caça à Baleia (IWC) aprovou uma resolução condenando o programa JARPA-2 mas a Comissão não tem poder para o impedir, pois qualquer país membro tem autorização para realizar "programas científicos".

Sessenta e três membros do Comité Científico da IWC comentaram na resolução: "Com a nova proposta, o Japão irá aumentar a sua taxa anual de capturas ... para níveis que se aproximam das quotas anuais comerciais para as baleias anãs antárcticas em vigor antes da implementação da moratória. Consequentemente, não conseguimos ... apoiar do ponto de vista científico a proposta JARPA-2."

 

Apesar de estar em vigor a moratória global sobre a caça comercial à baleia, desde 1986, vários países continuam a caçar. O Japão e a Islândia têm em vigor "programas científicos", enquanto a Noruega apresentou uma objecção formal à moratória, que lhes permite manter operações de caça comercial de forma aberta.

Também várias populações nativas têm autorização para caçar, ainda que sujeitas a restrições apertadas. Ainda assim, o volume das operações japonesas torna-o o alvo principal da ira dos grupos conservacionistas.

O Japão também mantém um programa de caça à baleia com "objectivos científicos" no Pacífico norte, conhecido por JARPN, que este ano já levou à morte 100 baleias sei, 100 baleias anãs, 50 baleias de Bryde e 5 cachalotes. 

Os programas do Antárctico e do Pacífico decorrem em períodos diferentes do ano, o que, acusam os conservacionistas, tem como objectivo garantir um fornecimento constante de carne de baleia.

O JARPA-2 originou imensa actividade na Austrália e na Nova Zelândia, países anteriormente muito activos na industria baleeira mas onde actualmente a caça causa repulsa, muita dela devida ao florescimento da industria turística de observação de baleias.

"Estamos a apelar aos governos preocupados com a conservação para enviarem comunicados ao mais alto nível para o primeiro-ministro do Japão", diz Philippa Brakes. "Queremos que essas entidades apelem ao fim desta caça comercial disfarçada de investigação científica."

Tem-se falado nos círculos próximos do governo australiano acerca da possibilidade de negar acesso a portos australianos aos navios japoneses ou processá-los segundo as leis internacionais. Mas oficialmente, o ministro do ambiente australiano, Ian Campbell, parece estar a por de lado medidas punitivas.

A realidade é que, em muitos outros temas, a Austrália, a Nova Zelândia e o Japão são aliados próximos e as preocupações com a industria baleeira não figuram tão alto na agenda diplomática como a segurança ou o comércio.

Apesar de a actividade baleeira do Japão causar preocupação generalizada nos países ocidentais, é apoiada por muitos outros governos. Por isso, o bloco anti-caça não tem um mecanismo que possa forçar o Japão a reduzir ou abandonar completamente as suas operações baleeiras. 

 

 

Saber mais:

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Institute of Cetacean Research

International Whaling Commission

Whale and Dolphin Conservation Society

Caça à baleia pode ter regras mais flexíveis

Após 20 anos, carne de baleia volta às escolas japonesas

Japão planeia criação de aliança pró-caça à baleia

 

 

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