2005-11-05

Subject: Ureia protege os anfíbios dorminhocos

 

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Ureia protege os anfíbios dorminhocos

 

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Não poder fazer um chichizinho decente durante um período de vários meses não parece algo muito divertido mas a acumulação de ureia no corpo dos sapos e rãs parece ajudá-los a sobreviver ao congelamento, dessecação e fome que têm que enfrentar durante o Inverno, conclui um estudo sobre alguns destes sobreviventes das zonas mais a norte do planeta.

A rã da floresta Rana sylvatica vive em zonas tão a norte como o Círculo Polar Árctico e sobrevive ao congelamento de mais de metade da água no seu corpo durante a hibernação.

Com a aproximação do Inverno, os níveis de ureia nestes anfíbios sobe drasticamente, relatam Jon Costanzo e Richard Lee, investigadores da Universidade de Miami em Oxford, Ohio. Durante a hibernação, as rãs quase não urinam e a ureia é reabsorvida pelo corpo, atingindo níveis até 50 vezes o do Verão.

O corpo normalmente elimina a ureia, através da urina, pois a subida do seu nível pode ser perigosa, levando à destruição de muitos componentes celulares em concentrações elevadas.

"A ureia tem uma má reputação", diz Costanzo, mas os níveis elevados nas rãs não parecem causar danos ao animal. Pelo contrário, este resíduo metabólico torna-se um bálsamo.

Para mostrar que a ureia protege as rãs do frio, os investigadores sujeitaram sangue e tecidos destes anfíbios a ciclos de congelamento e descongelamento numa solução de ureia. Nas concentrações presentes nas rãs em hibernação, a ureia protegia as células e os tecidos de danos.

A ureia funcionou tão bem como a glucose, a única outra molécula conhecida por proteger as rãs da floresta do frio, diz Costanzo. A descoberta é descrita na revista The Journal of Experimental Biology.

Tal como outras substâncias que protegem do frio, a ureia é uma molécula pequena capaz de atravessar a membrana citoplasmática, mas como actua exactamente ainda não é claro.

 

Trabalhos anteriores com rãs do deserto tinham mostrado que a ureia ajuda os animais a reter água durante os períodos de seca. O pico de concentração de ureia no Inverno provavelmente protege as rãs da floresta da dessecação devida à neve e ao gelo, considera Costanzo.

O trabalho de Costanzo e de Lee também dá ideia de que a ureia pode ajudar a reduzir a taxa metabólica de forma segura. Usando um corante que mede o consumo de energia, os investigadores descobriram que a ureia parece abrandar o metabolismo do fígado e dos músculos, deixando intactas as funções cruciais dos rins e do coração.

Abrandar o metabolismo conserva energia e as rãs da floresta têm especial interesse nesse aspecto durante os seus meses de sono invernal. A primeira coisa que as rãs fazem na Primavera, logo que acordam, é acasalar, mesmo antes de comer e de ter hipótese de repor as energias.

Jack Layne, que estuda resistência ao frio na Universidade de Slippery Rock na Pennsylvania, considera que descobrir que as rãs da floresta podem aumentar a concentração de ureia não é, por si próprio, surpreendente, pois já as rãs do deserto o faziam.

O que é realmente intrigante, acrescenta Layne, é pensar que as rãs podem estar a usar esta estratégia para resistir ao frio. "Poder-se-ia argumentar que  aumento da concentração de ureia é uma pré-adaptação, que permitiu que a resistência ao congelamento evoluísse." 

 

 

Saber mais:

Vídeo de um sapo a descongelar

 

 

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