2005-11-04

Subject: Os riscos da resposta às alterações climáticas

 

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Em destaque:

Os riscos da resposta às alterações climáticas

 

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Alguns animais estão a responder às alterações climáticas de formas que podem vir a ameaçar a sua sobrevivência, revela um estudo agora conhecido.

Os cientistas mostraram que a migração e reprodução dos chapins-reais, papagaios-do-mar, borboletas Vanessa Vanessa atalanta e muitos outros, estão a ficar dessincronizados com os alimentos disponíveis.

Os investigadores dizem que as aceleradas alterações climáticas, associadas às crescentes pressões sobre o habitat, tornam difícil a estas espécies adaptarem-se. O estudo foi agora publicado na revista Royal Society's journal Proceedings B

Um vasto número de estudos realizados nos últimos anos têm vindo a mostrar que o comportamento de plantas e animais está a alterar-se em resposta às alterações climáticas.

As aves estão a migrar em alturas do ano diferentes, as flores e as larvas emergem mais cedo, peixes e insectos deslocam-se para novas latitudes. A questão central é até que ponto estas questões são realmente importantes, se estas alterações reduzem as perspectivas destas espécies ou se são adaptações apropriadas ao assegurar da sua sobrevivência.

Marcel Visser, do Instituto de Ecologia da Holanda em Heteren, e Christiaan Both, da Universidade de Groningen, vasculharam mais de 50 artigos de investigação em busca de exemplos em que fosse possível medir a adequação da resposta de uma dada espécie a estas alterações.

"Queríamos encontrar espécies em que tivéssemos um termo de comparação para avaliar a forma como deveriam estar a responder", diz Visser. "Por exemplo, sabemos que os chapins-reais estão a alterar o seu comportamento devido à disponibilidade de alimento, o que seria o nosso termo de comparação. Mas também podem existir situações em que questões como a predação são mais importantes."

Visser e Both identificaram 11 casos em que havia um termo de comparação adequado, e descobriram que em oito deles a espécie em questão está a responder de forma superior ou inferior ao que seria considerado o óptimo.

As lagartas são o alimento básico dos juvenis dos chapins-reais e como a emergência das lagartas na Primavera europeia é cada vez mais precoce, então, logicamente, também o devia ser a altura em que os chapins-reais põem os ovos.

De facto, uma população que foi estudada a fundo em Wytham Wood no Reino Unido, antecipou a postura dos ovos mas não de forma significativa. Por contraste, outra população em Hoge Veluwe na Holanda, continua a pôr os ovos na mesma altura do ano.

 

Nenhuma destas respostas parece ser a melhor para as aves. 

Na América do Norte, a felosa assobiadeira não adaptou os seus padrões migratórios à emergência antecipada das lagartas nos seus terrenos de reprodução e, na Holanda, o falcão abelheiro também não está a explorar o surgimento precoce das vespas de que se alimenta.

A borboleta Vanessa, no entanto, está a chegar às costas do Reino Unido mais cedo ao regressar do Inverno passado no norte de África. Ainda assim, o alimento base das suas larvas continua a florir na mesma altura do ano.

As razões porque estas espécies não parecem estar a adaptar-se de forma óptima não são claras.

Podem ser incapazes de se adaptar, podem não estar sujeitas a uma pressão suficientemente forte para induzir a alteração ou cada uma pode estar sujeita a várias pressões, cada uma empurrando em direcções contraditórias.

Seja qual for a explicação, Marcel Visser acredita que as suas descobertas são um claro sinal de alarme.

"A conclusão que daqui se retira tem que ser que muitas espécies estão a alterar os seus comportamentos de forma inadequada, dessincronizadas com as suas fontes de alimento, o que em última análise lhes será fatal."

"Já muitas vezes foi salientado que as temperaturas já aumentaram muitas vezes no passado da Terra, mas a questão é que agora estão a aumentar a uma taxa 100 vezes superior. E se nessas épocas passadas tínhamos vastas áreas de habitat natural, agora é muito mais difícil para os animais alterarem o seu comportamento ou migrarem. Além disso, a houve uma enorme perda de diversidade genética e fragmentação dos habitats. As coisas são bem mais difíceis que há 1000 anos."

 

 

Saber mais:

Netherlands Institute of Ecology

Animais fortemente atingidos por alterações climáticas

Um mundo em alteração revelado em atlas da UNEP

 

 

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