2005-11-02

Subject: Tácticas de guerra duplicam o poder de produtos anti-gripe das aves

 

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Tácticas de guerra duplicam o poder de produtos anti-gripe das aves

 

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Os médicos pensam que acertaram numa forma de duplicar efectivamente o fornecimento das drogas que combatem a gripe das aves. 

Administrar Tamiflu em conjunto com uma segunda droga que impede que o anti-vírico seja excretado pela urina significa que será necessária apenas metade da dose habitual de tratamento.

O Tamiflu (oseltamivir-fosfato) é o principal medicamento antigripal recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que sugere, antecipando uma pandemia de gripe, os países armazenem o suficiente deste composto para pelo menos um quarto da sua população.

Mas apesar da farmacêutica suíça Roche, o único fornecedor do medicamento a nível mundial, ter quadruplicado a sua capacidade de produção ao longo dos últimos dois anos, o fornecimento actual apenas conseguirá cobrir 2% da população mundial.

Na semana passada, Joe Howton, director médico do Adventist Medical Center de Portland, Oregon, sugeriu uma forma de duplicar os fornecimentos, após analisar dados básicos de segurança da Roche para uma conferência sobre a gripe das aves.

A técnica foi inventada durante a Segunda Guerra Mundial para esticar ao máximo os preciosos stocks de penicilina. Os cientistas descobriram que um derivado simples de ácido benzóico, conhecido por probenecid, impede que muitas drogas, incluindo antibióticos, sejam removidos de circulação pelos rins. 

O probenecid é de fácil obtenção e ainda é largamente utilizado em conjunto com antibióticos para tratamento de gonorreia e sífilis, bem como nas salas de emergência, onde os médicos precisam que os seus pacientes mantenham níveis altos sustentados de antibióticos no sangue.

Howton notou que os dados da Roche sobre o Tamiflu referem que este, tal como a penicilina, é secretado activamente pelos rins e que o processo é inibido pelo probenecid. Administrando o antigripal em conjunto com o probenecid duplica-se o tempo de permanência do composto activo do Tamiflu no sangue, duplica-se a sua concentração máxima e multiplica-se por 2,5 vezes a exposição total do paciente à droga.

Por outras palavras, poder-se-ia usar metade da quantidade de Tamiflu e obter o mesmo efeito terapêutico. "Ocorreu-me que os dados representavam potencialmente um tremendo benefício terapêutico", diz Howton.

Dado que a Roche publicou os dados sobre o probenecid em 2002, terá a farmacêutica considerado esta opção? "Não me parece", diz Martina Rupp, porta-voz da Roche na sua sede em Basileia. "É uma ideia interessante, mas não podemos dizer nada sobre isso", acrescenta ela, alegando falta de dados concretos. A OMS e a US Food and Drug Administration também declinaram comentar, quando a revista Nature lhes perguntou sobre a ideia.

 

Estão a ser propostos estudos que irão analisar as questões de segurança associados ao probenecid e ao Tamiflu, apesar de os médicos argumentarem que já existem dados suficientes para que a combinação de medicamentos seja usada, mesmo sem aprovação específica das agências reguladoras.

Grattan Woodson do Atlanta Research Center em Decatur, Georgia, tem vindo a receitar probenecid desde há mais de 25 anos e considera que "esta é uma prática corrente e perfeitamente aceitável". Peter Zed, especialista em medicina de emergência no Vancouver General Hospital no Canadá, concorda. Ele já publicou estudos sobre a segurança das combinações de probenecid e de antibióticos. "Não haveria nada de único na combinação do probenecid com o Tamiflu."

Michael Osterholm, director do US Center for Infectious Disease Research and Policy em Minneapolis, Minnesota, alerta, no entanto, para o facto de que não será apenas o probenecid a evitar uma pandemia de gripe. Ele salienta que a estimativa mais optimista da capacidade de produção de Tamiflu para os próximos cinco anos apenas dá para tratar 7% da população mundial.

"Enfrentar uma pandemia irá necessitar do lançamento de um projecto do tipo Manhattan a nível mundial para a produção, empacotamento e distribuição dos medicamentos já hoje", diz Osterholm. "Não se trata de um produto mágico, é mais se o conseguimos produzir e enviar para onde é preciso." Ainda assim, duplicar as doses disponíveis pode ser crucial para tratar as pessoas mais rapidamente após um surto, pelo que Osterholm considera a ideia digna de ser investigada.

"Isto é maravilhoso", concorda David Fedson, antigo directo médico da companhia de vacinas Aventis Pasteur, com sede em Lyons, França. "É extremamente importante para a saúde pública global pois implica que os stocks encomendados por mais de 40 países podem ser alargados, talvez de forma drástica." Ele sugere que sejam desenvolvidas cápsulas contendo desde logo o Tamiflu e o probenecid.

Tal como muitos outros cientistas, também Fedson está boquiaberto pela aparente falta de interesse da Roche no tema, bem como das autoridades competentes dos diversos países. "É incompreensível", diz ele. 

 

 

Saber mais:

Informação da Roche sobre o Tamiflu

MedlinePlus: informação sobre o probenecid

Connotea: recursos  web sobre antivirais contra a gripe das aves

Perguntas mais frequentes sobre a gripe das aves

Estudo sobre vírus aumenta receios de pandemia

Pandemia eminente com mutações na gripe das aves

 

 

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