2005-11-01

Subject: Afinal os ratos também cantam

 

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Afinal os ratos também cantam

 

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Os ratos macho produzem canções de amor ultra-sónicas. Clique aqui para uma versão audível para o Homem. 

O rato Mickey pode ter estado calado nos seus primeiros tempos nos écrans de cinema mas os seus primos de laboratório parecem ter uma queda para as canções. 

Esta é a espantosa descoberta de uma análise de sons ultra-sónicos produzidos por ratos macho que cortejavam potenciais parceiras.

Desde há anos que os peritos em comportamento animal sabem que os ratos produzem vocalizações demasiado altas para serem captadas pelo ouvido humano. 

Os ratos jovens, produzem "sons de isolamento" quando têm frio ou estão perturbados, enquanto os ratos macho emitem sons ultra-sónicos em presença de parceiras potenciais ou em resposta a dicas sexuais (feromonas) presentes na urina das fêmeas.

Mas até agora, os cientistas não tinham examinado estes sons em busca de padrões musicais. Graças, em parte, a um sofisticado programa de computador, Timothy Holy e Zhongsheng Guo da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St Louis, Missouri, foram capazes de enfrentar este desafio.

Holy começou por escrever software que altera a amplitude dos sons produzidos pelos ratos macho, tornando os sons mais profundos de forma a serem audíveis para o Homem. "Ninguém tinha feito isto antes a vocalizações de rato", diz ele. "A primeira vez que ouvi a gravação foi muito surpreendente: parecia-se muito com o canto de uma ave."

Holy e Guo colocaram os ratos macho em presença de urina de fêmeas para desencadear as vocalizações de acasalamento e gravaram os sons. Analisaram os detalhes mais ínfimos dos sons capturados, comparando o tom de cada milissegundo com o do imediatamente anterior. Procuraram padrões nestas alterações de tom, bem como no espaçamento das vocalizações ao longo do tempo.

Os guinchos de tom muito elevado dos animais têm características de cação, descobriram os investigadores, com pares distintos de notas arranjados em frases repetidas. Holy compara as canções dos ratos às das aves jovens, que ainda não apresentam um padrão complexo fixo de temas musicais.

 

Os investigadores esperam registar canções de ratos selvagens para tentar compreender se estes apresentam uma maior riqueza e complexidade do que as produzidas por ratos de laboratório.

Também tencionam descobrir se os ratos aprendem estas canções uns dos outros ou se as produzem automaticamente. Se os ratos ensinam uns aos outros estas canções, passarão a fazer parte de um exclusivo clube de animais: até ao momento, os investigadores apenas documentaram essa capacidade no Homem, nas baleias e nas aves.

Um grupo mais alargado de animais produz sons não aprendidos. Alguns insectos, como as cigarras, produzem instintivamente rotinas não aprendidas como parte da corte e muitas aves, para além das canções aprendidas, chilreiam instintivamente para comunicar alarme se um potencial predador se aproxima do ninho.

Holy salienta que os ratos que estudou pareciam ter, cada um, uma preferência por certo tipo de canção, apesar de serem geneticamente idênticos. "Essa é provavelmente a melhor prova que se trata de um comportamento aprendido", explica ele. "Mas eu diria que o grau de importância da aprendizagem é menor que nas aves."

As complexas vocalizações dos ratos não estão necessariamente associadas à nossa tendência para a música. O perito em canções de aves da Universidade de Chicago, Daniel Margoliash, salienta que não há evidências conclusivas de vocalizações aprendidas mesmo entre os nossos primos mais próximos, os primatas, sugerindo que desenvolvemos as nossas capacidades musicais independentemente das outras espécies.

Mas as canções dos ratos podem ter algo a ensinar-nos acerca da origem da fala humana, sugere Holy. Ele chama a atenção para um gene conhecido por FOXP2, que é essencial para ambas as situações e acrescenta que estudos futuros deveriam explorar esta ligação. 

 

 

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