2005-10-30

Subject: Nova Iorque reduz iluminação para ajudar as aves

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the Wild

Este boletim é mantido por simbiotica.org, uma rede simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

mantenha-se informado das últimas novidades e troque ideias com todos os que fazem parte desta rede!

 

Em destaque:

Nova Iorque reduz iluminação para ajudar as aves

 

  Questões ou comentários para: webmaster@simbiotica.org

Dê a rede simbiotica.org a conhecer a um amigo!!

A cidade que nunca dorme está a desligar as luzes em dezenas de arranha-céus na esperança de proteger aves que são por elas distraídas das suas rotas migratórias habituais. Todas as noites de Outono, centenas de aves colidem com as torres da cidade iluminada.

Os pica-paus preferem Nova Iorque à noite, tal como os pardais, toutinegras e outras aves migratórias pré-tropicais, que voam alto sobre Manhattan após o por do Sol na sua rota para sul. Mas este Outono, a Big Apple está a tentar ser mais amena para estes migrantes destemidos.

Pela primeira vez cerca de 100 edifícios, incluindo o Empire State, Chrysler, City Group Center e outros, estão a participar na iniciativa Lights Out (Luzes Apagadas). Os proprietários de edifícios altos estão a ser instados a reduzir as suas luzes para salvar as vidas de milhares de aves migradoras nocturnas, para além de reduzirem os seus custos de energia.

Daniel Klem Jr, ornitólogo da Faculdade de Muhlenberg na Pennsylvania, refere que até mil milhões de aves morrem em colisões com janelas de vidro só nos Estados Unidos e por ano, tanto de dia como de noite.

A maioria destas colisões ocorre ao nível do solo durante o dia, quando as aves confundem o reflexo nas janelas com as árvores e os espaços abertos para onde querem voar. Mas durante a estação migratória, a iluminação dos arranha-céus também se torna uma ameaça, especialmente em noites sem ventos fortes que ajudem a guiar as aves.

Algumas aves são atraídas para as luzes e em noites nubladas com ventos fracos podem começar a circular em volta dos edifícios, acabando frequentemente por morrer em colisões com eles ou caindo exaustas para as ruas.

Ornitólogos de Nova Iorque começaram a interessar-se pela primeira vez neste fenómeno em 1887, quando a recém-construída estátua da Liberdade começou a custar a vida a muitas aves.

Actualmente, os peritos dizem que as aves migratórias morrem às centenas ou mesmo milhares por noite, em cidades dominadas por arranha-céus.

Ainda assim, apesar do programa Lights Out estar a decorrer com algum sucesso em cidades como Chicago e Toronto, os cientistas continuam pouco convictos sobre a real causa das colisões das aves com os edifícios altos.

Robert DeCandido tem vindo a estudar a migração de aves a partir do topo do Empire State Building desde há 3 anos a esta parte. Durante este período apenas 4 aves foram encontradas mortas no andar de observação, após uma noite de chuva intensa, e nenhuma colisão directa foi observada.

Em algumas noites as aves parecem confusas mas, de alguma forma, conseguem continuar a voar. "Tenho estado cá em cima em noites de nevoeiro, quando as aves voam em círculos em volta do edifício e elas parecem-me muito conscientes da sua presença, estão a evitá-lo."

 

Em noites chuvosas as aves tendem a manter-se juntas, aterrando frequentemente no andar de observação do Empire State após as hordas de turistas terem deixado o local. De seguida levantam voo sem problema e continuam viagem.

DeCandido pensa que a explicação para as colisões com edifícios pode depender apenas de um jogo de números. "Se existe grande número de aves em migração de noite, deve haver uma pequena percentagem que tenha atitudes idiotas", diz ele. "Queremos impedir que aconteça mas nem sempre é possível."

A maior colisão de aves registada em Nova Iorque aconteceu em 1948, quando cerca de 800 aves morreram após voarem contra o brilhantemente iluminado Empire State Building numa noite de nevoeiro. Mas numa noite de meados dos anos 70, centenas de aves colidiram com o Empire State quando a iluminação estava desligada, levantando a questão da relevância das luzes para estas ocorrências.

Ainda assim, as colisões com janelas envidraçadas continuam a ser a principal causa de morte de aves. Nos Estados Unidos, os gatos também matam centenas de milhões de aves todos os anos e os caçadores são responsáveis por outras 120,5 milhões de mortes, sugerem as estimativas mais recentes.

Mas na natureza, entre 60% a 80% das aves também nunca chega a ver o seu segundo ano de vida, mortas por predadores ou morrendo nas longas migrações, especialmente nas épocas altas dos furacões.

Seja ou não um passo significativo na prevenção da colisão de aves urbanas com edifícios, o programa Lights Out está a ajudar as aves ainda assim, pois a redução do consumo de energia ajuda a preservar o seu habitat. E no meio de uma crise de preços de petróleo, também faz todo o sentido do ponto de vista económico.

Um edifício com cerca de um terço de área de escritórios do Empire State Building poupa até US$120000 por reduzir as suas luzes após a meia-noite durante o Outono, segundo as estimativas da Audubon Society de Nova Iorque.

O frugal Empire State Building já o faz desde 1975, e agora parece ser tempo de outros se lhe juntarem. 

 

 

Saber mais:

NYC Audubon - Lights Out

Luzes apagadas para salvar aves migradoras americanas 

Tartarugas do Pacífico podem desaparecer numa década

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

@ simbiotica.org, 2005


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com